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Posts Tagged ‘Música’

Finalmente, após anos e anos, consegui vencer a preguiça e catalogar meus pratos. Os dividi por tipos, série, nome, tamanho, número de série (descobri uma coisa bem interessante por causa disso) e peso.
Estou publicando aqui para ter um terceiro backup da lista e ser de fácil consulta. Todos da marca Zildjian.[1]

RIDE/CONDUÇÃO AVEDIS PING RIDE 20”/51CM IG 2725-049 2,75Kg

Não sei se por algum viés, mas esse é a melhor condução que já usei. Quente como um dia chuvoso em Natal, mais definido que coxa de dançarina de banda de forró e com uma projeção melhor que a do sinal do Batman. Vai do jazz ao black metal, do samba ao punk (sei disso porque usei-o em todos) com a mesma desenvoltura.

Este foi fabricado em 1997 e está comigo desde abril de 1998. Muito suor, maresia e lavagens depois ele adquiriu essa tonalidade fosca que eu chamo de “a cor do amor”.
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RIDE/CONDUÇÃO K HEAVY RIDE 20”/51CM IF 1267-089 3,25Kg

Este eu comprei na Austrália (muito barato – viva país com moeda forte!) e é bem mais pesado que o Ping – tanto em massa quanto em timbre. Não é tão controlado quanto aquele mas também não é nenhum [insira aqui personagem barraqueiro da novela atual]. Nunca pude comparar projeção, mas apostaria no K como mais audível (especialmente a cúpula) circundado por amplificadores.

O número de série me diz que ele foi fabricado em 1996, dez anos antes de por minhas mãos nele. Pela condição em que se encontrava quando comprei suponho que o(s) dono(s) anterior(es) não o havia(m) tocado por mais de alguns minutos. E Melbourne é um lugar seco, muito seco.
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CRASH/ATAQUE AZUKA TIMBALE 18”/45CM IF 9931-138 1,6Kg

Este prato foi incluído no meu kit por pura sorte. Também de 96, o comprei pelo telefone em 1999. Já tinha o básico e queria outro ataque para complementar o meu K 17″. O Azuka é da linha de percussão da Zildjian e foi projetado para ser um ataque/condução de timbales mas raramente o usei como este último, mesmo a cúpula sendo tão controlada. Ele é um ataque que parece ser pesado mas que não destoa do finíssimo 17″. De pagode a hard rock, este prato é como Tabasco – fica bem em tudo.
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CRASH/ATAQUE K DARK CRASH THIN 15”/38CM IH 4550-089 0,9Kg

Outra compra australiana (junto com o 18″, mais abaixo), este é o irmão gêmeo do 17″ (também abaixo, mas menos). A melodia que dele escapa é impressionante; um crescendo que demora a explodir (alguns milissegundos, apenas o suficiente para ser notável) mas que agrada qualquer um que o usa. Por ser bem fino e leve (menos de um quilo) ele não se daria bem em músicas mais pesadas e definitivamente ele não deve ser usado como condução, tanto pela lentidão do ataque quanto pela delicadeza material. Ao contrário do K 20″, este foi bem usado e desenvolveu uma pátina avermelhada que está pedindo para ser removida.
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[ATUALIZAÇÃO PRÉ-PUBLICAÇÃO – prato devidamente lavado e lixado, a ser publicado num post vindouro]

CRASH/ATAQUE K DARK CRASH THIN 17”/43CM IF 1648-061 1,3Kg

Comprado junto com o Ping, este é simplesmente o melhor ataque para alguém que toca de tudo. Ele aguentou vários anos de metal a hardcore, de acústicos na minha sala a dois shows na mesma noite, duas noites seguidas.
Apesar de fino, é um cavalo que puxa qualquer carroça. Desde que, como todo cavalo, seja tratado com os devidos cuidados. E não seja surrado indevidamente.
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CRASH/ATAQUE K DARK CRASH MEDIUM THIN 18”/45CM IH 4479-041 1,5Kg

