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Posts Tagged ‘Bebida’

Cozinha ogra

Com o excelente título “Arrogância gastronômica causa a volta da comida sem frescura“, a Folha.com traz uma reportagem com André Barcinski sobre a marmotagem que algumas pessoas alcançaram ao falar de comida.

Hoje em dia, cada um tem sua temperatura ideal de água para café ou seu tempo perfeito para deixar o vinho respirar. E eu tenho a mais pura, absoluta e metálica das certezas de que nenhum deles passaria num teste cego entre um Kopi Luwak e um Café Pilão bem passados numa meia limpa.

Já disseram que eu não tenho paladar, tenho apetite. E talvez isso me tenha feito gostar tanto do que André chama de “cozinha ogra”.

Na matéria ele dá oito características (abaixo, em itálico) que fazem de um restaurante um lugar agradável para aqueles que querem preencher o vazio do bucho e não o do espaço social com a cola de bossalidade.

No entanto, eu obviamente achei que poderia contribuir para a discussão adicionando alguns complementos meus (em colchetes):

1 – Não pode ter nome começando por “Chez” ou terminando por “Bistrô”
[A não ser que se chame Chez Bistrô. Aí pode.]

2 – A comida precisa ocupar ao menos 85% da área total do prato (com preferência para iguarias com um taxa de ocupação de mais de 100% dos pratos, como bifes que caem pelas bordas dos pratos)
[E o prato precisa ter pelo menos vinte e cinco centímetro de diâmetro. O da sobremesa pode ser menor, mas sempre maior que quinze centímetros. Hummmm, catorze metros quadrados de comida…]

3 – Não pode ter “chef” e sim “cozinheiro”. Não pode ter “menu”, e sim “cardápio”
[Continua aceitável a denominação “chefe” para o cozinheiro, como na frase “Chefe, esse bife tá meio verde, resolve aí, valá!” e quanto ao “menu” eu nem digo nada, mas se chamar de “carta”, eu levanto e vou embora. Vim comer, não vim mandar felicitações para um parente distante…]

4 – Algumas palavras estão terminantemente proibidas nos cardápios: “nouvelle”, “brûlée”, “pupunha”, “espuma”, “lâmina”, “lascas” e “contemporânea”
[Eu até aceito “contemporânea”, mas só como sinônimo de “dentro do prazo de validade”. Eu não entendo francês, “lâmina” é apenas outro nome para “espuma” e minha mãe já me ensinou que se a comida espumar é porque está podre e “lasca” tem um sentido bem mais rico aqui em Natal. É bom evitar usar na mesma frase que “comida”. Pupunha eu não sei o que diabo é, não vou comentar.]

5 – Os garçons não podem ser modelos, manequins ou atores, com preferência para velhos e feios
[Podem ser modelos sim. Modelos de presteza, atenção e silêncio.]

6 – Os garçons precisam passar no teste da colherzinha, que consiste em servir arroz com uma só mão, juntando duas colheres, sem derramar um grão sequer
[Sempre quis fazer isso, nunca consegui. Garçons = melhores que eu.]

7 – Não pode ficar dentro de shopping center
[Nem perto de um, que esses são os que pegam o transbordo da petulância e prepotência das pessoas que se acham melhores que todo mundo e podem se dar ao luxo de chegar tarde num restaurante. Aí não pegam mesa e vão para um nos arredores e passam a tarde inteira reclamando de como não foram bem atendidos no comedouro da moda mesmo sendo quem são. O que me deixa com vontade de me intrometer na conversa alheia e dizer: “Não, não, engano seu… você não foi bem tratada lá exatamente por ser quem você é. Sua bruxa.”]

8 – O teste final: se o garçom, ao ser perguntado “o que é ‘El Bulli’?”, responder qualquer coisa que não seja “é onde eu sirvo o café”, o restaurante está sumariamente eliminado
[“El Bulli”? É uma música de Gretchen?]

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Mais um blogue

Já estreei há um tempinho, mas estava esperando onze pessoas o acharem espontâneamente (obrigado, Google) para poder divulgar.
Hoje atingi a cota, então lá vai: Onde comer (e beber) em Natal.

