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Posts Tagged ‘TV’

Adoro eufemismos.

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Fim de uma era

O melhor guarda-chuva/a pior TV que já possui.

A imagem acima foi a última foto que eu tirei em solo australiano após três anos na terra dos marsupiais.

Apartamento virtualmente vazio, o televisor foi a última coisa a sair depois de quase duas semanas vendendo e jogando coisas velhas fora. Por ter adquirido o aparelho gratuitamente (e por ele ser, sinceramente, ridículo), deixá-lo na calçada perto do edifício onde morei não foi das coisas mais difíceis que já fiz.

Ao contrário do guarda-chuva, que me acompanhou por três longos e climaticamente instáveis anos. O melhor aparato anti-precipitação pluvial que tive em minha vida (especialmente pelo fato dele ser imenso e efetivamante me caber embaixo). Não fazia sentido trazê-lo comigo, então ao menos o salvei para a eternidade numa foto excelente nos meus últimos momentos na cidade que tanto me ensinou.

Estava procurando essa foto já há alguns dias e ontem, por acaso, a encontrei.

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Já houve uma época em que elas serviam para informar e entreter.

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O ano muda, mas todas as outras coisas tendem a continuam como sempre estiveram.
Especialmente a listagem musical das difusoras radiofônicas.

Minha época favorita do ano são esses 30 dias compreendidos entre “Então É Natal” finalmente saindo da rotação de todas as rádios, festas e comerciais de TV e o início do reinado onipresente das marchinhas carnavalescas e sambas-enredo tomando conta da mídia nacional.

Não porque eu ache que “A Pipa do Vovô Não Sobe Mais” seja das músicas mais detestáveis e um dos piores momentos musicais da história (eu acho, mas não é nisso que quero chegar) mas porque eu sei que não precisarei ouvir Emílio Santiago e sua marca registrada de semianalfabetismo musical supervalorizado tocando a cada quarenta minutos por mais de um mês seguido.

Depois disso as ondas do rádio são tomadas por mais 75 dias de morosidade acachapantemente maçante até que a presença de Fagner se torne mais marcante (com menos Cecília Meireles e mais Zé Dantas), mais sanfonas comecem a aparecer à frente de grupos que fazem de um pedaço cromado de ferro triangular um instrumento musical de suma importância, o termo “quadrilha” adquira um significado não-criminoso, infinitivos sejam abolidos pela extinção temporária da letra ‘R’ em terminações de palavras em absolutamente todos os letreiros produzidos em tal época do ano e milho se torne base e fonte principal de alimentação de pelo menos um quarto do país por um mês e meio.

A partir daí são cinco meses até que Simone retorne então outra vez para estuprar com sua estupidez religiosa a obra antibelicista de John Lennon por um período sempre longo demais.

Porém, eu tenho a impressão que a nova mina de ouro da Som Livre, dito padres cantores, irá preencher alguns espaços, mais especificamente ao redor da páscoa, dia da padroeira e dia dos mortos.
Na melhor das hipóteses, é menos “Quem de Nós Dois” e “Milagreiro” durante os oito vacuosos meses não-musicalmente temáticos que recheam o resto do ano.

E falo isso das rádios com “programação para um público mais exigente“, pois não ouso expor meus ouvidos à algazarra proveniente das estações ditas “populares”, onde o disparate entre o termo “Pagode” e o que realmente é produzido constantemente pelas caixas de som é tão grande quanto a frase “eu ri de uma piada contada em Zorra Total” ou a expressão “churrasco vegetariano”.

2010 será um ano excelente para eu levar meu tocador de MP3 para o trabalho.

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Natal (800 mil habitantes, capital do Rio Grande do Norte, onde eu moro há vinte e tantos anos) deve ter uns vinte museus.
Contando de cabeça os que eu tenho certeza que já passei em frente (Museu Câmara Cascudo, Museu da Aviação, do Mar, de Arte Sacra, Naval, da Medicina, Museu Café Filho, da Fortaleza dos Reis Magos, da Cultura Popular, Instituto Histórico e Geográfico) já vão bem uns dez.