Igualmente bem usado e apatinado (como o 15″, lembra dele?), este tem a mesma lentidão característica do 15″ mas é bem mais “volátil”, como um vidro de acetona deixado sem tampa. Reagindo prontamente à força aplicada pela baqueta, para mais ou para menos.
Ele se sairia muito bem num contexto mais calmo mas ele foi feito para brilhar num palco, rodeado de amplificadores. É como um guitarrista nesse aspecto.
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SPLASH K 8”/20CM CARIMBO ANOS 70 168g

É um splash, é um K e não pesa nem duzentos gramas. Se você lendo isto não consegue fazer esta conta nenhuma descrição minha vai ajudar. Mesmo assim, lá vai uma: é como um espirro de uma pessoa muito refinada que sabe que não pode impedir o reflexo e que também sabe que não precisa se desculpar por isso.

Pelo carimbo, este prato foi feito nos anos 70. Por estar em tão perfeita forma, creio que jamais havia sido tocado por uma baqueta maior que 7A (mas sem dúvida foi muito utilizado em bares e outros locais fechados e naturalmente úmidos, pela quantidade de manchas de suor em cima).
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SPLASH K 10”/25CM IF 8033-130 251g

Novamente, mesmo problema descritivo. Este espirro é um pouco mais alto e mais grave mas dado com o mesmo requinte.

Fabricado em 1996 e deixado numa gaveta até ser colocado no eBay e vir parar no bolso do papai aqui. Se fosse um boneco do Comandos em Ação eu poderia dizer que o comprei “novo na caixa”, mesmo já tendo completado dez anos quando adquirido por mim.
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HI-HAT/CHIMBAL AVEDIS NEW BEAT 14”/36CM
TOP/SUPERIOR IH 989-150 1,04Kg / BOTTOM/INFERIOR IH 1007-170 1,44Kg

O New Beat é o “padrão da indústria” e não o é injustamente. Já usei chimbal de toda espécie, de latão a bronze em todas as suas misturas, leve, pesado, misto, com pratos de efeito, stack e todos eles invertidos e nenhum chega aos pés do pé (também conhecido por “chick”) deste. A comparação com o ataque de pé também é injusta com os outros, sejam K, A, AA, qualquer um com um X no final, turco, canadense, suíço, italiano, etc, etc.

O New Beat é o melhor acompanhando violão ou um trator sem roda ligado num Metalzone. Se o Azuka é Tabasco, o New Beat é sal.
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HI-HAT/CHIMBAL AVEDIS QUICK BEAT 14”/36CM CARIMBO ANOS 70
TOP/SUPERIOR 1,2Kg / BOTTOM/INFERIOR 1,3Kg

Este par não tem número de série, logo, foi produzido antes de 1994. É também carimbado, pré-laser. Pelo tamanho e características do carimbo (meia lua, sem os infames “três pontos”, etc), provavelmente o par foi produzido no fim dos anos 70 (depois que o logotipo vazado foi abandonado).
Mas, como o relógio na minha parede demonstra, ele não é meu favorito musicalmente. Fica excelente microfonado (com ajuste de agudos).

Não sei porque não gosto dele. Talvez minha sinestesia enxergue seu tom como o de um falastrão mal educado, daqueles que sempre interrompem sua linha de pensamento. É, acho que é isso.
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O prato de cima está meio enferrujado. Acho que é da maresia (minha bateria ficou montada um tempo numa casa de praia) e do meu descaso também.
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HI-HAT/CHIMBAL AVEDIS S.R. (special recording) 12”/30CM
TOP/SUPERIOR IF 9505-040 0,83Kg / BOTTOM/INFERIOR IF 9505-149 0,795Kg

Visivelmente bem usado. Para ouvidos pouco acostumados, o som é esquisito, como o de uma criança com uma voz não-caracteristicamente grossa tentando imitar um adulto da voz fina. Este chimbal é mais crocante que piso de gordo e com mais definição que olimpíadas de inverno. Não é um prato para o dia a dia mas cobre bem a falta de um 14″ pesado. Por ter bem menos volume (menos área, menos massa) é o que estou usando semi-irregularmente na minha bateria montada na sala.