Informações sobre comida e bebida, bares, restaurantes e afins para quem mora em Natal.

Se você não mora mas quer vir visitar, um guia de onde ser bem tratado e comer bem.

Para quem jamais virá aqui (pois é, existe gente assim), leia pelas estórias, causos e receitas eventuais (pensei em escrever um negócio sério, mas simplesmente não consigo).

Tem de tudo para todos os gostos.

O endereço é http://comerebeber.wordpress.com/

Divirtam-se!

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Fim-de-semana.
Eu não escrevo nos fins-de-semana, mas tem gente que vem aqui dar uma lidinha no que eu disse durante a semana.
Para tais indivíduos, eu faço compilações (é nessa hora que vocês se sentem apreciados e ruborizam por eu lhes dar atenção)!

Sem mais delongas (fora essa última frase, esta aqui e a próxima), vamos aos links.

Começando pelo começo, a antologia completa desse arrumado:
Primeira tentativa – ressaca, lápis, terremoto e fotos;
Segundo round – música, polêmica, luz e coincidências;
Terceiro reich – mosquitos, formigas, sabão e atração;
Quarto movimento – nomes, vidência, jogatina e alucinações;
Quinto colocado – sonar, álcool, relógios e trens.

Agora, os “novos”:

O peso (e as medidas) das coisas;

Decapodes ajudando a produzir o próprio habitat (fez sentido na minha cabeça…);

Divulgação nem sempre é uma coisa boa (ou pelo menos nem sempre é bem feita);

Como fazer uma professora de primário tremer (sem precisar sacudir mecanicamente);

Água suja, desmatamento, colonização, idiotas e seus filmes (é sobre o meio-ambiente não, podem ler sem abuso);

Da umidade da legislação (e da aferição de medidores);

E por enquanto é isso aí mesmo…
Posso escrever muito não e já me alcancei.
Acho que outro apanhado destes só ano que vem.

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Mantenho este blogue há três meses e meio e isto aqui é a centésima entrada.
Prolixo, eu?

Eu não deveria estar escrevendo, mas eu não me contenho.
Deu vontade de escrever (foi quando notei que já tinha 99 artigos publicados e este seria um número duplamente redondo, mas eu não ligo para números famosos) porque comecei a ler várias coisas agora pela manhã sobre a Lei Seca.
A primeira coisa que me veio à mente sobre isso (e pensei nisso hoje pela primeira vez) foi “Lei Seca é um termo um tanto exagerado, nénão?”
De certa forma, isso sempre existiu, sempre foi proibido beber e dirigir (até onde eu lembro), apenas diminuiram o limite. Que não é zero.
Nem pode ser.
Os instrumentos de medição vêm com um certo grau de erro (problemas de calibração) que, se o limite fosse zero, as autoridades poderiam prender o vento por se locomover embriagado.
Comer um chocolate de rum (meu favorito, ainda mais pelo fato de ser sempre o que sobra dentro da caixa já que nenhuma outra pessoa que conheço gosta do bicho) ou um bombom de licor não vai lhe jogar atrás das grades, através das quais o sol aparenta nascer listrado (quando eu era pequeno eu fiz um passeio pela Fortaleza dos Reis Magos (uma fortificação militar do século 17 (não gosto de números romanos) localizada na minha cidade, na esquina do mar com o rio Potengi, ponto estratégico de entrada em Natal), onde me foi mostrada uma cela, cuja única fonte de iluminação e entrada de ar (fora a porta, obviamente), é um buraco atunelado na parede inacreditavelmente grossa (tijolo de oito furos uma ova, lá é tudo PEDRA), por onde, logo cedo, em certos dias, se der sorte, um detido poderia ver o sol nascer. Quadrado), nem vão tomar sua carteira de motorista por causa disso.
Existe sim um limite acima de zero, se não pela bondade da polícia e dos legisladores, mas pela ciência de que os instrumentos não são perfeitos e que pessoas ainda usam antisséticos bucais com álcool.

