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Estou me divertindo deveras registrando aqui os filmes que vi em cada mês. No entanto, me conhecendo, não há de durar. Talvez no futuro eu apenas liste o que vi e fale alguma coisa só do que achei melhor.
Porém, este mês será como o passado e aqui vai a lista, os trailers e minhas impressões de tudo que vi em fevereiro.

Open Grave (2013)

Mais um filme novo que me agradou. Talvez ter um diretor espanhol e um protagonista sul-africano sejam parte do motivo.
Não vou dizer muita coisa para não estragar as surpresas (também não leiam a descrição da Wikipedia) mas direi o seguinte: finalmente uma nova visão de um gênero clássico dos filmes de terror.

Inglourious Basterds (2009)

História alternativa da Segunda Guerra onde um grupo de soldados americanos judeus se juntam para escalpelar nazistas e matar Hitler. Por Tarantino. Com Christoph Waltz e todos os outros homens bonitos de Hollywood (tem Mike Myers também, mas ele não estraga o filme).
Nunca vai ocupar o primeiro lugar em nenhuma lista de melhores (de ação, de humor, de guerra, de história alternativa, de Tarantino, etc), mas tem a melhor atuação de Brad Pitt desde que ele se meteu com Freddy Krueger no anos 80. E Christoph Waltz.

Kill Bill Volume 1 (2003)

Lembro de ter visto este filme no cinema logo após ter assistido a outro (possivelmente Lost in Translation ou o terceiro Matrix) e ter bebido três litros de água no intervalo entre eles (estava num período crítico de cálculo renal e hiperidratação era minha terapia de escolha). Como o filme tem duas horas, a única impressão que carregava era de não ter gostado, especialmente do duelo perto do final, quando já chorava lágrimas ricas em nitrogênio (nunca gostei de perder partes de um filme só porque preciso atender ao chamado das minhas necessidades fisiológicas urgentes).
Desta vez, no entanto, apreciei mais o cuidado de Tarantino com a composição (e homenagens) que já começa forte desde literalmente o primeiro segundo dos créditos iniciais. Tirando o “cabo fu”, que é meio decepcionante por chamar tanta atenção, todas as cenas são tratadas com um cuidado excepecional, especialmente os efeitos especiais práticos (sangue, desmembramento, maquetes, modelos, etc), uma marca registrada de Tarantino até hoje (pensem no escalpelamento em Inglorious Basterds e explosões em Django Unchained).
E o humor ultraviolento dele é contagiante. O filme é tão extremo que passa para o outro lado e se torna manso e reconfortante. Ou talvez eu tenha algum defeito.

Friday the 13th Part 2 (1981)

Para o que possivelmente é o pior trailer já lançado, a segunda parte da decalogia Vorhees é surpreendentemente um bom filme. Talvez até melhor que o primeiro e certamente infinitas vezes melhor que qualquer outro depois (exceto Jason no Espaço num dia bom), especialmente aquela abominação abortada por Michael Bay e sua produtora maldita que está refilmando clássicos do terror usando os mesmos nomes dos originais, forçando as pessoas de bom gosto a se referir aos seus filmes prediletos adicionando o sufixo “o original”.
Filosofando a respeito da série, me dei conta de que o primeiro filme tem uma reviravolta final (o assassino não é Jason, mas sua mãe *spoiler alert*) que só existe porque as pessoas se familiarizam com o conceito de Friday the 13th antes de assistirem ao seu primogênito. Na época, o plot twist ou não existia ou era apenas um resquício de sexismo do gênero, onde mulheres não podem ser matadoras seriais.

Bonnie and Clyde (2013)

Uma minissérie em duas partes que foi consolidada em um filme de três horas pelo Netflix. Tentei ver mas não consegui ficar acordado. Não por culpa do filme; eu realmente estava cansado e preferi dormir.
Meire viu e achou fiel à história real, então suponho que seja interessante.

Cube (1997)

O canandense Cube me me conquistou com a primeira cena. Pena que perde bastante a qualidade quando os personagens começam a se desenvolver e se flanderizam, chegando a extremos sem passar por etapas intermediárias.
A parte boa é que o filme fica sem muita explicação (o que poderia ferir seriamente a narrativa se tentassem explicar aquele conceito absurdo), que eu acho um artifício muito pouco usado em ficção científica, onde a maioria dos diretores (ou executivos, provavelmente) acha que precisa justificar uma situação inventada e acaba por atrasar a ação ou tirar a graça de algo que meu cérebro poderia explicar de forma muito mais interessante.
No fim das contas, Cube sofre do mesmo problema da maioria dos high concepts; uma premissa potencialmente excelente estragada por traços de personalidades clichês e/ou conflitos interpessoais desnecessários e desinteressantes. Eu vejo todos os dias querelas insignificantes entre pessoas chatas mas raramente vejo um cubo gigante cheio de armadilhas; por que não se focar mais nisto e menos naquilo?