O prato de cima é mais pesado que o de baixo. Não sei se isso é padrão do S.R., mas posso dizer (para os que já não sabem) que isso é bem incomum.
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SPLASH ORIENTAL TRASH 9”/23CM II 7100-081 222g

Não consigo de forma alguma (por memória ou por documentos) lembrar onde comprei este prato. Sei que foi meu primeiro splash e que foi comprado sozinho, mas não lembro se novo ou usado, se em loja ou de algum particular.

Mesmo tendo sido meu primeiro não é meu favorito. Mesmo assim, é um excelente pratículo, bom para situações com mais volume, onde sua mistura esquisita de harmônicos se destaca por ser tão inesperada. Como uma alcaparra solitária numa colherada de doce de leite.
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SPLASH AVEDIS 10”/25CM 288g CARIMBO

Se este prato fosse responsável pela consciência coletiva, não estaríamos correndo o risco de acabar a água potável do mundo[2]. Ele tem exatamente zero desperdício, como o gritador de “UH!” em banda de mambo. É preciso como mira telescópica, focado como mira laser, explosivo como pólvora química e rápido como… não sei, não consigo pensar numa analogia para a velocidade de resposta. Rápido como uma coisa rápida. Um trem-bala, por exemplo.

Provavelmente meu prato mais antigo, a julgar pelo modelo do carimbo. Comprei de um baterista que não gostava dele (monstro, eu sei, mas eu avisei a polícia na época) junto com um A Thin Crash de 13″ que nunca me soou bem e foi prontamente revendido, o 8″ abaixo e um case de madeira caseiro que ele havia feito e que, depois de alguns metros de silver tape, voltou a ser redondo.
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SPLASH AVEDIS BRILLIANT 8”/20CM JA 14237-228 169g

E, finalmente, a estrela da casa. Nem tanto pelo som que, por ser muito pequeno e muito leve só funcionaria em situações mais calmas – preferencialmente servindo de contraponto ao A 10″. O que realmente chama atenção neste splash é a parte de baixo, autografada por Will Calhoun, do Living Colour (que é endorser da Sabian MUAHAHAHA! mas ele não se importou).
E sim, ele está dessa cor porque eu continuo usando-o. O autógrafo não irá a lugar algum, visto que eu fui sabido e pedi para ele assinar no fundo do prato. #ficadica

Fato que só notei durante o catalogação; este é o prato mais novo que possuo, tendo sido fabricado em 2001, um ano antes de ter sido comprado por mim ao mesmo sujeito que me vendeu também o 10″ acima, meu mais antigo. Para você ver como são as coisas…
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CHINA ORIENTAL TRASH 16”/40CM II 7555-127 0,94Kg

Comprei junto com o Azuka. Me serviu muito bem na época, onde barulho era o que reinava.
Sempre o achei muito duro se atingido na lombada, então o usei sempre pela borda. Duro como uma mordida repentina em algo crocante quando a única coisa que você tem na boca é chiclete. Ele não tem o que os músicos chamam de calor, ele é só quentura. Como sair para o almoço descalço em calçamento.
Mas não achem que não gosto dele, pois gosto bastante. Mas sempre pela beirada, como sopa quente.
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CHINA ORIENTAL CLASSIC 20”/51CM IG 2855-026 1,55Kg

Se alguém roubasse um só prato meu, este sem dúvida seria o alvo. Não que eu acredite em azar (flutuações estatísticas, minha gente, sorte e azar são estatísticas levadas para o lado pessoal) mas é que acumulei muitos inimigos durante minha vida.

Um quilo e meio de pura delícia, este china foi amor à primeira vista. Só não lembro onde vi (talvez num fórum, talvez vagando pelas profundezas do MercadoLivre), mas sei que ele estava em Brasília. E disto eu sei porque mandei o dinheiro para a minha irmã afetiva brasiliense (também baterista à época) e a fiz ter o trabalho de se deslocar para inspecionar, adquirir e estocar o prato na casa dela até que, alguns meses depois quando a fui visitar (sério, não fui lá só pelo prato, não é todo mundo que é meu inimigo), senti pela primeira vez o amor retribuído proveniente daquele quilo e meio de paixão ardente com o qual eu me correspondia apenas mentalmente por semanas e semanas… *suspiros* Ah…

É como a experiência mais transcendental que você já sentiu. É aquele filé na manteiga com macarrão de manjericão ao molho branco que eu comi só uma vez e quando voltei para repetir na semana seguinte o restaurante havia fechado sem deixar traços de sua existência e que até hoje eu acho que sonhei com aquele prato pois nunca senti, antes ou depois, tamanho prazer com um item comestível, que me frustra e escapa ao meu entendimento, jamais tendo conseguido sequer recriar o mais simples dos componentes, numa fútil busca etérea e malsã, tanto mais efêmera quanto mais intensa…
E este prato musical é melhor que aquele prato gastronômico. E é tanto assim que eu gosto dele. E posso tocá-lo quando quiser!

