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Archive for maio \31\UTC 2008

Dengue só vai se acabar quando o Aedes aegypti for extinto e se o vírus não achar outro hospedeiro.

Não gosto de ser o arauto do terror nem o núncio do pânico, mas desde que o mosquito consiga pôr ovos, locais propícios faltarão jamais.

Por mais que se furem todas as latas, se virem todas as garrafas, se troque toda a água de jarro por terra e se queimem todos os pneus em rodovias federais durante protestos criminosos e indecentes, não vai parar de chover (pelo menos não aqui em Natal, pelo menos não no futuro próximo) e água não vai deixar de empoçar (ô palavrinha feia…).

Aqui, nós temos o segundo maior parque urbano do país (o maior natural, não-reflorestado) mais milhares de árvores espalhadas pelos canteiros e casas urbanas e de praia. Cada uma dessas árvores tem milhares e milhares de folhas que, pela falta de estações bem definidas a essa pouca distância do equador, estão o tempo todo sendo repostas, o que significa o descarte das velhas em favor das novas (“não vou mais com meias velhas, só vou com meias novas”). Cada uma dessas folhas mortas é um potencial receptáculo de água da chuva (que, através de impacto mecânico, derruba ainda mais folhas), se tornando também um berçário para os ovos dos mosquitos (se for verdade que tampinhas de garrafa também podem ser).

Os ovos são postos acima d’água e podem sobreviver na secura por mais de um ano, em condições favoráveis (umidade, temperatura, falta de perturbações, etc). Quando a chuva (ou qualquer água, tanto faz, basta ser mais ou menos limpa) cai e o nível do líquido sobe, o ovo cai na água e choca (eu li que isso pode acontecer em meia hora) e se desenvolve, em mais ou menos uma semana, num mosquito adulto que pode viver até trinta dias.

Eu não sei quantas vezes a fêmea põe, mas (ainda não sabendo com certeza) li que elas podem colocar até 200 ovos duma vez e que para produzir uma fornada elas precisam se alimentar até três vezes e que cada refeição do nosso sangue (o diabo do bicho é antropofágico, só gosta de sangue humano) leva de dois a sete dias para ser digerido.

Se a digestão durar em média cinco dias e a fêmea se alimentar duas vezes para gerar os ovos, são seiscentos ovos por mosquito(a).

Nem todos esses seiscentos vão chocar, alguns vão chocar na época errada, alguns vão ser comido por lagartixas, alguns nasceram machos (só as fêmeas se alimentam de sangue para ter energia suficiente para produzir ovos, fora esse tempo, tanto elas quanto eles se alimentam de seiva e néctar, como as borboletas), alguns vão nascer mal formados, outros não vão encontrar as condições ideais. Aliás, por falar nisso, as condições ideais para o desenvolvimento das larvas se dão num local com alta umidade e temperatura entre 25 e 30 graus Celsius. Conhecem algum lugar assim?

Voltando para o assunto “poças d’água”, quem aqui já subiu no telhado da própria casa (ou conhece alguém que o fez) para fazer o rodízio das telhas? Uma telha é uma tigela que não desenvolveu a tecnologia da borda contínua. Mas basta um empecilho (um mói de poeira ou terra ou folhas caídas) para tapar o escorrego e transforma-la num prato. Que fica escondido por duas outras telhas viradas para baixo.

Qual é o órgão da Prefeitura que vai passando de buraco em buraco (porque Natal está LOUCA de buracos, mais buraco que boneca de Vodu) das nossas ruas jogando água sanitária? Porque um buraco forrado com asfalto junta água bem que só. E junta muita.

Carros Fumacê (hoje tem muita palavra feia aqui…) são úteis porque matam os mosquitos. Mas não matam os ovos nem as larvas. E matam apenas na hora, já que a fumaça se dissipa muito rápido (não consegui achar um dado confiável, mas fumaça é fluida, que tende a se espalhar muito rápido, afinando e se diluindo, perdendo a eficácia) e toda hora tem mosquito nascendo. Para ser eficiente MESMO, a fumaça teria que jorrar vinte e quatros horas por dia, por trinta dias, o que não seria muito bom para a nossa saúde.

Esta semana eu fiz uma observação interessante. Eu trabalho num prédio que fica entre duas ruas de mão única, uma indo, outra vindo. O bico da bomba de aerossol dos carros Fumacê é fixo e aponta para o lado do passageiro (talvez para zelar pela saúde do motorista que, desse jeito, não fica exposto ao produto o tempo todo). Ou seja, quando está subindo a avenida, a fumaça está indo para os prédios aqui em frente. Quando está voltando pela rua de trás, novamente o bico aponta para o outro lado. Se a via for mão-única, os prédios do lado esquerdo jamais serão encobertos pela névoa de querosene e veneno.