Jurassic Park (1993)

O que dizer do filme com o melhor uso de CGI até o lançamento de District 9? Talvez “não é tão bom quanto você lembra”? O filme é bom, só não é tão bom quanto minha mente adolescente fez parecer.
Vale a pena totalmente mas me decepcionou um pouquinho. Nada grave, só a inexorável realidade da maioridade pesando um pouco sobre o filme.
E Sam Neill, que não consegue manter o sotaque quando está excitado (e um matemático que sabe mais de biologia do que dois paleontólogos).

The House of the Devil (2009)

Este filme tenta criar tensão mas acaba sendo mais um estudo do tédio adolescente do que um filme de terror. E, de todo jeito, tensão demais acaba virando chatice. E THotD é extremamente chato.
Como eu disse no Twitter enquanto via o filme, a parte mais perturbadora é ver Frances Ha comendo e a melhor cena são dez segundos de Night of the Living Dead que passa na TV e serve de premonição para uma perseguição num cemitério que tem perto do final.
Não fosse o satanic panic dos vinte minutos finais, isto nem poderia ser rotulado como terror. Talvez “filme de expectativa”, se o gênero existir.
Mas é inegável que o filme é bonito e tem estilo. Talvez seja uma boa alternativa à lareira do Netflix para deixar rodando na TV enquanto você tem visita.

Pontypool (2008)

Mais um filme canadense que me conquista com a primeira cena.
Da mesma forma que Open Grave, Pontypool dá uma guinada num gênero já estabelecido e cheio de clichês e finalmente nos dá algo original. Eu só não sei o que esse algo é.
Ainda não sei se gostei do filme porque ele é desses. É muito bem feito, bem atuado, bem dirigido, bem mixado, etc, etc e a estória é indubitavelmente original mas até agora eu não sei o que pensar dele porque não consegui entender a mensagem que o filme quer me passar.
Se bem que o fato de eu estar ansioso para revê-lo deveria ser uma indicação de que gostei do que vi. Recomendo que vocês vejam Pontypool (até o último segundo). E depois me contem.

Haunter (2013)

Ainda outro filme canadense. E este, do mesmo diretor de Cube, é totalmente excelente. A cada dia o Canadá me agrada mais. Parece que as pessoas lá são mais sabidas e gostam de coisas novas.
O que acho mais impressionante em Haunter é como Little Miss Abigail Breslin Sunshine é boa e carrega o filme. Seus colegas contracenantes são bons também, mas ela (em parte por obra do roteiro) está vários degraus acima. Quando ela tem medo, você tem medo. Quando ela decide agir, você não só concorda como torce e incentiva. Quando ela está em apuros, você se desespera por não ter como ajudar. Excelente atriz.
Tomara que a vida de atriz-mirim não estrague sua cabeça e ela não lindsaylohaneie. Seria uma pena perder uma atriz assim.
Haunter é talvez o melhor filme novo que vi este mês e é ainda outro que dá uma torcida num gênero. Recomendo fortemente.

One Flew Over the Cuckoo’s Nest (1975)

Clássico do terror psicológico (não normalmente, mas eu cresci com certa proximidade de pacientes mentais, então sou meio sensível a este tipo de ambientação) onde Jack Nicholson jacknicholsoneia à vontade no único papel que ele sabe representar bem: ele mesmo.
Não conheço a história da produção do filme mas creio que os atores tiveram aulas com psiquiatras ou até mesmo com pacientes porque todos eles são incríveis nos papéis de neuróticos, hipomaníacos, retardados e até um Doc Brown que é claramente um esquizofrênico na medicação errada. O que não me surpreenderia se fosse realidade e o diretor de elenco tenha só trocado o remédio de Christopher Lloyd.
Danny DeVito é tão bom neste filme que até agora eu não sei se aquilo é realmente ele ou só um doidinho qualquer que parece com ele e o diretor aproveitou para fazer uma pegadinha com a audiência (como nos créditos finais de Fargo – google it).
Muito se fala da enfermeira, chamada muitas vezes de “a pior vilã do cinema”, mas nunca achei que ela fosse má, apenas rígida com as regras que protegem não só a equipe da clínica como também seus pacientes (voluntários em sua maioria).
E, finalizando, OFOtCN tem uma ponta do meu monstro favorito, Michael Berryman, no que eu acredito ser seu primeiro crédito como ator, dois anos antes de conquistar Hollywood (nem tanto) em The Hills Have Eyes.
É um filme triste que nunca dá trégua e que acaba angustiante. Revi só confirmar isso.

