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Archive for novembro \25\UTC 2012

Leiam primeiro neste link sobre os dois pesos e as duas medidas que são correntes nesta cidade, onde manda na lei quem tem mais dinheiro.

Agora (nem deveria estar escrevendo isto mas é uma necessidade pois é a única forma de “registrar a ocorrência” para um possível processo), apresento aqui mais uma lição mostrando como o Colégio Maristella, instituição de freiras (possivelmente isenta de impostos, apesar das mensalidades cobradas dos alunos), desconhece o conceito de respeito ao próximo.

No dia 22 de novembro, a partir de muito cedo da manhã, no ginásio, as freiras/professoras do colégio estavam julgando uma “competição” entre os alunos onde ganharia o grupo que “cantasse melhor”. No entanto, o conceito de melhor das religiosas é o mesmo que o de “mais alto”, tendo em vista que as crianças eram incentivadas não a cantar Noite Feliz, mas a gritar as palavras, ganhando aquele grupo que fizesse mais barulho.
Isso ocorreu durante todo o dia, até o fim do turno da tarde.

No dia seguinte, 23/11, por volta das 15 horas, o sistema de som do ginásio foi novamente ligado para testes de volume que duraram aproximadamente duas horas e meia, em aquecimento timpânico para uma “missa de encerramento das atividades escolares” que começou pouco antes das 18 horas.

O vídeo abaixo mostra um pouco do volume que estava adentrando meu lar.

Na página da SEMURB (Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo), encontram-se informações quanto à Lei Municipal 4.100/92 que, em seu Artigo 85, reza (grifos meus):

É expressamente proibido no território do Município:
I – o uso de alto-falante ou congêneres em publicidade comercial, industrial ou de
serviços;
II – o uso de alto-falantes ou congêneres para a difusão de mensagens religiosas
ou políticas fora dos prédios das igrejas ou partidos políticos, observadas quanto aos
segundos as normas de direito eleitoral;
III – o uso de rádios, toca-fitas, aparelhos de disco a laser ou congêneres em
veículos de transporte público.
IV – o uso de rádio, toca-fitas, aparelhos de disco laser ou congêneres na calçada
ou entrada das lojas comerciais, de modo a incomodar ou transeuntes.

Já cansado de ouvir a patética tentativa de doutrinação infantil, pai-nossos, ave-marias e músicas natalinas direcionadas à criação de nostalgia de baby boomers, procuro o telefone da secretaria (porque o telefone geral da prefeitura, o 156, há meses deixou de existir). Ao tentar ligar para a SEMURB para pedir providências quanto ao barulho (amparado pela lei antecitada) vejo que o número 3232-9186 que consta na página do link anterior (clique aqui para ver uma captura de tela do dia 23/11/12) deixou de existir, provavelmente porque a bandida ex-prefeita da minha cidade, visando economizar dinheiro do município para cobrir os rombos de suas contas pessoais, parou de pagar as contas dos telefones da prefeitura, deixando todas as secretarias incomunicáveis.
Mas sei que minha atitude era inútil de toda forma, pois a SEMURB só funciona das 8 às 17.

Não tendo outra alternativa, já que a polícia daqui diz não ser responsável por esse tipo de coisa (eu, ingênuo, querendo a polícia para impor a lei, que disparate!), e já sabendo que seria outra atitude inútil, ligo para o colégio. Ouçam abaixo a gravação (onde, ao fundo, dá para ouvir a intromissão onipresente do sistema de som da missa).

Abaixo, a transcrição de um pedaço relevante e revelador da conversa:

Eu: Essa missa que está sendo rezada é aí no ginásio de vocês?
Porteiro: É sim, é a festa de encerramento do infantil.
Eu: Me diga uma coisa… precisa esse volume alto desse jeito? Porque está incomodando muito aqui.
Porteiro: Não sei informar porque é lá atrás, você está ligando para a portaria.
Eu: E como eu faço para ligar lá para trás?
Porteiro: Aí só vai pessoalmente.
Eu: Quer dizer que para reclamar do barulho eu preciso ir aí pessoalmente?
Porteiro: É, você tem que falar com o pessoal da direção que tá todo lá.
Eu: Ah, então a direção está toda lá nessa missa.
Porteiro: Exato.