Os mosquitos atacam em ambos os lusco-fuscos e são guiados pelo cheiro do gás carbônico que exalamos pela nossa respiração e através da nossa pele e pelo ácido lático produzido em nossos músculos (existem outros odores também, mas esses dois são os principais).
Depois da picada, o tempo de incubação do vírus varia entre quarenta e oito horas até quinze dias, quando ficamos doentes (mas nem toda picada transmite o vírus e às vezes são necessárias várias incidências).
Os sintomas principais são: dores nos músculos e nas juntas, manchas vermelhas pelo corpo e moleza. Mas um só não quer dizer nada, todos têm que estar presentes. Só dor nas juntas pode ser Gota, manchas na pele pode ser Chanha e moleza pode ser preguiça. Se os três sintomas estiverem presentes, corram (mas corram devagar) para o médico ou posto de saúde, bebam água como se não houvesse amanhã e DESCANSEM. Dengue não tem cura, quem faz o sujeito melhorar é seu próprio sistema imunológico que precisa de energia para detonar os invasores. Não desperdice.

E façam um acompanhamento, pois a sociedade precisa saber por onde o infectado andava ao ser picado, quanto tempo durou o quadro e a intensidade daquele modelo do vírus.

Novamente, água e cama. Muito de cada. Porque a Dengue jamais vai acabar…

Muito pouco em comum com o artigo de hoje, mas eu podia deixar essa frase passar batida não:

“Não há vida no ser que não tenha capacidade de mover-se por si mesmo. Embriões não são portadores de vida atual. Eles não têm direito e não guardam sequer expectativa desse direito (à vida)”
Cezar Peluso, Ministro do Supremo Tribunal Federal, sobre a Lei de Biossegurança-

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É meia-noite e treze, acabo de chegar em casa.
No caminho de volta, começou a chover.
Forte!

Hoje seria noite de coleta de lixo. Seria porque debaixo de um pé d’água desses, talvez o segundo mais forte do ano (será que vamos amanhecer com alguma rua inteira?), os garis, corretamente, não se aventuraram nas corredeiras desta cidade-ladeira.
Eu sei que é dia de coleta não por ter que colocar o lixo para fora, quem faz isso é o zelador do meu edifício, mas pela quantidade de sacos preto que vi boiando na ressaca pluvial de agora há pouco.
Já parou de chover, água só caiu por uns quinze minutos, mas foi mais que o suficiente para a minha querida cidade virar um riacho caudaloso salpicado de imundície encapsulada flutuante.

Será que as partes baixas do município amanhecerão cobertas por toneladas de sacos pretos de lixo?

Talvez não,  já que esse mesmo lixo deve estar, agora mesmo enquanto escrevo isso, tapando todos os bueiros e escorredores de água, fazendo com quê a pressão aumente mais e mais, causando, finalmente, uma explosão aquática de sujeira residencial que espalhará detritos por todos os lados, segundo a lei do inverso do quadrado.

Sei mais nem do quê reclame…

sacos

rua

rua2

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Já notaram que lâmpadas incandescentes tendem a queimar mais freqüentemente ao serem acesas do que enquanto estão brilhando?
Estatisticamente isso não faz muito sentido, pois os bulbos tendem a ficar acesos por centenas de vezes mais tempo do que enquanto estão acendendo.
Então, deve haver algum outro mecanismo atuando para que isso aconteça, certo?

Não necessariamente. Só por eu ter começado com “já notaram”, eu estou induzindo vocês, seres sociais, cooperativos e evitadores de confrontos, a concordar comigo e estimulando suas memórias a recobrar só os eventos positivos e esquecer os negativos, como todas aquelas vezes quando a lâmpada queimou no meio do jantar. Mas, sério, alguém já presenciou isso? Eu lembro de nenhuma ocorrência do tipo. Só me recordo delas queimando ao serem ligadas.

Desta vez, existe sim o fenômeno e um conjunto de fatores que o propiciam. Não é apenas um truque psicológico, do tipo que videntes e astrólogos usam quando dizem coisas do tipo “você é uma pessoa forte e decisiva”. Ora, todos nós gostamos de nos ver maiores do que realmente somos, e gostamos de ter qualidades como Forte e Decisivo, por mais que não sejamos. O adivinho experiente, no entanto, completará a frase com “mas às vezes se sente frágil e gosta que lhe digam o que fazer”. Isso aí cobre 100% da população; os fortes, os fracos, os de decisão e os de cumprimento de ordem.