Fino e delicado como aquele macarrão de manjericão, forte e encorpado como aquele filé na manteiga, meu Oriental Classic 20″ recria nos meus ouvidos o que um dia já foi criado em minha boca.
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CRASH/ATAQUE SCIMITAR – 16”/40CM S/N 1,2Kg

Este comprei pensando em transformar num spiral trash caseiro, mais para decoração do que para música, mas acabou virando uma luminária.
Nunca o toquei, então não posso dizer se é bom. Mas se fosse, creio que a série não teria sido descontinuada.

[ATUALIZAÇÃO VESPERTINA – Eis a luminária!]
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Já possui também (além do A 13″ aludido acima) um Mini China K 14 (esse K no meio da foto) que achei muito grosso e que, apesar de agressivo (e agudo) demais nunca tinha volume suficiente para a quantidade de força que precisava aplicar. Comprei num sebo que já não mais existe e comprei muito barato. Lembro que foi barato o suficiente para eu ter o dinheiro no bolso e já levar logo embora antes que viesse alguém lá de dentro dizendo que o preço estava errado.

Um Sabian AAX Stage Crash 18″ que, hoje em dia, não mais o venderia (eu limpei os desenhos antes de vender). Um prato mole e doce como a chuva da manhã (estou descrevendo sons, então nenhuma analogia é adequada mesmo) mas altamente sensacional. Só vendi porque consegui comprar barato e fiz um lucro da moléstia com um cara daqui que queria porque queria um Sabian.

Dois Wuhan, um splash e um china, ambos de 12″. Nesta foto o china na extrema direita (acima do Azuka) e o splash, de cabeça para baixo, na extrema esquerda, em cima do finado A 18″. O china era uma maravilha, fino como bifum, complexo como caldo de ostra, agradável como tarê. O splash era mais como um sashimi de atum; não era para todos os gostos. Igualmente fino mas com menos complexidade e, pela leveza, abria muito pouco. Não gostei e vendi logo, me desfazendo do china algum tempo depois. Sinto saudades deste.

Tive também um Zildjian A Medium Thin Crash 18″ que comprei do antigo baterista do Dorsal Atlântica, acreditem ou não. Vendi porque achei muito pesado e ele tinha um “ruído branco” muito pronunciado pro meu gosto e eu já não mais tocava música muito pesada, para a qual ele seria excelente. No Dorsal Atlântica, por exemplo.

Ainda tenho (mas não entrou na lista porque motivos) um condução Headliner 7K 20″ que comprei num outro sebo e que é uma anedota que merece ser contada. Enquanto visitava dito sebo, vi uma bolsa de pratos pendurada na parede (algo que precisava urgentemente). Perguntei o preço, achei razoável (bolsa simples, três zíperes, seria só para guardar o que não estivesse usando), paguei, peguei, achei mais pesado do que deveria mas me distraí com alguma outra coisa e fui embora. Em casa, quando abri a bolsa, encontrei dentro dela uma baqueta moída e o Headliner. Me espantei com a descoberta (não da baqueta, que foi diretamente para o lixo) e, virando o prato, entendi que não havia sido engano. O fundo do prato estava mais enferrujado que porta de fusca em cidade de praia e ele não tinha nenhum som que pudesse ser descrito como “agradável” ou sequer “audível” (possivelmente ele tenha servido de tampa para uma caixa d’água por alguns anos). A ferrugem era tão intensa que o prato mal vibrava. Ao invés de descartá-lo, resolvi pegar uma lixa e ver no que daria. Lixei até cansar, deixei o prato num canto, fui fazer outra coisa e esqueci dele. No outro dia, com a luz do sol, vi que tinha progredido bastante na tarefa e resolvi finalizá-la. Quando removi, na base da lixa de metal, toda a camada corroída, o prato não só brilhava como estante de propaganda como o som que vinha dele era incrivelmente melodioso e complexo. Daí em diante, virou meu prato de ensaio, visto que tem uma cúpula fenomenal e, por ser comparativamente leve (só 2,1kg), pode ser usado como ataque. Depois do Azuka, é meu prato mais versátil. Mas só o uso em ensaios.
O pedaço faltando (veja foto) não foi culpa minha. Emprestei o prato enquanto morei fora e, quando voltei, o emprestante me contou que o havia rachado enquanto andava de moto com o prato nas costas. Recortei ao redor da rachadura, fiz umas palhetas com o material retirado e corri, digamos assim, para o abraço.