Eu entrei em dois.

Passei um mês no Rio de Janeiro e visitei pelo menos cinco.

Eu gosto de museus, me divirto olhando e lendo coisas antigas, mas é mais fácil conhecer os museus de cidades distantes do que os que ficam a cinco quilômetros da minha casa.

Já dei uma volta pela Floresta Amazônica no Amapá mas nunca tive coragem de andar meia hora dentro da reserva de Mata Atlântica que tem aqui e que dá para ver da minha janela.

Ir para longe fazer coisas idênticas às que podem ser feitas no seu quintal (ou que requerem bem menos esforço) não é exclusividade minha.

Nossa raça tem essa tendência.
Nós gostamos de começar de fora para dentro.

O telescópio foi inventado antes do microscópio.
Obviamente a vontade de ver o longíquo surpassava o desejo de olhar para a nossa própria pele de pertinho.

Hoje nós temos sondas espaciais se aproximando dos limites do nosso Sistema Solar, sabemos o que galáxias estão fazendo a centenas de milhões de anos-luz daqui, estamos até fotografando planetas orbitando estrelas invisíveis ao olho nu e calculando a taxa de expansão do Universo, mas não sabemos exatamente o que há no centro do nosso planeta e até agora só conseguimos escavar treze quilômetros para dentro dele.

E o buraco tem uns cinco centímetros de diâmetro.

Nós achamos mais fácil projetar transmissores, receptores e decodificadores, calcular trajetórias e construir foguetes para lançar satélites geoestacionários do que esticar um cabo no chão.

Pois é, TV via satélite é mais antiga que TV a cabo.

À luz desses fatos (e ignorando todas as evidências contrárias), posso concluir que gostamos mais do que vem de fora.
Isso talvez, então, explique a razão pela qual meu vizinho usava uma camisa marrom com “OBAMA 2008” escrito em roxo.

Mas pelo menos eu já andei muito pelas Dunas de Genipabu antes de ir passear no Outback australiano

P.S. o ocaso natalense visto do mirante da Ladeira do Sol é mais deslumbrante que qualquer pôr-do-sol egípcio.
Venham aqui e comprovem!

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==> Isto é uma continuação, se você chegou aqui agora e não leu a primeira parte, volte e leia, senão nada aqui fará sentido.
Bem, fará, mas você estaria perdendo metade da diversão! <==

Tanto os olhos quantos as antenas de rádio são receptores de luz. Nós não vemos o sinal do celular porque as estruturas de captação de luz nos nossos olhos são muito pequenas e as ondas de rádio são muito longas e não cabem dentro das células. É como jogar sinuca com bolas de vôlei.

=> Não consigo pensar numa frase inteligente para esta passagem

Chegamos ao Ultravioleta. “Ultra” significando “acima”, “violeta” significando a cor violeta. Óbvio. Ainda estou estudando e achei pouca coisa, aí estou enchendo com miolo de pote.
Ah, achei uma coisa interessante; O sol produz muita luz ultravioleta que é bloqueada pela nossa atmosfera, ou era, pois o que bloqueia mesmo é ozônio (um alótropo do oxigênio, que se combina em três átomos) e esse ozônio está sendo quebrado por clorofluorcarboneto (o famoso CFC). Por ser muito energética, radiação UV tem a propriedade de quebrar ligações químicas. Uma dessas quebras acontece na nossa pele (e na dos porcos), causando as queimaduras de sol e, em casos extremos, câncer de pele (o carcinoma é causado quando um desses fótons super-energizados atinge e desmantela uma molécula de DNA, fazendo-a agir de forma imprevisível e incontrolável). O mesmo processo pode causar catarata no olho, ressequidão (acho que essa palavra não existe) e rachadura em plásticos (polímeros em geral) e degradação em tintas expostas ao sol.
Tinta UV é usada em sistemas de segurança (da próxima vez que você estiver numa boate com luz negra, olhe pro seu cartão de crédito) e lâmpadas que criam luz ultravioleta (como as fluorescentes) são usadas em armadilhas para insetos (que se orientam à noite navegando pela luz da lua e das estrelas, mas é um pouco mais complicado que isso. Entomologia é divertido).
Análise de minerais, espectrofotometria (tipo espectroscopia, mas mais especializado) e outras coisas com nomes ainda mais difíceis de ler e pronunciar.