Léon: The Professional (1994)

Primeiro filme de Natalie Portman (que, cinco anos mais tarde – e ainda uma criança – ficaria famosa por ser a única coisa boa em Star Wars) em que ela parece estar dando um José Wilker e overacting, mas Mathilda é uma garotinha tentando lidar com uma vida trágica se fazendo parecer mais velha e Portman faz isso perfeitamente. E mesmo assim ela é a adulta no relacionamento com o matador profissional que é bom com as mãos porque nunca perdeu muito tempo com o cérebro.
Gary Oldman mastiga o roteiro e cospe sua melhor performance até (não sei de Tinker Tailor Soldier Spy porque aquele filme não me deixa ficar acordado) Call of Duty.
Eu e a esposa queremos uma continuação, com Mathilda adulta recebendo a simbólica tocha de Léon, prestes a se aposentar. Eu adoro filme com mulheres duronas (You’re Next, estou olhando para você) e Meire gosta de ver mulher destruindo geral. Seria bem divertido. Talvez não tanto quanto um filme inteiro dedicado ao personagem de Oldman, no entanto.

A Fantastic Fear of Everything (2012)

Apesar da música que começa no trailler acima aos 36 segundos ser uma das melhores das últimas décadas (e não-creditada em lugar algum, tornando impossível saber de quem é), o filme não é lá essas coisas todas. Deveria ser uma comédia mas não é muito engraçada, tem elementos de terror que não assustam e uma premissa esquisita que dá impressão do filme ser o segundo episódio da terceira temporada de um seriado que eu deveria conhecer para que tudo aquilo fizesse sentido.
Não vejam. É chato.

Halloween (1978) com comentário do Red Letter Media

Valeu a pena ver o filme mais uma vez. Mas só pelo filme mesmo, visto que o comentário não é nem um pouco interessante (a não ser que você queira saber da vida dos comentaristas e quais casas famosas de filmes eles visitaram). Ainda estou esperando o blu-ray box set de John Carpenter com dezenas de horas de extras e várias camadas de comentários dos envolvidos com o filme.

Big Trouble In Little China (1986)

Um faroeste moderno/comédia de ação e outro que tinha visto pela última vez numa Sessão da Tarde dessas, cuja dublagem tira 70% da graça. É um filme excelente e que se sustenta muito bem hoje em dia (apesar de ser bem do seu tempo), especialmente no humor sutil de Kurt Russell, possivelmente o protagonista mais inútil do cinema até o aparecimento de Frodo.
A música que toca nos créditos é da banda de John Carpenter, The Coup de Villes, e é tão ruim que sempre achei que a banda fosse toda ruim, até achar este outro exemplo. Não vou procurar mais, vou deixar o placar empatado mesmo.
Vão ver BTiLC. Garanto que é divertido.

Re-Animator (1985)

O filme mais famoso de Stuart Gordon, influente diretor de filmes B (e idealizador de Querida, Encolhi as Crianças, fato que descobri agora há pouco). Supostamente inspirado em um conto de Lovecraft, este filme é muito ruim. Muito. Eu não acredito no conceito de “tão ruim que é bom” e nada nele chega a ser bom, só ruim.
Ele tenta se sustentar fortemente no conceito e no sangue mas esquece que continuidade e atuação são importantes. Mas não tanto quanto foco narrativo, que é absolutamente ausente do filme.
Talvez na época fosse interessante (mesmo Hammer Films já tendo feito praticamente tudo aquilo, e melhor, há pelo menos duas décadas) por causa dos efeitos da mesma forma que Avatar foi na época do lançamento, mas como é muito fraco em coesão e narrativa, só existe mesmo o saudosismo de alguns para manter este filme em listas de melhores.
Se bem que eu admiro a presença de espírito do pôster de Stop Making Sense, do Talking Heads, no começo do filme.

