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Archive for setembro \29\UTC 2009

Na minha época era mais fácil manter a privacidade familiar longe da vista de estranhos simplesmente mantendo os filhos em casa, na casa dos amiguinhos e com a boa e velha “não fale com estranhos”.

As mentes infantis de hoje saem de casa com muito mais força (apesar de seus corpos jamais se levantarem da cadeira) do que a geração anterior jamais conseguiria.
Quando tinha oito anos eu “sempre quis” ver o banheiro feminino por dentro mas nunca me deixavam.
Hoje em dia a Internet resolveu isso. Com uma diferença fundamental; ao mesmo tempo em que meu filho pode visitar banheiros ao redor do mundo, sua casa fica também aberta a qualquer visitante.

Crianças não sabem administrar informação.
Sempre deixam escapar um ponto de referência, um destino ou até mesmo um número de telefone.
Por mais grupal que seja um determinado encontro colegial no shopping, o painel onde estão as informações local/horário é público e todos os leitores são anônimos, pelo menos até o momento da reunião.

Já adolescente, o canal de IRC que eu frequentava era visitado intermitentemente por trinta e tantas pessoas, sendo pelo menos metade delas perenes. Em dias de pico, tínhamos até mais de quarenta pseudônimos ao mesmo tempo.
Nós organizávamos IRContros de vez em quando e era rotina nos encontrarmos em locais e horários fixos pré-estabelecidos, devidamente anunciados no tópico do canal. Nunca vi mais de vinte pessoas em qualquer desses encontros.

Os outros adolescentes que iam, se reuniam e faziam uma versão real da sala virtual de bate-papo. A confusão era exatamente a mesma, com a diferença que nada ficava registrado para a posteridade em formato escrito.
Mais de uma vez, aliás, quase todas as vezes que estávamos entretidos com nossas próprias conversas, notávamos um flash disparar e sempre supomos que fosse a segurança do shopping, se prevenindo contra aquela potencial turba de hormônios cobertos de tecido preto.
Hoje, enquanto pensava nisso já sem tanta inocência, creio que há uma alternativa um tanto quanto mais… patológica.
O shopping que nos recebia sempre teve câmeras de vigilância e seguranças fardados perfeitamente visíveis e bem distribuídos pelos corredores. Por que empregariam um fotógrafo a paisana para registrar estaticamente nossas ações que, certamente, já estavam sendo gravadas em vídeo com movimento, cores e em tempo real?

URGH!

Mas, pelo menos já éramos crescidinhos e sabíamos (mesmo que minimamente) nos defender de velhos tarados.
Mas e se fossemos crianças? Eu já vi inúmeras delas em outro estabelecimento comercial condominial que certamente marcaram de se encontrar lá em horário específico.
Talvez ao vivo, no colégio, mas muito provavelmente via Orkut, Facebook, Twitter ou outra rede social da moda. Todos eles abertos aos olhos de desconhecidos com os quais não se deve falar ou de quem não se deve aceitar carona.

Como eu disse anteriormente, não existe mais privacidade. Só nos resta agora divisar um plano de contenção de danos.

Antes era só não deixar o filho sair. Hoje temos que retirar seus privilégios eletrônicos.

E isso é impossível.

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Cara de foto

Existem pessoas que sempre aparecem iguais em fotos porque usam uma “cara de foto”.

Obama é uma dessas pessoas:

(via Kentaro)

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Brasil, um país sem lei?

O Brasil não pode ser considerado um “país sem lei”, pois segue à risca a Lei de MurphyMoore, que lê:

Tudo que puder dar errado vai dar errado duplicando em intensidade a cada 18 meses.

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Procurando um totem?

Você está em Natal e precisa comprar um totem?

Ligue agora!

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Mundo devasso

Nós vivemos num mundo onde moral e bons costumes é apenas uma expressão ritmada sem sentido real, como sim-sim-salabim, lupuliplim-clapatopô, abracadabra, cosme e damião ou atirei o pau no gato.

Antigamente tudo era trancável.
A porta do meu guarda-roupa tinha uma fechadura, hoje tem um puxador triangular.
Meus disquetes de 5 1/4″ contendo jogos ficavam num porta-disquete com chave; hoje meus DVD’s ficam empilhados numa prateleira aberta, independente do conteúdo.
Até meu computador tinha uma fechadura!
E bem antes disso existia um brinquedo de encaixar que usava chaves num molho.

Naquela época, em que loja de eletrônicos ainda se chamava Laboratório de Revelação, existia um contrato implícito entre cliente e técnico de revelação: um pagava pelo privilégio de ter suas fotos profissionalmente manipuladas pelo outro enquanto este se comprometia a manter as fotos daquele confidenciais. O sistema funcionava e todos ficavam felizes.

Em algum momento nos últimos dez ou quinze anos esse selo sagrado de confiança foi rompido. E nossa vida pacata, senera, segura e privada foi tirada de nós por nossas câmeras modernas, inclusão digital e Web 2.0: todos tiram fotos com seus celulares e as espalham pelas inúmeras redes sociais que existem.
Não existe mais a intercessão profissional que mantinha a fronteira do permitido/proibido bem demarcada.

Antes a segurança era fortalecida desde a primeira etapa: “pelo menos mais uma pessoa vai ver o conteúdo deste filme; devo me comportar”.
Do mesmo jeito que a melhor forma de guardar um segredo é não compartilhá-lo, a melhor maneira de não se expor publicamente ao ridículo é evitar fazer ridicularidades.

Mas hoje a primeira linha de defesa caiu. Por causa disso, ninguém sente mais a vergonha imposta pelo sistema e todos acabam caindo na armadilha da falsa privacidade: “meu celular, minhas fotos”.
Nós vivemos num mundo onde não existem mais chaves, reais e simbólicas, onde tudo é aberto e nada mais é confidencial.

Não existe mais privacidade, só devassidão.

Traduzido sem permissão. Clique para o original.

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Em tempos difíceis, só expandindo.

Clicando na foto ela cresce

Clicando na foto ela cresce

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Você está preparado?

Você está preparado?

Movido pelo sucesso da trilogia apocalíptica que publiquei no 42. (1ª parte, 2ª parte e 3ª parte) e também porque sempre quis fazer isso mesmo, iniciei um outro blogue com uma proposta bem diferente dos outros; ficção.

Mais especificamente, ficção apocalíptica em forma de blogue.

Sem mais delongas, Agora o mundo acaba!

p.s. Para quem tiver um leitor de RSS, recomendo que usem este link.

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