=> Carcinoma nos ossos.

A próxima etapa na escala energética da luz é a dos Raios-X.
Esse nome é muito aleatório mas é muito massa também, coisa de revista em quadrinhos e foi dado por um alemão, Wilhelm Röntgen, que recebeu o PRIMEIRO prêmio Nobel de Física por seus estudos sobre os raios. Invocado!
Lorde Kelvin, o da escala de temperatura, disse uma vez que “raios-x não existem, isso é conversa”, mas eu não o ouvi dizendo, não porei minha mão proverbial no fogo.
Raios-x (sempre no plural, diferentemente do terceiro verso de Parabéns A Você, que é “Muita felicidade”) são usados principalmente em contadores Geiger, para medir o nível de radiação em determinados locais, em astronomia (olha aí, os astrônomos de novo), para medir a freqüência de pulsares e medir buracos-negros, e, mais comumente, para bater chapas radiográficas, que depois de usadas, podem servir para a observação de eclipses solares (por astrônomos, talvez?).

Gerar esse tipo de radiação consome MUITA energia, que geralmente é associado à temperatura dos corpos. Pulsares brilham nessa faixa de luz por serem absurdamente quentes. Não adianta o Super-Homem ter visão de raios-x se não tiver algo atrás do objeto para aparar a radiação, que deve ser lançada de seus olhos, pois objetos frios não emitem esse tipo de luz, e isso seria o mesmo sistema de uma máquina de raios-x, que é na verdade uma grande máquina fotográfica que enxerga fótons hiper-energéticos. Mas precisa imprimir num filme, como um lambe-lambe.

=> Do Homem-de-Aço para o Homem Verde Zangado.

Depois de raios-x, vêm os Raios Gama. Não importa o quão mais energético se tornem (não existe ainda limite teórico máximo de energia), continuarão sendo raios gama.
Da mesma forma como os comprimentos de onda da faixa de Rádio podem ser enormes, os da faixa Gama são tão pequenos que uma ruma deste tamanho ainda não dá para ver!

Além de transformar o pacífico físico Bruce Banner na besta selvagem e incontrolável conhecida por Incrível Hulk, radiação gama, por ser altamente letal para qualquer espécie de vida, é usada como meio de esterilização de equipamentos médicos e irradiação de alimentos, o que destrói qualquer ser vivo, como bactérias, que estejam só esperando um hospedeiro quentinho para se estabelecer e tomar de conta.
São naturalmente gerados em explosões de Supernovas e em explosões nucleares, guardadas as devidas proporções.
Bicho muito perigoso, sempre que puder, evite (radiação gama é não-residual, ou seja, não deixa restos por onde passa, portanto você pode comer comida irradiada sem preocupação; a não ser que você seja o técnico responsável pelo processo…).

E este é o Espectro Eletromagnético!
Espero que tenha sido compreensível.

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Fótons – porçõezinhas de energia que são, ao mesmo tempo, partículas (como coisas sólidas) e ondas (como som), que se movem à velocidade da luz (trezentos mil quilômetros por segundo) e que variam em freqüência, ou em quantidade de energia, e carregam energia eletromagnética.

Energia eletromagnética é mais ou menos tudo, variando de ondas de rádio, passando por cores, até raios gama.