Dolls (1987)

Mais um de Stuart Gordon. Achei que seria melhor que Re-Animator e, talvez seja, mas continua não sendo bom. Começa com o velho clichê do carro quebrado perto dum castelo esquisito e entra em outro, o do casal de velhinhos aparentemente benevolentes para em seguida virar um festival de cenas bizarras onde pessoas más (nem Esopo tem moral tão rasa) são atacadas por bonecas que, apesar de ultraviolentas e impiedosas, estão fazendo o bem? Eu acho?
A apresentação dos creditos é extremamente perturbadora e as bonecas do título são extremamente bem feitas (sério, vale a pena encarar o filme só para ver os efeitos especiais envolvendo as bonecas), mas o filme tem valores de produção inexistentes, as atuações são nível presépio vivo (exceto o ator que faz o “adulto bonzinho” imune ao julgamento sumário dos monstros), o roteiro é abominável (“e se eles tiverem saído de casa por causa da tempestade!?“; “você vai gostar da minha mãe. Ela é jovem é beeeeem bonita“) e é difícil dizer para quem esse filme foi feito. Ele tem uma lição de filmes infantis (“seja bonzinho”, “nunca cresça”, etc) enquanto se apoia em violência gráfica e imagens assustadoras.
Bom, eu não me arrependo de ter visto Dolls (são só 72 minutos) como me arrependo de ter perdido tempo com Re-Animator mas acho que não verei outro Stuart Gordon por um bom tempo (me perdoe, Castle Freak, mas acho que não vou ver você arrancando o próprio ding-dong e removendo a mordidas o mamilo de uma prostituta).
Tem completo no Youtube se vocês quiserem ver as bonecas.

Le cochon de gaza (2011)

Uma suposta comédia que depende do público achar graça da desgraça alheia. Um pescador mulçumano palestino pesca um porco no mar e sua vida já miserável piora consideravelmente. Não aguentei ver até o fim mas, se algum de vocês assistir e gostar, recomendo ver também a igualmente triste comédia australiana Kenny.

Beetlejuice (1988)

Vendo este filme não tenho como não pensar “Genna Davis deveria fazer mais comédias”. Todos os atores (os que contam) são excelentes em seus papéis, desde o canastrão Otho à depressiva Lydia, passando pelo homônimo (quase) Betelgeuse (é mais um homófono), o ser mais repugnantemente vil do cinema. As performances são todas ótimas e bem afinadas, mas nenhuma se compara à de Geena Davis, reagindo ao fato de ter virado uma fantasma.
A atenção de Tim Burton aos detalhes é incrível, mesmo quando eles ficam meio segundo na tela e não chamam qualquer atenção para si (como o buraco na ponte da maquete) e Beetlejuice é seu melhor filme, sem dúvida (apesar de eu não ter visto Frankenweenie ainda). Todos os efeitos práticos funcionam (menos a dancinha de Winona Ryder no final, mas isso é mais culpa dela ter nascido branca) e o stop-motion eventual é tão esquisito que se encaixa perfeitamente na visão distorcida que Burton tem dentro da cabeça dele. Ainda bem que ele fez esse filme no anos 80, antes do chroma key virar realidade (mas parece que ele está produzindo Beetlejuice 2… #medo).
Recomendo. É um filme bem divertido.

The F Word (2013)

Ouvi coisas boas deste filme e realmente ele não é ruim. É bem dirigido, bem atuado e etc, mas é também bem conformizado e igual. É engraçadinho mas ordinário. Tenta ser mais esperto que os outros com os diálogos mas acaba voltando ao mesmo lugar de sempre (incluindo cenas de comédia física, desencontros, constrangimento, etc).
É mais do mesmo. Se você gosta de comédia romântica, vai gostar deste.

Seus Problemas Acabaram! (2006)

Vamos tentar esquecer que isso aconteceu.

Starship Troopers (1997)

Ah, a juventude! Tirando o gay de How I Met Your Mother (que está morta no final, o que chocou multidões apesar de eu achar que isso era a base na qual toda a sitcom se sustentava desde o primeiro episódio), todos os outros atores jovens parecem não se dar conta de que estão num filme satírico de Paul Verhoeven. E espero que Johnny “cicatriz desconcentrante no queixo” Rico e o filho da Gary Busey sejam tão agradáveis a olhos interessados quanto Denise Richards e Dina Meyer estão aqui.
Este filme certamente melhorou com a idade. A narrativa se fortaleceu (tendo sido feito pré “guerra ao terror”), a fluidez é excelente (tem mais de duas horas mas nunca fica cansativo), a mensagem continua bem forte (e beeeeem diferente da mensagem do livro no qual foi baseado) e vários outros aspectos continuam relevantes. Inclusive, por incrível que pareça, os efeitos especiais de CGI que são mesclados lindamente com efeitos práticos e findam num produto que nunca tira o espectador do mundo do filme.
Fora que é um excelente filme de ação. Com todos os clichês necessários.

