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Archive for abril \24\UTC 2013

Em 1994 eu fui à Disneylândia. Ainda era novo demais para aproveitar tudo que poderia ter aproveitado (apesar de ser o único não-guia que sabia se comunicar com os nativos, em boa parte por causa das minhas muitas horas jogando The Fate of Atlantis e The Case of the Serrated Scalpel com um dicionário no colo). Não me arrependo mas deveria ter esperado mais dois anos para isso, porque ao invés de um boné de Jurassic Park e um boneco do Charlotte Hornets eu teria comprado CDs, tanto de música quanto de jogos para PC.

Eu desconfio que seja um sinesteta de média ordem, pois meus sentidos confundem fluxo temporal com propriocepção e eventos com aromas. 1995 para mim, portanto, acontece nas cabeças dos meus dedos e tem cheiro de capa de CD novo.
Em 1995 eu já tinha uma base muito sólida para a minha “formação” musical, desde de ouvir os LPs de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro que meu pai rodava todos os sábados de manhã e ouvir escondido os CDs (ainda analógicos até o processo de reprodução, acreditem ou não) de Iron Maiden e Led Zeppelin que minha irmã tinha (que desconfio tenham sido presentes, já que ela não é muito desse tipo de música).
Porém, em 1995 eu descobri que ela também tinha Mother’s Milk e Blood Sugar Sex Magik do Red Hot Chili Peppers e Ten, do Pearl Jam, todos lançados alguns anos antes.
Por causa da minha péssima memória autobiográfica, eu não sei dizer em qual momento exatamente meu mundo (que até então era sitiado por “esse é o forró Mastruz com Leitchiummm” de um lado, “eu só quéééro é ser feliiiz” e Robocop Gay do outro) virou do avesso, mas quando ouvi que existia distorção, baixo e bateria em músicas bem feitas, parafraseando uma famosa passagem, e viu Igor que era bom. Meu mundo estava, finalmente, virado do lado certo.

Em seguida, descobri que poderia comprar CDs e ouvir na tranquilidade privada do meu quarto (antes disso, precisava ouvir na privada intranquila do 3-em-1 que ficava no banheiro), pois eu acabara de receber de presente um DRIVE DE CD-ROM! Que, junto com uma placa de fax/modem, era tudo o que a rapaziada marota da época queria, crianças. Perguntem ao seu avô sobre como conversar apenas por texto era suficiente e como jogar Indy 500 direto dum disquete de 3 1/4″ era um salto tecnológico reservado apenas aos mais afortunados.

Abaixo, alguns álbuns (completos, viva o Youtube!) que revolucionaram meu pequeno cérebro em desenvolvimento, dois anos antes de eu possuir um instrumento musical de verdade:

Todos os acima foram por mim comprados embalados e estão permanentemente marcados na minha (peço antecipadamente desculpas pelo termo que usarei em seguida) “memória muscular”. Ainda lembro do brilho do OHM, da sensação que sentia ao ouvir IOHWIR e do cheiro do JLP. Lembro também que nessa época foi a primeira vez que entendi e passei a usar siglas no lugar de nomes completos de músicas/artistas.

Enquanto essa revolução acontecia no meu cerebelo e nas minhas terminações nervosas (e no meu desenvolvimento motor fino, pois eu achei duas baquetas lá em casa e ficava acompanhando Chad Smith nos travesseiros), o universo computacional passava de um disquete de Lemmings com “música” 8-bit sendo reproduzida no infame pc speaker a um semi-3D Descent num CD em computadores que, finalmente, aceitavam HDs e usavam todos os recursos do kit multimídia que vinha de brinde com o drive de CD-ROM e tocava música de verdade (com instrumentos) e usava vozes reais.
Os gabinetes, no entanto, ainda tinham um botão de turbo e uma chave para trancar o teclado. E mouses, finalmente, se tornaram úteis de verdade.

Fomos de Maniac Mansion a Day of the Tentacle…

… passando por Full Throttle (que é a capa do meu perfil no Twitter) e seu senso de desenho animado…

… ao estranhamente-similar-a-Wolfenstein-3D Descent (ainda um excelente jogo, ambos)…

… até chegarmos ao não-intencionalmente cômico pseudorrealismo de Cyberia.

E, o melhor, todos os jogos acima vinham de brinde no supracitado kit.

Apesar de eu nunca ter sofrido do problema mental daqueles que só conseguem ouvir música se estiverem entendendo a letra (eu tenho o problema oposto; geralmente eu não entendo o que está sendo cantado, seja em que língua for), preciso dizer que Os Raimundos foram muito bem vindos ao meu repertório colegial abastecido a excesso de testosterona (e abstenção a drogas de toda sorte – bebi pela primeira vez aos 25) que era contido momentaneamente por The Doors, Janis Joplin, Pixies e, novamente, Led Zeppelin.

Sério, por mais que seja uma questão fumófita, ramo querido da herbocinética, as letras d’Os Raimundos são divertidas até mesmo para um adolescente que não fuma maconha.
Iron Maiden não. Sempre achei ruim e ouvia no tempo em que não tinha outra opção. Minha irmã também tinha um CD com o melhor de Rush bolando, algo que só comecei a apreciar recentemente (ouvindo uma versão deles da versão do The Who para uma música rockabilly de Eddie Cochran, acreditem ou não).

Dez anos depois, já na Austrália, aprendi os méritos de músicas que parecem ser apenas dez minutos de introdução e outras que soam mais como álbuns completos do que como as faixas isoladas que são.
Mas isso fica para outro momento em que meu blog estiver parado há meses.

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Este post faz parte de uma trilogia. Leia também a resenha do filme de monstro Super 8 e da pornochanchada Giselle.

Eu não sei quantos rumos errados você tomou na sua vida que ainda não assistiu a Schizopolis, de Steven Soderbergh. Ou, como disse tão eloquentemente o sargento de artilharia Hartman em Nascido Para Matar: “WHAT IS YOUR MAJOR MALFUNCTION, NUMBNUTS!?” (“qualé tua principal avaria, bola murcha”, em tradução livre).
O filme retrata a pouca realidade de um escritorário que é seguida pela estória de um incompreendido (-sível) guru e depois por mais algumas coisas. E aviso desde já; preparem-se para interagir com a quarta parede.

A melhor forma de resenhar o filme é fornecer os três vídeos abaixo.
Primeiro, o trailer:

Em seguida, o trailler do igualmente essencial La Montaña Sagrada, do franco-chileno Alexandro Jodorowsky:

E, finalmente, uma representação expressionista do conjunto de emoções trazidas à tona pela película em questão:

Não é um daqueles filmes em que expressões idiomática dominam e são essenciais para o entendimento e aproveitamento da trama. Você não precisa saber inglês para desfrutar de toda a magnitude da obra.
Aliás, é até bom que você não saiba. Existem outras tantas línguas inseridas, inclusive algumas criadas na hora.

Não vá assistir a Schizopolis achando que você sabe o que sabe. Você não sabe.

Eu só vou dar esta breve declaração, em nome de ARHADL: 
A disseminação dessas descrições equivocadas e ofensivas já dura décadas, e nos encontramos mais uma vez tendo que fazer uma declaração pública. Cavalos de corrida não urinam com mais frequência, ou por mais tempo, do que cavalos comuns – ou ainda, mais que qualquer outro mamífero do tamanho similar. 
Essa campanha publicamente sancionada de calúnias deve parar.

Finalizando, uma das frases mais célebres da história do cinema e que se tornou símbolo-vivo do filme: “Eu tenho uma fé tão forte em maionese,

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