Mas, voltando para a explicação que quero dar.

Um filamento de lâmpada incandescente funciona da seguinte forma: corrente passa através dele, mas sofre muita resistência, o que faz o filamento esquentar (efeito análogo com o que ocorre quando esfregamos uma mão na outra e elas esquentam) até o ponto onde fica brilhante.
Um problema desse método é que o filamento frio tem menos resistência, logo conduz mais corrente. Se a corrente for muito alta, o fio se rompe em um ponto fraco.
Outro problema, é que sempre que a luz acende, elétrons super excitados (ui!) evaporam da superfície filamentosa. Saltam para fora aleatoriamente no começo, mas depois vão preferindo uns locais (chamados “nós”) a outros, fazendo o material perder massa em certas regiões, criando pontos fracos.
E além disso tudo, quando a corrente passa pelo filamento, que geralmente é helicoidal (em forma de mola), cria-se um pequeno campo eletromagnético temporário (depois que fica quente demais, o campo morre, tadinho) que efetivamente mexe o fio, empurrando e puxando até atingir equilíbrio. Mas isso é bem de pouquinho, não é o suficiente para desatarrachar a lâmpada do soquete, tranqüilize-se.
Então, temos a criação de nós frágeis quando está quente, a passagem de corrente excessiva quando está frio e um puxa-encolhe quando está ligando. Se isso não torar o sujeito na emenda, eu sei mais de nada!

Finalmente, como não é possível falar em lâmpadas sem falar n’Os Originais do Samba:

“As mariposa, quando chega o frio, fica dando volta em volta da lâmpida pra se esquentar.
Elas roda, roda, roda e dispois se senta em cima dos prato da lâmpida pra descansar.”

O resto da letra não carece, minha fama já é ruim o suficiente…

P.S. Mariposas, como outros insetos voadores de hábitos noturnos, se utilizam da luz da lua e das estrelas para achar o caminho de volta à toca. Como essas coisas estão muito longe dos bichos, o ângulo entre eles e a luz muda muito pouco, quase nada. Quando eles se deparam com uma fonte de luz mais forte que a desses marcos celestes, o sistema de navegação deles sofre interferência e eles tentam corrigir esse ângulo, chegando cada vez mais perto da fonte luminosa. O que quase sempre acaba em choro…

Só mais uma para acabar. Vou nem botar P.S.2, que parece marca de videogame.

Lâmpadas incandescentes são boas para manter coxinhas e queijadas quentes dentro de vitrines de padarias, pois são muito pouco eficientes e geram quantidades absurdas de calor e muito pouca luz, proporcionalmente.
Lâmpadas flourescentes antigas (das grandes) usam reatores que também esquentam muito, mas menos que as incandescentes, se tornando um pouco mais eficientes.
Já as novas lâmpadas econômicas (ou eletrônicas) usam reatores menores, que geram bem menos calor e consomem bem menos energia para produzir muito mais luz.
Mas boas mesmo são as lâmpadas de LED. Só são CARAS.

Pronto, acabei.

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Falácias

Não, o nome da barreira de rocha ou terra à beira-mar é “falésia”.
Falácia é uma afirmação intencionalmente falsa ou errônea.

Quando alguém diz “você está errado porque você disse X”, quando na verdade você disse Y (seja distorcendo suas palavras ou colocando um significado diferente do pretendido, transformando sua posição em uma mais fácil de ser refutada), esse alguém está cometendo uma falácia.

Se um sujeito cria uma situação que, falsamente, só admite duas conclusões (“ou você faz X, ou faz Y”, onde X e Y são apenas duas de muitas alternativas), ele está cometendo uma falácia. Por exemplo: “ou você fica comigo ou o mundo se acaba”. As duas coisas podem acontecer ao mesmo tempo ou nenhuma das duas pode acontecer, ou uma terceira ou quarta coisa pode acontecer.

Chegam para você e dizem “isso tem que ser certo pois é muito antigo e praticado desde sempre”. Novamente, uma falácia. Se tudo o que fosse antigo fosse bom e certo, não teríamos antibióticos nem carros.

Generalização grosseira é o meu tipo favorito de falácia. É algo do tipo “Mao Tsé-Tung e Lênin eram ateus e mataram milhares de pessoas, logo, todos os ateus são truculentos e assassinos.”