Nightmares in Red, White and Blue (2009)

Um bom (mas não ótimo) documentário sobre a história do cinema de terror. Não chega a ser empolgante como eu gostaria que fosse e deixa de tocar em vários dos aspectos mais interessantes do gênero mas é uma boa fonte primária para quem se interessa por História e mostra o que alguns diretores têm a dizer sobre seus filmes, em primeira mão.
Recomendo.

Teenage Mutant Ninja Turtles (1990)

Parafraseando Roger Ebert, este filme é bem melhor do que deveria ser. Não é um bom filme; é um filme adequado. E para crianças.
Eu não tenho nenhuma ligação sentimental com as Tartarugas Ninjas (certamente fizeram parte da minha infância mas até hoje eu não sei qual cor vai com qual arma ou com qual renascentista) e, apesar de lembrar ter rido bastante quando o vi no cinema, não senti nenhuma nostalgia. É um filme para crianças. Gostei quando era uma, não me acrescentou coisa alguma hoje. E a cópia do Netflix ser a da distribuidora brasileira (com direito a logomarca no começo e tudo) não ajudou muito, por causa do som mexido para inserir a dublagem (vi com o áudio original).
Não recomendo para quem tenha vida sexual ativa.

Mês passado eu me dediquei um pouco a Cronenberg mas acabei lendo mais sobre ele e sobre seus filmes do que os assistindo. Desta vez eu decidi me aprofundar na obra de Tobe Hooper, autor do meu filme de terror favorito (no post anterior eu disse que estava no meu top 5, mas após revê-lo e me tremer todinho de medo, ele é mesmo o primeiro, inquestionável).
Tinha programado seis filmes dele mas depois do quarto eu desisti (vocês vão ler o motivo já já).

The Texas Chainsaw Massacre (1974)

Este é o meu favorito. Não só de Tobe Hooper, mas meu filme de terror favorito. Não acredito em sobrenaturalidades, então filmes de “assombração” (como diz minha mãe) e monstros não me atingem; sou versado em estatística e não tenho riquezas, por isso invasão domiciliar não me preocupa; não acampo nem vou a lugares estranhos e/ou inóspitos onde slashers habitam; etc. De todos os filmes de terror que tenho catalogados na cabeça, esse é o único que ainda aumenta minha frequência cardíaca e dilata minhas pupilas. Toda a situação (“ô de casa”, A PORTA!, opa, não entre aí, O QUE ELE VAI FAZER COM ESSA BACIA?, e por aí vai) é projetada para intensificar a experiência que o cartaz promete (“quem vai sobreviver e o que vai restar deles?“) e os personagens são bem escritos e agem como pessoas normais agiriam naquela situação. É intenso, muito intenso e, algo que me surpreendeu quando o reassisti agora, tem muito pouco sangue. A maior parte das cenas terríveis acontece dentro da sua cabeça. Uma das poucas vezes em que usaria o termo “genial” para descrever um filme. Genialmente intenso.
Num tempo antes de sustos baratos com barulhos altos e repentinos, os filmes tinham que trabalhar para dar medo na audiência e TCM faz isso como poucos. Do suor caipira e do calor texano ao realismo de um lugar que realmente parece bem vivido, não é à toa que este filme é figura cativa no primeiro lugar de mutas listas. Me dá vontade de tomar banho depois que o filme acaba. E rebobinar a fita enquanto crio coragem para assisti-lo novamente.

Body Bags (1993)

Acho que nunca me diverti tanto vendo um filme (supostamente) de terror. É uma antologia, é extremamente besta e a trama não importa mas, ei, esse aí é John Carpenter? É!
Wes Craven! Haha, que massa!
SAM RAIMI!? ÊÊÊ! Aaaaah…
Greg Nicotero? O que você está fazendo aqui, seu danado?
Sheena Easton? Debbie Harry! \o/ DUETO JÁ!
Olha! Aquele cara que era um programa em Tron e também o fotógrafo em The Omen!
Pera, isso é Luke Skywalker? É SIM!! Napier e Twiggy? Reencontro de Blues Brothers!
TOBE HOOPER E TOM ARNOLD!? #mindblown
São três estórias desconexas e inconsequentes que quase não deixam marca, mas mal posso esperar para rever. Se você é fã de filmes de terror e quer se divertir à beça, recomendo com dois polegares rigidamente eretos.
Da mesma forma que Poltergeist é de Spielberg, a estória que supostamente é de Hooper tem os dedos sujos de cigarro de John Carpenter em todas as cenas. Mas como aquele é creditado como diretor, achei por bem inclui aqui.
E, novamente, nada disso importa. O filme é um festival de diversões para um conhecedor veterano (não reconheci Roger Corman, mas também não sou muito fã dos filmes dele).

