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Archive for abril \26\UTC 2012

Só faltou o antigo (e fisicamente impossível) "não ocupa espaço".

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Antes de continuar aqui, por favor leiam o seguinte texto, publicado na Carta Potiguar (é curtinho e abre em outra janela): Show de Chico Buarque, empresas e privilégios

Leu? Pois bem.
Alguns natalenses estão reclamando que o show de não-necessidade-básica de um artista profissional mundial e multidecadalmente (isso é uma palavra?) famoso, numa casa de shows particular, situada em um shopping center também particular está custando mais do que eles podem pagar.

Eis que no zoológico Twitter começa uma aula de capitalismo básico. Só que ao contrário.

Ou, traduzindo, “cadê alguém para pagar o meu?”

Pronto, agora sim. Clareza é o melhor negócio, sempre.

Isso. Não deseja mal às suas amigas numa mídia a qual elas tenham acesso.

Ah. Eu pensei que talvez ela parasse de desejar o mal dos outros, mas agora ela apenas mudou de time. Sua posição em relação ao bem-estar do que ela considerado “inimigo” continua bem clara.
10 pela consistência, zero pelo humanismo.

Eu reclamo muito. Quem já leu mais de cinco linhas do que eu escrevo está agora pensando para si “SÉRIO!? UAU! CONTE OUTRA! ÁGUA É MOLHADA?”, mas eu gosto de pensar que sempre reclamo de algo justo, que pode ser melhorado. Alguns tipos de reclamação são tão vazios que nem eu, O Reclamão, entendo.
Por exemplo:

“Show” não é cultura, querida.

Oxe, quer cultura mas é contra a cultura? E se “os bacanas” vão de todo jeito, de que adianta o povão não ir?

Alternativamente, podem dizer que você deixou de ser lisa e de tentar comparar aro de óculos com a força nuclear fraca.

Eu não gosto de dizer que quem reclama é invejoso ou o faz de birra, mas tem horas em que é inevitável…
Essa pessoa está reclamando de um preço – segundo ela – mercenário e passa a agredir quem pode pagar. Me parece que ela está reclamando mais de quem vai do que de quem cobra. Que, neste caso, é o cantor.
Ou ela acha que Chico Buarque vem cantar em Natal por caridade?

Outro exemplo de falta de entendimento básico do sistema no qual se está inserido (nota: o tuíte a seguir foi enviado através de um BlackBerry).

Uma passagem de ônibus para Fortaleza custa R$69. Ida e volta, um lache + suco, já custa o preço do show aqui. Se precisasse escolher, escolheria não passar dezoito horas num ônibus para ver uma hora e meia de músicas que estão disponíveis a anos em coletâneas de Os 20 Sucessos De e similares.

https://twitter.com/#!/kadupessoa/status/192247536436781057
Novamente, aparatos oculares e forças fundamentais.

O que Madonna em São Paulo, se apresentando num estádio com 85 mil lugares (fora o gramado), tem a ver com as calças de Chico Buarque se apresentando num teatro com capacidade para pouco mais de miliquinhentas pessoas sentadas?

Outra. Essa aqui entende ainda menos de como as coisas funcionam.
Ou então apenas não sabe organizar bem as ideias antes de tuitá-las:

Eu. Eu não ficaria.

Certamente. A lotação do teatro é pequena. E teatro foi feito para o povo de natal que pode pagar. Tem uma diferença.
Aliás, até quem for de fora daqui, e tiver dinheiro suficiente, pode comprar ingresso. O teatro não foi feito “para o povo de Natal”. Foi feito para o patronato, qualquer que seja, que está disposto a assistir à função corrente.

“Se desfazendo” ou “desmerecendo”? Quero acreditar que ela apenas cometeu um erro cognitivo.
Parece que ela está com medo de que Chico Buarque leia o que ela está dizendo, fique com raiva e nunca mais queira falar com ela. Sem falar que “boa música” não é, digamos assim, exatamente um termo absoluto e incontestável. Especialmente neste caso, se referindo ao supra-citado.

Natal não é Recife, o estádio de Recife não é o teatro do shopping. MacCartney não é Buarque. Suportes para lentes corretivas não são decaimento radioativo. Falsa analogia em vários níveis.

Já pensou a tragédia quando qualquer artista morrer? Como ficarão os fãs de Elvis Presley quando ele morrer e ninguém mais no mundo tiver acesso a seus shows? Seria uma tristeza para mim deixar de ouvir Led Zeppelin e Luiz Gonzaga quando não mais tiver acesso a seus shows…

Que era o preço de um CD no fim da década de 90, quando muita gente comprava discos por causa de uma única música. Lembra? Fora que um show com vinte e cinco músicas não é nada mal. O ruim é ele começar a cantar uma e finalizar depois de um terço completa (o ingresso custa R$380).

