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Archive for julho \29\UTC 2014

Seja por causa da falsa nostalgia criada pelos desenhos importados que assistimos quando crianças, seja porque realmente provamos daquela maçaroca que teima em residir permanentemente no céu da boca, como uma espécie de anjo bucal, manteiga de amendoim é uma daquelas coisas das quais, aparentemente, todo mundo gosta.
Existe, no entanto, uma dificuldade em se encontrar o produto nas prateleiras dos supermercados brasileiros, visto que não comemos sanduíches de manteiga de amendoim com geleia pois nossa carga horária colegial não engloba a hora do almoço nem temos detenção na cantina por termos sido pegos pelo inspetor de corredor guardando objetos inapropriados nos nossos armários logo após saimos do vestiários depois do treino de basquete onde discutimos com a líder de torcida por ela ter dado mole para o zagueiro.
Paçoca, por outro lado…[1]

Aos que buscam em vão o elusivo vidro de manteiga de amendoim, tenho boas notícias: amendoim in natura é facilmente encontrado em qualquer supermercado e a manteiga é facílima de produzir em casa, com ingredientes e aparelhos que você provavelmente já possui.
Como este texto é para ensinar a fazer biscoitos de manteiga de castanha, sua sorte não está muito boa, no entanto.

Vamos à receita:
Obviamente, se você não encontra a internacionalmente famosa manteiga de amendoim também não encontrará sua prima pobre, feita da castanha do caju. Mas, sinto que sua sorte está mudando, porque vou ensinar como se faz manteiga de castanha bem gostosa de comer.
– Você vai precisar de 300 gramas de castanha (eu usei o que chamam de “castanha caipira” mas recomendo usar daquela bonitinha, tipo exportação), uma pitada de sal, 30ml de mel ou glicose de milho ou xarope simples (pode ser açúcar, mas ajuda ser molhado) e 80ml de óleo.
– Passe a castanha num processador (acho que no liquidificador vai levar bem mais tempo, não testei) até obter quase uma farinha; adicione o sal, o óleo e o líquido doce (morno, para facilitar o escorrimento).
– Continue processando até alcançar a textura desejada. A minha ficou crocante porque deu preguiça de perseguir maior cremosidade. Mas a vida é sua, não sou seu pai, você faz o que quiser.

Agora, para o bicoito (ou cookie) de castanha de caju (ou Cajookie®):
(Note que ele é sem glúten, sem gordura trans ou saturada, sem lactose e totalmente orgânico. Se, no entanto, você não pode comer ovo, eu só lamento, porque ovo é a melhor coisa.)

– Misture 250ml de manteiga de castanha (a receita acima rende um pouco mais que isso, então ainda sobra para você misturar com leite de coco e usar como molho de peixe DE NADA!) com 250ml de açúcar (ou o equivalente no adoçante que já tiver saturado seus receptores mói de evitar o retrogosto – eu usei 125ml de sucralose) e um ovo grande.
Isso deve resultar em uma bola mole que descola da mão sem ficar dura. Se a massa tiver ficado muito molhada, seu biscoito vai escorrer na forma e ninguém quer ver isso. Então coloque uma colher de amido de milho (maisena, minha gente. Amido de milho é maisena, sem pânico).
Se ficar dura demais, me ligue para eu consolar você, já que sua vida tem sido tão difícil ultimamente.

cajookie-ingredientes

Como minha colher de sorvete é graduada eu não preciso tentar medir a manteiga numa xícara nem ficar tentando raspar o que inevitavelmente ficaria pregado nos cantos de um copo-medida. É feio, mas é limpinho.
Deixe o forno esquentar até alcançar os 180°C (você tem um termômetro de forno, né?) enquanto prepara as bolinhas, usando um boleador, uma colher-medida ou, caso você tenha sido criado por lobos selvagens, as mãos.

cajookie-bolinhas

Coloque as bolinhas numa forma untada ou com proteção antiaderente apropriada, dê uma leve imprensada com um garfo para formatar os biscoitos (é mais fácil assim do que tentar transferir discos pré-fabricados, acredite) e deixe no forno por dez minutos, girando a forma uma vez se seu forno não for confiável (e provavelmente ele não é, daí a necessidade do termômetro).

cajookie-forma

Minha massa ficou muito preta por causa da caipirice das castanhas, mas se você usar a variedade mais clara (como eu recomendei) você irá notar as beiradas mudando de cor depois de dez minutos de forno. O cheiro também é um bom indicativo de que eles estão quase prontos.
Você precisa agora deixá-los esfriar. Pode ser num prato, se você for um sobrevivente da guerra franco-prussiana. Caso contrário, se atualize e tenha uma grade de resfriamento em casa.

cajookie

Lembre-se: o mais importante é se divertir na cozinha. E, desde que você não desvie das minhas instruções nem me desagrade, você irá se divertir. Isto é uma ordem!

———

[1] A maioria de vocês chama de paçoca aquilo que é pouco mais que uma manteiga de amendoim esfarelenta, quando na verdade a palavra “paçoca” é de origem indígena e designa “ato de socar carne seca com farinha”. Aí você mistura com feijão verde e cebolinha, joga manteiga da terra por cima e seu sábado está completo.

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