Finalizando o que consigo tirar pela memória, tive um ataque Zildjian Edge de 16″. Comprei no mesmo sebo do china 14″ e, sinceramente, não sei o que tinha na cabeça. Provavelmente eu ainda não sabia muito bem o que esperar de um prato ou vi um Zildjian de uma série desconhecida e comprei só pelo preço. Não consigo lembrar também o que fiz dele (aqui uma foto de ensaio, onde ele e um chimbal de latão podem ser vistos e nesta outra juntamente com o Headliner e o Sabian 18″), mas certamente o vendi para algum iniciante.

E agora, para solucionar um mistério que assombra bateristas há décadas:

TADA!

TADA!

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[1] Exceto este Sabian AA Rock Ride 21″. Que é uma potência!
[2] Não estamos. Calma.

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Ano passado em coloquei aqui para a audição e apreciação geral meu estudo de escala e quebra de paradigmas chamado Forró Bizantino. Hoje, vasculhando um arquivo num DVD de backup, achei uma versão que não sabia que existia.
Exatamente em primeiro de julho de 2005 (o nome do arquivo de música é a data – 01-07-05.mp3, mania que, acho, todos deveriam adotar) eu gravei essa versão com um toque percussivo caribenho que falta na primeira (clique aqui para ouvir e comparar com a versão oficial).

Não estou com meu diário de estúdio comigo (por algum motivo ele só existe em cópia física, caneta em papel) então não posso dizer o que estava fazendo naquele dia. Mas é seguro supor que eu deveria estar meio entediado, com acesso ao estúdio e sofrendo de complexo de complexidade desnecessária.

Sempre lembrando que tudo aí está sendo tocado por mim, apesar dessa sensação de banda ao vivo ensaiando (o que me ajuda na suposição de que eu estava entediado e apenas gravando trilha em cima de trilha sem me preocupar muito com estruturas). Pela atmosfera, acredito que tenha deixado todos os microfones abertos enquanto gravava coisa por coisa, daí tanto vazamento (que contribui para soar “ao vivo”).

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Achei também outras gravações mais caseiras, da época em que eu musicava com cavaquinho o que meus amigos escreviam no IRC. Mas nenhuma censura livre o suficiente para colocar aqui. Talvez no UÔLEO v.2.1 – sem censura, quem sabe.

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Quando estudante de gravação, no longínquo ano de 2005, um dos meus primeiros projetos foi registrar um anacrônico estudo de escala no campo da composição. Conhecida mais comumente por escala “harmônica dupla”, eu descobri alguns anos antes um nome muito mais legal, mesmo que menos usado: escala bizantina.

Autores didáticos costumam dizer (acho que é uma lei que os obriga, deve ser) que essa escala “soa estranha/exótica aos ouvidos ocidentais”. Eu diria que o modo mixolídio com sua sétima diminuída também se encaixaria naquela definição, mas isso nunca impediu Luiz Gonzaga de fazer sucesso com Asa Branca.
Daí me veio a ideia de tentar compor um forró usando aquela escala que “soa exótica”, tanto como um desafio composicional quanto para banalizar um pouco essa “estranheza” que simplesmente não deveria existir (sou contra restrições artísticas que partem de cima para baixo).