Eu queria explicar como o bafômetro funciona, mas precisaria pesquisar, interpretar, desenvolver, colocar links, citar fontes, etc, etc, etc e não estou afim de escrever muito hoje…

Sério.

O problema maior é a falta de policiamento e fiscalização.
Aqui existe uma blitz permanente na Via Costeira mas, no dia de um show grande por aquelas bandas na semana retrasada, eu fui na hora em que todo mundo estava indo e voltei na hora em que todo mundo estava voltando e o posto policial ali estava fechado.
Semana passada fui e voltei para uma praia semiurbana em condições semelhantes de tráfego e movimento e encontrei a mesma falta de policiais.

Por mais seca que a lei seja, precisamos de quem a imponha.

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Vou começar a colocar links pras coisas antigas e mais interessantes (quem escolhe se é interessante ou não sou eu, mas quase tudo aqui foi escrito por mim de todo jeito), para ninguém ter que ir lendo um por um (apesar de eu achar que devem).

Este é um dos mais antigos e nem é sobre ciência, mas eu quero que todo mundo do mundo leia a estória. E depois leiam isto. É sobre um ladrãozinho metido a besta que ronda por aqui.

A cura rápida e certeira para suas ressacas (eu não vendo nada por aqui, mas ao vivo podemos conversar).

Escreva (e depois apague). Tudo sobre lápis(s)

A matemática é nossa amiga (ou, como a falta de preparo para uma entrevista pode render uma boa malhada). Terremotos e escalas.

Uma homenagem aos nossos irmãos de cor (ou um poema apaixonado, fica a seu critério).

Fotos ótimas (sensações melhores ainda). 18 anos de Telescópio Espacial Hubble.

Placebo (não a banda). Por que são usados?

Entenda como os cachorros vêem (e porque podemos dizer isso com certeza). A visão canina explicada.

O céu é azul (mas só às vezes).

Veja agora como perder peso e se manter saudável! (novamente, não vendo nada por aqui…). A dieta certa para você.

Para os que ainda não sabem, cada linha sublinhada dessas aí em cima é clicável, com uma ligação que leva para outra página, com o artigo indicado.

Não desistam de mim.
Até a próxima!
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…tanto quanto a melhor cura para dor de cabeça é lascar a testa numa parede chapiscada.

Eu nunca tive ressaca (ou veisalgia), mas quase todo mundo que eu conheço e que bebe já experimentou a sensação; de dor de cabeça, cansaço, secura bucal e mal-estar generalizado até ansiedade, insônia, desarranjo intestinal, tremedeira e náusea.

O álcool, quando consumido, faz com que a glândula pituitária (no cérebro) iniba a produção de um hormônio antidiurético (vasopressina), causando a fraca reabsorção de água pelos rins, que a mandam direto para a bexiga, desidratando o sujeito (uma bebida com teor alcoólico de 15%, como o vinho, causa a perda de uma vez e meia da quantidade de líquido consumido. 100ml de vinho = 150ml de água excretada).
A impressão de boca seca é um sinal de que seu corpo está muito desidratado e precisa de água urgentemente.
A dor de cabeça é causada pelos órgãos do corpo que, ao tentar se repletar, roubam água do cérebro, fazendo-o encolher e repuxar as membranas que o ligam ao crânio. Cérebro encolhendo. Que divertido.

A urinação excessiva também elimina sais e potássio (necessários para o bom funcionamento dos músculos e nervos) e as reservas de glicogênio (uma fonte básica de energia) do fígado, causando fraqueza, falta de coordenação motora e, às vezes, tremedeira.

As bebidas escuras, como vinho, uísque e tequila, são piores pois contém mais toxinas congêneres (impurezas provenientes do processo de fermentação mas necessárias para dar gosto às beveragens) que bebidas claras, como vodka, gim e cachaça. Mas isso é só um fator que ajuda na potência da ressaca.

Através de um processo bioquímico, que não será descrito aqui (quero deixar simples, para uma pessoa ressacada ler e entender), o consumo exagerado do etanol acarreta a depleção de uma enzima no fígado, que absorveria o impacto em condições normais (de pouca bebedeira). Mulheres têm menos dessa substância e por isso a delas acaba mais rápido, piorando a ressaca e aumentando o tempo de recuperação.