Outra que eu dou o maior valor é confundir relação temporal com relação causal. Ou seja, X aconteceu antes de Y, logo Y foi causado por X.
Exemplo: espirrei e começou a chover, logo, meu espirro precipitou a chuva.
Falácia? Sim! Porque por mais forte que meu espirro seja e por mais que ele tenha realmente causado a precipitação, meu método de chegar à essa conclusão foi errado. Eu posso preparar uma xícara de café usando um bebê, uma piscina, uma espingarda e uma mãe chorosa. O café será concluido com precisão, mas o processo foi falacioso…

Eu sei que ler este blogue já é muita coisa para muita gente, mas quem tiver tempo e interesse, leia isso.

E, por favor, evitem dizer coisas do tipo “você pode nem falar!” ou “você já foi cabeludo e, portanto, não pode reclamar do meu cabelo ridículo”.
Não só posso, como tenho mais propriedade do que aqueles que nunca deixaram as melenas passar das orelhas.

Outra, começar uma frase com “é lógico!” nem sempre significa que a frase seja lógica.

Um P.S.zinho bem rápido.
No Dia do Físico eu esqueci de colocar o link para o blogue do idealizador da blogagem coletiva. Na verdade, eu achei que o link estava embutido no banner, mas me enganei. Foi mal Renan.

E, para Beth, que me pediu para escrever sobre homeopatia, primeiramente, obrigado pelas palavras carinhosas, segundamente, saiba que o artigo já está encaminhado. Aquele sobre Método Científico e este de agora foram a introdução. Preciso montar uma base antes para a entrada fazer sentido.

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Para os que já gastaram uma boa fatia do próprio tempo na internet, o título deste artigo tem um sentido além de dois-pontos-fecha-parêntese. Com a cabeça ligeiramente inclinada para a esquerda, esse dois sinais gráficos viram uma carinha sorridente com dois olhinhos amigáveis.
Da mesma forma, ; ) se torna uma carinha sorridente piscando um olho, : / é uma carinha contrariada (notem a boca torta), : * é uma carinha mandando um beijo (notem a boca em formato de biquinho) e : ( é uma carinha triste.
Desenvolvendo em cima do mesmo tema, podemos criar mais das tais carinhas, por exemplo:
1 – Mais bocas;
: ]
: D
: |

2 – Utilização de narizes;
: ¬)
: -]
: -D

3 – Cabelos;
@: -)
$: -)
Q: -D

4 – Efeitos especiais;
:~( lágrima
:D~ sorrindo e babando
]: -) chifres
=) olhos esticados

5 – E, com a ajuda de caracteres especiais, minha categoria favorita, carinhas sob medida;

§:•P cabelo arrumado e língua de fora

¶:•€ boné e bigode

§÷¬ß dentuço narigudo zarolho

#¦x] japonês feliz

§:•Ð palhaço

Finalmente, a minha carinha padrão;

=¦¤þ
(se vocês virem uma dessas, eu estive por perto)

Mas por que é tão fácil reconhecer essa ruma de riscos como rostos?

Lembram de prosopagnosia, a falta de habilidade em reconhecer rostos?

Pois bem, o resto de nós desenvolveu um mecanismo diametralmente oposto, onde vemos faces em quase tudo.
Na verdade, não só faces, mas qualquer coisa familiar (imagens e sons principalmente). A fiação do nosso cérebro evoluiu para achar padrões onde eles não existem, Ordem dentro do Caos.
Esse é o mesmo dispositivo que nos faz ver cachorros, gatos, velhos conversando, carros correndo e outros formatos conhecidos em nuvens, por exemplo.

O termo que descreve o fenômeno é Pareidolia (eu pronuncio “párei-dólia”, mas posso estar errado), um tipo de apofenia e é, oficialmente definido como “um tipo de ilusão, ou erro de percepção, envolvendo um estímulo vago ou obscuro sendo percebido como algo claro e distinto”.

O mesmo efeito pode explicar as aparições e avistamentos de fantasmas.
Basta uma sombra aparecer numa parede que nosso cérebro imediatamente vai tentar fazer sentido daquilo. É assim que o bichinho funciona, não se zangue com ele.
E, por causa da supersensibilidade da nossa visão periférica, é bem mais fácil “enxergar” essa aparições de rabo-de-olho que olhando diretamente. Não vemos formatos muito bem desse jeito, mas o cérebro dá um jeito bem ligeirinho nesse problema. Principalmente a noite, quando ele está cansado e mais suscetível a erros (estou escrevendo isso de noite, portanto mereço um desconto nos eventuais erros factuais que venha a cometer).

