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Archive for 27 de janeiro de 2010

Dia desses eu estava recapitulando minhas ideias sobre pessoas que são pesadas demais para permanecer em pé sem ajuda de maquinário pesado ou aparatos chumbados em superfícies de concreto e, mais uma vez, pensei: “Como uma pessoa se deixa ficar desse tamanho?”
Em que momento da vida o sujeito olha para baixo e percebe que não lembra mais quanto calça porque não apenas é incapaz de colocar os próprios sapatos como já há alguns anos sequer enxerga os próprios pés?

E a resposta me veio como um tijolo bem arremessado.
Ao desviar o olhar da TV, procurando, sobre a cama na qual eu estava sentado, pela minha caixa de suco de manga que eu tomava para acompanhar a pizza de quatro queijo e escarola que eu havia pedido pouco antes da meia-noite.

Numa tentativa de aliviar meu calor, eu usava a minha mão menos oleosa (no cardápio tem “escarola”, mas deveriam adicionar “com muito bacon”) para levantar minha protuberância adipoabdominal de modo que esta não mais recaísse sobre meu colo e o bolsão de quentura criado pelo contato pele-pele fosse aerado.
Como um litro de suco demora a esquentar, eu repousei o contêiner na pinça bucho-perna para tentar diminuir a sensação de queimação externa na parte anterior da minha cintura (digam o que quiser, mas “cintura” para mim ainda é o local por onde o cinto arrodeia) e para ter ambas as mãos livres. Pois uma pizza gigante não se come sozinha. O que é bom, porque eu não pretendia dividir minha pós-janta. Especialmente com ela mesma.

Eu acho que nem precisaria dizer, mas após tanto queijo, massa e óleo, nada melhor que um chocolatezinho de leve para rebater.
Eis que então me levanto para procurar as barrinhas de chocolate que havia escondido e, após uns vinte segundos de busca frenética (envolvendo basicamente, como que em trilhos pivotados bem azeitados, o deslizar da minha cabeça para ambos os lados), me encontro sem muito fôlego e com a testa bastante molhada com suor-de-esforço.

Me sento novamente e reflito: e se meu chocolate estivesse sobre minhas sandálias, eu o veria? Pior ainda; se o visse, o alcançaria?
Minha mente de engenheiro partiu então para o mundo das invenções mecânicas, onde os protagonistas são alavancas, polias, acionadores elétricos e botoeiras bem rotuladas.
Ao extrapolar (qualquer engenheiro que se preze precisa extrapolar mentalmente seu trabalho para mais e para menos pelo menos em duas ordens de magnitude, quase que como por instinto) tudo isso, percebi que meu apanhador de chocolates era apenas uma versão reduzida do aparato guindástico que, em pouco anos, eu precisaria usar para me manter em pé.
Desde que bem chumbado numa superfície de concreto.

No dia seguinte, eu comecei uma dieta.

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