Mulheres, não acompanhem os homens na carraspana!

Depois de uma noite (ou dia, tanto faz) de ebriedade, o beberrão não vai dormir bem (por mais desmaiado que esteja) pois o álcool inibe também a produção de glutamina, um estimulante natural produzido pelo nosso organismo, que após o término do consumo tenta tirar o atraso, aumentando demasiadamente a produção do aminoácido, estimulando o encéfalo, não o deixando chegar ao estágio de sono profundo, necessário para o descanso cerebral e físico.

O álcool promove (finalmente um efeito positivo, sem repressão) a secreção de ácido clorídrico no estômago, eventualmente mandando uma mensagem ao cérebro de que está sendo machucado, e fazendo a pessoa vomitar. Isso pode melhorar a ressaca do outro dia, pois é menos etanol com o qual o corpo terá que lidar.

Agora, uma lista das coisas que NÃO FUNCIONAM contra ressaca.

Beber mais: isso é tão mais pior que qualquer outra coisa que merece até um pleonasmo. Bebida foi a causa do tormento em primeiro lugar, continuar o pileque é o mesmo que martelar os outros dedos para curar uma topada. Os efeitos da veisalgia podem parecer que estão diminuindo, mas é porque o indivíduo está se embriagando e se anestesiando. Mas depois o coice da mula é pior.

Café: estimulante, bom para combater temporariamente a fadiga, mas piorando-a quando o efeito passa; vasoconstritor, tem efeito contrário ao do álcool, que faz os vasos incharem, causando cefaléia, mas também diurético, eliminando ainda mais água, fazendo os miolos encolherem mais. Sabe quando um maracujá engilha e os caroços ficam soltos dentro da fruta? Pronto…

Aspirinas: C U I D A D O ! Se tiver paracetamol ou cafeína na composição, CORRA! Foi demonstrado (eu queria muito saber por quem, mas não consigo achar o link. Posso estar errado aqui) que paracetamol, ou acetaminofeno (tente dizer isso bem rápido três vezes) piora a sensação do resultado da rasca (“porre” só não tem mais sinônimos que “dinheiro”. Que língua maravilhosa!) e podem irritar mais ainda o estômago.

Finalmente (eu só tomara que ninguém se confunda), uma lista das curas e métodos preventivos.

Bananas: bom para reabastecer o potássio e o líquido (banana são 75% água, apesar de Beakman dizer que era 90%) perdidos e para aplacar a dor de barriga e liquefação fecal (foi mal, mas existem termos piores) por conter fibras. Kiwis e bebidas esportivas (eletrolíticas) também repõem potássio.

Sucos: as frutas contêm frutose, um açúcar que auxilia o aumento de energia no corpo, e vitaminas e nutrientes essenciais que podem ter sido perdidos durante e depois a cachaçada. Futuramente eu dissertarei melhor sobre isso, mas complexos vitamínicos não fazem bem, algumas podem até fazer mal. Nós evoluímos para consumir vitaminas dentro do contexto onde elas ocorrem naturalmente.

Ovos: contêm cisteína, um aminoácido que quebra acetaldeído (formado no fígado, naquele processo que eu não quis explicar mais acima), ajudando a aliviar a aflição.

Estômago fornido: comida protege as paredes do estômago e ajuda na absorção do etanol, prevenindo contra a mazela do dia posterior.

Água: o segundo melhor remédio. Beba água rodado, como se não houvesse amanhã ou, caso haja, seja um amanhã seco e sem água. Beba MUITA água. Quando achou que tomou demais e o estômago já está fazendo barulho de pote, beba mais água.

Tempo: o melhor remédio. O tempo não só tudo cura e como ainda dá experiência. Conheço várias pessoas que jamais beberão Rum com Coca novamente.

Aprecie, beba com moderação. E se tiver morrendo, por favor, não me ligue. Provavelmente eu já estou dormindo e eu trabalho cedo…

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