As ondas de rádio variam em tamanho de vários metros a poucos milímetros. Mas isso é irrelevante (para este artigo, pelo menos). Interessante mesmo é que elas servem para rádio (é nada!) AM (amplitude modulada), FM (freqüência modulada), amador, TV VHF (very high frequency, ou freqüência muito alta), UHF (ultra high frequency, ou freqüência ultra-alta), telefones celulares, ressonância magnética, radares, redes sem fio (do tipo que pessoas usam para espalhar internet grátis pela vizinhança, sem se dar conta), Bluetooth (ou dente-azul, o apelido dum rei norueguês) e outras coisas.

=> Da TV para a pipoca.

Alguém (provavelmente americano), num-sei quando (provavelmente durante a Segunda Guerra), num-sei onde (essa nem chutando eu sei) descobriu que Microondas aumentam a energia das moléculas de água, fazendo-as vibrar mais rápido, resultando em aquecimento do líquido.
Como toda comida tem um pouco de água, essa energia podia ser usada para esquentar o alimento.
E inventaram o forno de microondas.
Um forno mágico que só esquenta a comida e não os recipientes. Os pratos esquentam por condução de calor. O sanduíche quente esquenta o prato encostado nele. Da mesma forma, a umidade do ar esquenta o ar dentro do forno, aquecendo o prato.
Microondas servem para outras coisas, como radioastronomia e transmissão de dados, mas comida quente é melhor. Principalmente se botar farinha depois.

=> Aqueceu, ficou quente.

Radiação infravermelha é basicamente calor.
Nós a utilizamos em óculos de visão noturna (mesmo sem luz visível, corpos ainda emitem calor, captado pelos óculos), espectroscopia (técnica usada para medir quanto de cada material existe em determinada substância. Exemplo; quanto de gás carbônico existe no ar), em previsão do tempo (que precisa melhorar um bocado ainda) e em astronomia (astrônomos usam TODA a tecnologia disponível no mundo), pois a luz infravermelha não é bloqueada por nuvens de poeira, como acontece com a luz visível.
O nome vem do fato dessa faixa de freqüência ser imediatamente inferior (em energia) à luz vermelha, que é onde nossa visão começa a funcionar.

=> E faz-se a Luz Visível!

Experiência interessante: acenda a boca de um fogão e coloque um garfo (os dentes finos ajudam a acelerar o processo (use um garfo com cabo de madeira ou plástico ou enrolado num pano (cuidado para não queimar o pano!))) em contato com a chama. Quando avermelhar, você estará testemunhando a criação de luz visível, nascendo do estágio energético imediatamente inferior (a energia aumenta porque está sendo suprida pela labareda), radiação infravermelha. Física é o que há!
A transição da radiação infravermelha (milésima vez que escrevo a palavra “infravermelho” e não consigo escrever certo de primeira… a mesma coisa acontece com “limitando-se”) para a luz visível dá-se quando uma coisa fica tão arrochadamente quente que fica incandescente, avermelhada.

Tudo até agora e daqui em diante é luz, do mesmo jeito que luz é luz, mas a luz que chamamos de luz é, na verdade, luz visível.

Esta vai do vermelho ao violeta e é composta por uma quantidade virtualmente infinita de cores, e não só as sete do arco-íris (vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta). Estas são apenas concentrações mais fáceis de ver dentro das transições infinitas.
Com luz visível dá para fazer um mói de coisa. Ver é a melhor delas.
Todos os que estão lendo isto enxergam, então não preciso discorrer sobre o assunto (e também não dá para explicar percepção subjetiva; tente imaginar uma cor que você nunca viu, por exemplo).
Minha cor favorita de dizer é Grená (existem pessoas que sofrem de uma condição chamada sinestesia, que as fazem experimentar cores combinadas com outras sensações, como ouvir um azul, mas eu dedicarei um artigo completo a isso porque é muito legal de verdade).

==> Em prol da parcimônia e zelando pela paciência de meus visitantes, divido este artigo em dois. A primeira parte acaba aqui, a segunda virá em breve. <==

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