Por outro lado, mesmo tendo crescido ouvindo Xote, Xaxado, Arrasta-pé[1], Baião e Forró tradicional, nunca fui de criar monotematicamente algo que pudesse ser mais complexo e “esquisito”. Isso, combinado com um ar de quase improviso (compus, gravei e mixei tudo já dentro do estúdio, sozinho, nas quatro horas que tinha disponível e no meu primeiro semestre de curso, tanto que nem tenho as notas de produção) e acesso somente a guitarra, baixo e bateria, fiz mais um forróck do que qualquer outra coisa, mas usando somente a tão “exótica” escala bizantina.
Acho que fui bem sucedido. Só acho, nunca tive certeza (jamais revisitei a música, então essa aí embaixo é a primeira versão, única e definitiva).

Comente. Diga o que achou.

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[1] Nos bailes das primeiras décadas do século 20, conhecidos geralmente por rala-bucho, bate-coxa ou forrobodó (adivinha o que uma corruptela deste último termo passou a denominar?), os participantes dançavam no chão de terra batida, literalmente arrastando os pés normativamente calçados com chinelas de solado de couro ou madeira, criando um onomatopéico som de “xaxando” que servia como um instrumento extra, acompanhando o fole (sanfona ou acordeão, também chamado de “gaita” por algum motivo) ou o pandeiro. Eu recomendo fortemente que todos vocês mergulhem fundo na história cultural nordestina, dos Cristãos Novos ao gibão de couro, do alaúde árabe dos “turcos” vendedores de tecido aos “gaitêros” vendedores de cavaco-chinês. Para vocês quatrocentões, o Nordeste pré-televisão é tão alienígena quanto a Terra-Média de Tolkien.

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Ideogramusic

Não sei se essa forma de expressão/homenagem tem um nome associado, mas eu vou batizar agora de ideogramusic porque, por que não?

Arte gráfica em música. E você aí achando que sabia das coisas.

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Em 1994 eu fui à Disneylândia. Ainda era novo demais para aproveitar tudo que poderia ter aproveitado (apesar de ser o único não-guia que sabia se comunicar com os nativos, em boa parte por causa das minhas muitas horas jogando The Fate of Atlantis e The Case of the Serrated Scalpel com um dicionário no colo). Não me arrependo mas deveria ter esperado mais dois anos para isso, porque ao invés de um boné de Jurassic Park e um boneco do Charlotte Hornets eu teria comprado CDs, tanto de música quanto de jogos para PC.

Eu desconfio que seja um sinesteta de média ordem, pois meus sentidos confundem fluxo temporal com propriocepção e eventos com aromas. 1995 para mim, portanto, acontece nas cabeças dos meus dedos e tem cheiro de capa de CD novo.
Em 1995 eu já tinha uma base muito sólida para a minha “formação” musical, desde de ouvir os LPs de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro que meu pai rodava todos os sábados de manhã e ouvir escondido os CDs (ainda analógicos até o processo de reprodução, acreditem ou não) de Iron Maiden e Led Zeppelin que minha irmã tinha (que desconfio tenham sido presentes, já que ela não é muito desse tipo de música).
Porém, em 1995 eu descobri que ela também tinha Mother’s Milk e Blood Sugar Sex Magik do Red Hot Chili Peppers e Ten, do Pearl Jam, todos lançados alguns anos antes.
Por causa da minha péssima memória autobiográfica, eu não sei dizer em qual momento exatamente meu mundo (que até então era sitiado por “esse é o forró Mastruz com Leitchiummm” de um lado, “eu só quéééro é ser feliiiz” e Robocop Gay do outro) virou do avesso, mas quando ouvi que existia distorção, baixo e bateria em músicas bem feitas, parafraseando uma famosa passagem, e viu Igor que era bom. Meu mundo estava, finalmente, virado do lado certo.

Em seguida, descobri que poderia comprar CDs e ouvir na tranquilidade privada do meu quarto (antes disso, precisava ouvir na privada intranquila do 3-em-1 que ficava no banheiro), pois eu acabara de receber de presente um DRIVE DE CD-ROM! Que, junto com uma placa de fax/modem, era tudo o que a rapaziada marota da época queria, crianças. Perguntem ao seu avô sobre como conversar apenas por texto era suficiente e como jogar Indy 500 direto dum disquete de 3 1/4″ era um salto tecnológico reservado apenas aos mais afortunados.