“Nosso”? Flávio Rocha já aceita sócios? Tá, eu sei, estou forçando já. Mas lembrem-se que já estabelecemos acima que o teatro não é necessariamente “nosso” ou “deles”. É de quem possa pagar o ingresso.
Outro que parece não querer que Chico fique de mal dele. Aliás, como ele sabe que o cantor não está cobrando mais caro aqui que em qualquer outro lugar? Contratos assim costumam ser sigilosos. Não por alguma cláusula específica de não-divulgação de conteúdo, mas pelo simples fato de que não interessa a mais ninguém o preço que dois particulares acordam entre si.

Ou, por outro lado, pode apenas ser uma pessoa que vive do seu salário normal e não gasta descontroladamente com qualquer besteira como um animal sem funções cerebrais avançadas e, depois de economizar honestamente, pode se dar ao luxo de gastar quatrocentas pilas num agrado para si.
Não precisa ser rico, basta ter uma poupança ou miaeiro e o mínimo de senso de projeção.

Sr. Peão, o salário mínimo não serve para custear esse tipo de coisa. Note:

DECRETO-LEI N.º 5.452, DE 1º DE MAIO DE 1943

CAPÍTULO III
Art. 76 – Salário mínimo é a contraprestação mínima devida e paga diretamente pelo empregador a todo trabalhador, inclusive ao trabalhador rural, sem distinção de sexo, por dia normal de serviço, e capaz de satisfazer, em determinada época e região do País, as suas necessidades normais de alimentação, habitação, vestuário, higiene e transporte.
Art. 81 – O salário mínimo será determinado pela fórmula Sm = a + b + c + d + e, em que “a”, “b”, “c”, “d” e “e” representam, respectivamente, o valor das despesas diárias com alimentação, habitação, vestuário, higiene e transporte necessários à vida de um trabalhador adulto.

Viu que não tem “valor das despesas com o show de Chico Buarque no Teatro Riachuelo”? Nem sequer “despesas com shows” ou ainda menos “despesas com entretenimento de qualquer espécie”? Foi para isso que Javé inventou aquela caixa mágica de imagens dançantes que alguns chamam de televisão (o nome real é televisor, que diz respeito ao receptor, enquanto aquela é a denominação da transmissão, mas vamos voltar ao rumo).
Quem ganha salário mínimo não deve ir a shows de artistas mundialmente famosos em teatros caros. Ou, se quiser ir, tem que começar a economizar de agora.

Finalmente, meu último exemplo de total desconhecimento do sistema financeiro vigente (apesar de, segundo seu próprio perfil, ser empresária):

Como o dono de uma empresa pode “superfaturar” algo em sua própria empresa? #comôfas?
O preço cobrado é esse. No ingresso não vem dizendo “R$1,50 com direito a caipirinha”. É trezentos e tantos reais, todo mundo sabe, tem até escrito nos cartazes e, ao contrário de impostos, só paga quem quer. Como há superfaturamento?
Pode ser um valor alto, um preço caro, exorbitante, etc, mas nunca “superfaturado”.

Uai. Vai ver no Rio, então. Aliás, eu soube que lá é de graça! Aproveita!
Fora que, voltamos inevitavelmente ao começo do ciclo de falsas analogias.

Um outro (não achei o tuíte) chegou a chamar de “elitização da cultura”. Mas não é.
Esse episódio demonstra um outro fenômeno. A “democratização da burrice”.

Enquanto isso, o excelente show do Macaxeira Jazz com o soprador de flauta japonês Nakagawa custou o ultrajante valor de um Real. Isso sim é divertimento para quem ganha salário mínimo.

Finalizando, leiam este trecho do excelente texto de Ítalo Guedes, meu colega de Scienceblogs, sobre a recente “cultura” preferida:

Perguntado por que não canta mais, [Geraldo Vandré] é bem claro – porque não há espaço mais para uma arte de qualidade, há espaço e desejo de consumo de entretenimento, de “cultura” massificada e sem significado.

Novamente, o Macaxeira Jazz se apresentou com um convidado vindo do outro lado do mundo num espetáculo com som bom, ambiente agradável, cadeiras e banheiros, “cobrando” R$1,00.

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Meus colegas deveriam me agradecer por eu ser tão desagradável. Sério mesmo.[1]

O fato de eu ser tão odioso lhes poupa trabalho. Já pensou se eu me entroso e viro seu amigo? A quantidade extra de atenção que você precisaria me ceder, desviando de outras áreas mais antigas e, por isso, mais importantes da sua vida?
Cada pessoa só consegue manter um número máximo de amizades e, por trabalhar quarenta horas por semana comigo, você estaria socialmente obrigado a me considerar importante em sua vida e necessariamente precisaria me dispensar mais atenção do que eu sei que você está disposto a fazer.
Eu não quero freqüentar a sua casa suja e conhecer seus amigos alcoólatras. Não quero ser seu amigo mais do que quero ser seu colega. Por mim (e não depende somente de mim, acredite) eu nem seu colega seria. Eu detesto você e tudo que você representa.

"Rapaz, ontem eu tomei uma! Fazia quase seis horas que eu não bebia até cair, ainda bem que hoje já é terça-feira!"