Sabe aquelas conversas de músicas da Xuxa e de Roberto Carlos contendo mensagens satânicas quando invertidas? Pareidolia! Nada mais que o cérebro tentando desesperadamente criar sentido a partir da loucura aleatória que está recebendo. Aí entra também um viés cognitivo (ou tendência de perceber uma coisa para um lado, como achar que a nossa faixa de trânsito é sempre mais lenta por só notarmos quando isso ocorre e ignorarmos as vezes onde estamos na que se move mais rápido), que desconsidera todas as passagens que se referem a filhotinhos de cachorros correndo livre pelos campos e se atém às menções ao diabo, mas isso diz mais de quem escuta e interpreta as passagens tocadas ao contrário do que de quem as tocou e gravou no sentido normal.

Isto aqui é uma foto tirada da janela do meu apartamento, enquanto eu testava o tempo de exposição da minha câmera:

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Depois que publiquei a foto, um amigo meu notou que a formação de nuvens (ou o espaço deixado pela falta delas, na verdade) do lado esquerdo da foto parece com isso aqui.

Isso é Pareidolia para vocês!

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Sem saber sobre o que escrever hoje (MANDEM SUGESTÕES!), estava relendo meu arquivo de coisas legais e lembrei de uma formiga peruana, a Cephalotes atratus:

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Essas formigas podem ser infectadas por nematódeos (ou vermes cilíndricos) que as fazem agir de uma maneira peculiar.

Primeiro, o acúmulo dos ovos amarelados desses vermes nos abdomens escuros dos insetos fazem com quê estes fiquem avermelhados:

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Essas formigas vivem nas copas das árvores das florestas panamenhas e na Amazônia peruana, e, após a mudança de coloração, elas passam a andar com os rabos apontados para cima:

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Steve Yanoviak, pesquisador da Universidade de Arkansas (nos EUA), descobriu também que o parasita deixa os insetos menos agressivos, os fazem parar produzir feromônios de defesa (do tipo que deixa sua carne com gosto ruim, sendo cuspida antes de ser engolida) quando se sentem ameaçados, e deixa seus exoesqueletos mais fracos (possibilitado, por exemplo, a extração da parte posterior do animal com maior facilidade).

E para quê isso tudo?

Nessas florestas, vários pássaros se alimentam de frutas parecidas com estas:

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Notaram a formiga no meio?

O verme, para completar o seu ciclo, precisa passar pelo trato digestivo de um animal de sangue quente (como um pássaro) para pôr novos ovos, que serão excretados, permitindo que outras formigas, ao vasculhar as fezes das aves em busca de comida para sua prole (na Natureza, o lixo de um é o tesouro de outro), infecte uma nova geração com esse nematode.

E o nome disso, Meninas e Cabras, é co-evolução (eu deveria ter usado esse exemplo no dia em que estávamos jogando Master e perguntaram uma definição. Bom, fica para a próxima).

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Estima-se atualmente que existam sete sextilhões de estrelas no universo observável (pode ser, e é provável, que haja mais universo além de até onde podemos ver). Isso é um 7 seguido de vinte e um zeros (ou 1 bilhão vezes mil, quatro vezes), e parece com isso:

7.000.000.000.000.000.000.000

Se você coletar cada grão de areia de cada praia do planeta Terra, o que deve chegar mais ou menos na casa dos quintilhões (essa conta é feita assim: pega-se um centímetro cúbico de areia e conta-se o número de grãos, depois multiplica-se o resultado pela quantidade de centímetros cúbicos de areia nas praias do mundo. A Matemática é simples assim), ainda não terá grãos suficientes para montar um modelo estelar do Universo visível.

Apesar dessa grandiosidade estelar ser, certamente, mentalmente incompreesível (como este blogue às vezes se torna), e, enquanto a ponderação da escala do universo possa criar uma perspectiva intimidante no dia-a-dia do terráqueo mediano, VOCÊ não é um terráqueo médio.

Sim, nossa Terra pode ser comparável a um trisquinho de poeira num grão de areia na borda do oceano do Espaço, mas em todo o Universo existe apenas um Você.
Múltiplas magnitudes de galáxias podem ir e vir mas, de todo jeito, só pode haver um Você.
O que faz de Você uma raríssima propriedade de Universo, de fato!

Portanto, pegue sua cadeira de praia e, juntos, vamos nos bronzear à luz da nossa mutuamente incompreensível uniqüidade.

-Texto de Justin Jackson com intromissões de Igor Santos-

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