Abaixo, alguns álbuns (completos, viva o Youtube!) que revolucionaram meu pequeno cérebro em desenvolvimento, dois anos antes de eu possuir um instrumento musical de verdade:

Todos os acima foram por mim comprados embalados e estão permanentemente marcados na minha (peço antecipadamente desculpas pelo termo que usarei em seguida) “memória muscular”. Ainda lembro do brilho do OHM, da sensação que sentia ao ouvir IOHWIR e do cheiro do JLP. Lembro também que nessa época foi a primeira vez que entendi e passei a usar siglas no lugar de nomes completos de músicas/artistas.

Enquanto essa revolução acontecia no meu cerebelo e nas minhas terminações nervosas (e no meu desenvolvimento motor fino, pois eu achei duas baquetas lá em casa e ficava acompanhando Chad Smith nos travesseiros), o universo computacional passava de um disquete de Lemmings com “música” 8-bit sendo reproduzida no infame pc speaker a um semi-3D Descent num CD em computadores que, finalmente, aceitavam HDs e usavam todos os recursos do kit multimídia que vinha de brinde com o drive de CD-ROM e tocava música de verdade (com instrumentos) e usava vozes reais.
Os gabinetes, no entanto, ainda tinham um botão de turbo e uma chave para trancar o teclado. E mouses, finalmente, se tornaram úteis de verdade.

Fomos de Maniac Mansion a Day of the Tentacle…

… passando por Full Throttle (que é a capa do meu perfil no Twitter) e seu senso de desenho animado…

… ao estranhamente-similar-a-Wolfenstein-3D Descent (ainda um excelente jogo, ambos)…

… até chegarmos ao não-intencionalmente cômico pseudorrealismo de Cyberia.

E, o melhor, todos os jogos acima vinham de brinde no supracitado kit.

Apesar de eu nunca ter sofrido do problema mental daqueles que só conseguem ouvir música se estiverem entendendo a letra (eu tenho o problema oposto; geralmente eu não entendo o que está sendo cantado, seja em que língua for), preciso dizer que Os Raimundos foram muito bem vindos ao meu repertório colegial abastecido a excesso de testosterona (e abstenção a drogas de toda sorte – bebi pela primeira vez aos 25) que era contido momentaneamente por The Doors, Janis Joplin, Pixies e, novamente, Led Zeppelin.

Sério, por mais que seja uma questão fumófita, ramo querido da herbocinética, as letras d’Os Raimundos são divertidas até mesmo para um adolescente que não fuma maconha.
Iron Maiden não. Sempre achei ruim e ouvia no tempo em que não tinha outra opção. Minha irmã também tinha um CD com o melhor de Rush bolando, algo que só comecei a apreciar recentemente (ouvindo uma versão deles da versão do The Who para uma música rockabilly de Eddie Cochran, acreditem ou não).

Dez anos depois, já na Austrália, aprendi os méritos de músicas que parecem ser apenas dez minutos de introdução e outras que soam mais como álbuns completos do que como as faixas isoladas que são.
Mas isso fica para outro momento em que meu blog estiver parado há meses.

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Revendo meus arquivos, não cri quando notei a falta de Mofino e Lastimoso, grande sucesso de outrora com letra totalmente inspirado em Caluda, Tamborins, de Mario Lago, e de teor reminiscente a acontecimentos do sodalício.

Apreciem.

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Pergunta: o que dá o cruzamento de uma versão em 1995 de uma música de 1973, um engenheiro especialista em edição/baterista estudante de polirritmos com duas horas para gastar, samples variados e um programa de edição de áudio?

Resposta: a faixa bônus do Quivering Blue Funk, meu primeiro álbum (ainda a ser lançado oficialmente no Brasil).

E aí, melhor ou pior do que qualquer representante da enxurrada desse “ritmo” novo que surgiu no segundo semestre deste ano?
Se não gostarem, eu chamo de “arte”, aí ninguém pode mais reclamar. Ou então faço um vídeo com alguma dança contemporânea e mato dois clichês com a mesma pedra.

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