Pior ainda se você for mulher. Já imaginou a encrenca que seria se eu fosse todo seu amiguinho e você, de repente, se iludisse achando que estava apaixonada por mim e o caos que isso causaria na sua vida?
Você me achando legal e entrosado, se enganando achando que eu estou “na sua” pelo simples fato de eu ser mais interessante que o resto da sua vida, o que, convenhamos, não é das coisas mais difíceis, tendo em vista que sua vida se resume a ir ao trabalho que você detesta, deixar e pegar seus filhos feios e burros num colégio que lhe rouba mas que é societariamente aceitável e fazer comida para o marido que você desdenha há anos. Uma vida tão vazia, sem propósito e sem sentido que faz com que você confunda um “como foi seu fim-de-semana?” com “o mundo não nos quer juntos, mas vamos nos libertar das amarras da sociedade porque nós nos amamos e dane-se quem achar ruim!” e que, facilmente, a faria interpretar minha infinita negligência aos seus avanços como um sinal positivo de que eu concordo com a sua distorcida visão de um “relacionamento secreto”.
Você não precisa desse estresse adicional, eu garanto. Fora que, como se meu intrínseco desprezo já não fosse suficiente, suas crias não deixaram de puxar a você. E não adianta você pintar o cabelo, usar um salto potencialmente letal e comprar uma roupa dois números menor. Todos sabem que você é velha, baixinha e gorda.
Eu odeio você, sua vidinha medíocre de casamento arranjado e seus macaquinhos paridos pela sua necessidade simiesca de mostrar ao resto do bando o quão fértil você é.

"Quero mandar esse pendrive pro email da minha tia mas não acho o botão que liga a Internet aqui com essa letra tão pequena!"

Se você é do tipo competitivo, você não precisa fingir ser meu chapa com o único intuito de me dissuadir de crescer, jogando um “amigo é pr’essas coisas” enquanto me aconselha a desistir de tentar aquela promoção. A mesma na qual seu olho está fixo.
Não gaste suas energias desenvolvendo planos mirabolantes para cultivar nossa pseudoamizade. Eu sei que você me odeia. E o sentimento é mútuo, ninguém precisa fingir o contrário (e, deixe-me quebrar o lacre do segredo: não sou só eu. Ninguém na empresa gosta de você).
Tome minha palavra como lei quando digo que não pretendo competir com escória por uma posição menos rebaixada e ilusoriamente mais importante mas que significa apenas mais trabalho e afobação por, talvez, uma esmola a mais que, sinceramente, eu não preciso. Não nutro nenhuma pretensão de criar ao meu redor uma casca de luxo que esconde um miolo vazio ou, senão, composto por futilidade e afetação. Como não devo nada a ninguém nem quero agradar a outrem, tenho perfeitas condições de viver confortavelmente com o que já recebo.
Prefiro cultivar admiração com o resplendor das minhas ideais e com o conteúdo do meu caráter, e não com o brilho da minha camionete e o conteúdo da minha carteira.

"Chefinho, você deixou cair isso aqui, mas eu vi antes de todo mundo e já pulei para pegar. Falando nisso, o senhor notou que minha gravata nova combina com a sua camisa?"

“Bom dia”, “boa tarde” e “bom fim de semana” é o máximo que você pode esperar de mim. Talvez eu responda a “que dia é hoje” ou “que horas são”, mas além disso, espere meu repúdio.
Se quiser realmente ser meu amigo, eu lamento, mas é tarde demais para você. Eu já ouvi você falando.

Portanto, da próxima vez que eu fizer contato visual com você, me agradeça por tornar sua vida mais simples.
Em seguida, me deixe em paz. Eu tenho mais o que fazer.

———
[1] Na verdade, a definição deles de “desagradável” é bem diferente da minha. Para eles, eu sou “desagradável” porque não canto Parabéns a Você, não rio de piada de Zorra Total, não discuto o Fantástico nem a novela nem o futebol e não participo de “amigo secreto” (não sou seu amigo nem me importo que todos saibam disso).

Para mim, desagradável é aquela pessoa que quer que eu desça ao nível de atraso de desenvolvimento mental dela discutindo futilidades, pontos de vista massificadamente retrógrados que não contribuem um angström para qualquer coisa importante e que insiste para que eu participe de “atividades de grupo”, como se eu fosse parte da matilha, cheirando os fundos uns dos outros.
Desagradável, para mim, é quem tenta me emburrecer e me bitolar.

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Se ele estiver cantando, é um novo recorde.

Um par de baquetas, um par de vassourinhas, e nada menos que três tipos de papel higiênico. Será que ele sofre de G.A.S.?

Ele é canhoto em cima e destro embaixo. Ainda bem que no ponto central ele não precisa escolher.

Nunca o ouvi tocando, mas arrisco dizer que ele tem uma levada consistente e viradas explosivas.

Deve estar tocando pagode.

Se ele treinar bastante, será que ele consegue criar um efeito Throne Thumper orgânico?

Fã de música eletrônica alemã, seu artista favorito é o Perry Staltic.

Na foto não aparece, mas tem um splash aí.

Será que ele estuda por aquele método baseado em peidadiddles, o Shitck Control?

Na bio dele tem “Baterista e percússionista”.

E que bufem os tambores!

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