Como eu não tenho número de protocolo de atendimento na SEMURB, pois o telefone não existe; como eu não tenho depoimento de fiscal da prefeitura, pois os funcionários só trabalham até às 17 e o barulho ocorreu às 18h; como eu não posso nem fazer um B.O., visto que não é função da polícia norte-riograndense impor a lei, sempre me mandando ligar para a SEMURB; como a diretoria não existe durante o fato, estando ela toda incomunicável durante o evento que me incomoda, eu não tenho prova alguma do ocorrido.
Por isso me valho do pseudodocumento acima (e minha indignação em tempo real via Twitter) para uma futura ação na justiça. Mas não sei se isso será suficiente, já que não estou grávido nem quero processar um carrinho de picolé, mas um colégio católico.

P.S. Achei um tuíte de agosto deste ano onde relembro o acontecimento de um trio elétrico às sete e meia da manhã de um domingo, na minha rua (LINK), quando, mais uma vez, o atendente do 190 diz que a polícia não pode fazer coisa alguma.

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A festa eurocêntrica da celebração invernal pagã que suplica à Natureza a volta das flores e das frutas está chegando. E, com ela, mais uma enxurrada de demonstrações de intolerância daqueles que se dizem iluminados e detentores de todas as verdades universais mas que não admitem que um ser humano externo a eles, uma terceira pessoa independente e aleatória, não compartilhe da sua Verdade e que, por isso, devem ser completamente imorais e irregrados e, consequentemente, merecem morrer e sofrer bastante, tanto durante quanto depois do processo.[1]

Mais uma vez iremos ouvir o tão popular “ateu deveria trabalhar no Natal” das mesmas pessoas que fazem questão de folgar no dia de Tiradentes, que não vêem problema algum em descansar na Proclamação da República e que fazem questão de enforcar o máximo de dias possíveis ao redor do Carnaval (cujo feriado é na Terça-Feira Hedonística e não na mais famosa e religiosamente relevante Quarta-Feira de Cinzas).

O Natal para um ateu é completamente desprovido de significado. Mas o mesmo é verdade para os religiosos. Eles não a consideram uma data espiritualmente sagrada; apenas uma oportunidade para “devoção conspícua” [2]. Se fosse realmente considerada sagrada, a ação correta seria passá-la em contrição, em contemplação, em meditação. Não em assando peru, bebendo espumante e trocando quinquilharias.
Natal é tão sem significado para os religiosos quanto o Dia da Independência o é para os ateus, sendo que estes não mentem a respeito nem fingem amar incondicionalmente a hegemonia da Nação e muito menos fazem disto uma bandeira para oprimir as minorias colonialistas com cretinas frases de bolso do tipo “se você é realmente imperialista, sua vida num país soberano deve ser muito sem sentido. Por que você não se mata?”.

O Natal é uma farsa tão óbvia que até os mais devotos incentivam o suborno de crianças com presentes, tentando flagrantemente induzir o condicionamento entre a data e a sensação agradável de recompensa por um esforço nulo. Senão, qual o sentido em inventar um personagem onisciente, onipresente e onipotente que distribui presentes somente para aqueles que se comportam segundo regras arbitrárias e usar isso para poluir as mentes infantis pouco desenvolvidas e facilmente enganáveis das crianças? Qual o possível benefício de criar uma cópia lúdica de Javé, cuja veracidade será desmascarada alguns poucos anos depois, além do fato daquele ser uma espécie de matéria introdutória, um “vá se acostumando”? Se Yahweh é uma Verdade tão evidente, por que criar um dublê infantil? Por que não apresentar já o próprio?

Eu acho que essas pessoas já notaram que a piscina está fria mas não conseguem admitir e continuam chamando outros para dentro dizendo “a água está ótima, bem bentinha quentinha.
Se fosse realmente uma Verdade, nada seria necessário senão sua própria existência. O fato de que precisamos colorir as casas, iluminar as beiradas das paredes, aumentar o consumo de aves geneticamente modificadas e de pães com açúcar colorido, explorar a inocência das crianças com manipulações ideológicas da existência de um filantropo gordo e barbudo (preparação mental para a futura doutrinação da existência do outro barbudo invisível não tão filantropo), e comprar presentes mostra toda a fragilidade dessa suposta Verdade que precisa de um circo vermelho e verde anual para se manter vivo.

Um ou outro até vai a uma missa ou culto, até desperdiça algumas horas nessas reuniões sociais e um número ainda menor realmente respeita seu significado original (que não é exatamente original, a data foi claramente escolhida para coincidir com celebrações já existentes), mas a grande maioria, aquela que vomita que “ateu deveria trabalhar no Natal”, está mais preocupado em ir ao shopping comprar presentes o mais tarde possível para ser visto pelo maior número de pessoas, em encher a casa de tiras luminosas, em erguer na sala de visitas o símbolo pagão de fertilidade (a árvore que permanece verde no inverno), em organizar amigos-secretos e, depois de tudo findado, reclamar dos presentes que ganhou que nem se comparam com aqueles que foram dados “de coração”, “com a melhor das intenções”, que apesar de comprados de última hora e retirados de uma pilha de refugo de outros clientes certamente “combinam perfeitamente” com o presenteado, numa coincidência cósmica maior que a própria existência de um galego alto e musculoso de olhos azuis no oriente médio em plena idade do ferro nascido de uma virgem inseminada por procuração por um ser insubstancial.

O feriado do Natal é pouco mais que um “dia de todos”, em contrapartida ao dia das mães ou dia dos pais, com a diferença de cair num dia de semana cinco sétimos das vezes. O comércio adora! Seja ele o armazém que vende panetone, o armarinho que vende fita colorida e brilhosa, o magazine que vende a cueca que inevitavelmente não vai caber no destinatário, o supermercado que vende chocolate em forma de Papai Noel ou a igreja/templo que vende indulgências em forma de ofertas/dízimo dos mais medrosos que acham que uma contribuição mais gorda naquele período eliminará uns pecados a mais.

Portanto, enquanto os shoppings estiverem mais cheios no dia 24 do que as igrejas no dia 25 não venham me dizer que Natal é um evento religioso.[3] E, menos ainda, que a já oprimida e odiada raça dos ateus não tem o direito de aproveitar a data.

Enfim, ateus não comemoram o Natal. Eles comemoram, bem como os religiosos falastrões, o feriado e a oportunidade de passar uma noite agradável com pessoas queridas ao redor de uma fartura sazonal.
Quem achar ruim que vá calejar os joelhos pedindo uma chuva de fogo nas nossas cabeças.

———
[1] É notório que as mais insidiosas demonstrações de ódio e ameaças de violência são daqueles em defesa do bom nome das religiões que pregam a paz.

[2] A melhor forma de entender o conceito de “devoção (ou religiosidade) conspícua” é ler o capítulo 6 do livro de Mateus (sim, na bíblia) e praticar o diametralmente oposto. Seus praticantes não estão interessados em recompensas eternas, só em publicidade pessoal.

[3] A não ser que a sua religião seja o Grande Comércio Quadrangular da Promoção Universal.

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Sinto que desperdicei uma oportunidade.

      ALL HAIL SATAN!
               (\___/)     (
               \ (- -)     )\ *
               c\   >'    ( #
                 )-_/      '
          _______| |__    ,|//
         # ___ `  ~   )  ( /
         \,|  | . ' .) \ /#
        _( /  )   , / \ / |
         //  ;;,,;,;   \,/
          _,#;,;;,;,
         /,i;;;,,;#,;
        ((  %;;,;,;;,;
         ))  ;#;,;%;;,,
       _//    ;,;; ,#;,
      /_)     #,;  //
             //    \|_
             \|_    |#\
              |#\    -"  666
               -" O DEMÔNIO É O TEU PASTOR E TUA ALMA ELE LEVARÁ!

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