Lifeforce (1985)

O título original do filme (e do livro no qual aquele se baseia) é “Space Vampires”. Isso diz praticamente tudo que o filme é, exceto que a principal antagonista aparece vestida por apenas quinze segundos (e muito, muito nua no resto de suas parcas aparições) e, até os cinco minutos finais, só tem três frases. No entanto, o final do seu monólogo na última cena é possivelmente a frase nonsense mais sensacional da história da ficção de terror: “The web of destiny carries your blood and soul back to the genesis of my lifeform.” Pura poesia.
Os efeitos são magníficos, nível Industrial Light & Magic e o filme nunca fica lento. Reduz a marcha em lugares (como na cena totalmente desnecessária em que uma masoquista da pesada encontra um “voyeur inato”) mas nunca lentifica completamente. E faltando meia hora pro fim, vira um filme de zumbi estilo Thriller.
Recomendo.

The Texas Chainsaw Massacre 2 (1986)

Este filme me deu desgosto. O que o primeiro tem de bom, este tem de ruim. Tudo no primeiro filme é bem vivido enquanto no segundo é tudo tão artificial quanto o inferno dos filmes de Zé do Caixão.
Os gritos histéricos (na definição clássica de histeria) que criam tanta tensão no primeiro, aqui são só chatos, porque você não tem apego qualquer com a personagem nem para rir dela. Aliás, tudo neste filme é chato. Dennis Hopper só não é a pior coisa aqui porque tudo é a pior coisa. Argh, dá um gosto ruim na boca só de lembrar que vi isso.
Hooper tenta recriar o “humor vermelho” do primeiro filme mas só consegue fazer uma paródia escrachada e acaba com algo pior que Débi & Lóide. Subiu a quantidade de sangue, baixou a qualidade do impacto, aumentou a “comédia” e acabou com uma porcaria de filme que nem é assustador, nem tenso e muito menos engraçado. Só é chato.
Se, como eu sugeri ali em cima, Friday 2 é a melhor sequência, arrisco dizer que este filme é a pior. Nunca vi nenhum filme da série Leprechaun mas duvido muito que a distância de qualidade entre o primeiro e o segundo seja um milionésimo do abismo que separa TCM de TCM2.
Que fique claro: não estou julgando este só em comparação ao primeiro. Tudo que o primeiro fez certo, o segundo fez errado e este é muito pior por mérito próprio do que qualquer filme médio ruim por aí.
Deveria ter assistido a Spontaneous Combustion…

Não sei se formei opinião acerca de Tobe Hooper. Talvez precise ver outro bom para tirar o gosto ruim da boca.

E vocês, viram o que? Alguma dica para março?

Desde o final do ano passado eu dei uma forte guinada na minha vida e redescobri que gosto de filmes. Gravity, Snowpiercer e Guardians of the Galaxy me mostraram que o problema não era completamente a falta de filmes bons sendo produzidos. Era também um abuso forte que eu tinha pegado da arte. Porque, bom, pelo uso da palavra “arte” comumente associada pelo tipo de gente (um dos, na verdade) que detesto.

Como vi bastante coisa desde o começo do ano resolvi anotar e vou publicar aqui, mensalmente, a lista do que vi.
Mais para o meu próprio benefício do que para meus leitores (se bem que tem muita coisa boa que talvez vocês não tenham visto). Talvez vocês notem uma tendência no estilo dos filmes.

Trilogia Ash Williams
The Evil Dead (1981)

Evil Dead 2 (1987)

Army of Darkness (1992)

O primeiro filme revolucionou o conceito de filme de terror, o segundo desconstruiu o primeiro e revolucionou o conceito de filme satírico (ultra meta) e, o terceiro, concebeu o gênero terror/aventura medieval.
Valem uma maratona.

Evil Dead (2013)

O original é tão bom que até a refeitura é boa. Este é bem mais violento que o original (nossa tolerância aumentou consideravelmente nos últimos trinta anos) e Jane Levy é bem convincente em seu papel.
Recomendo ver depois da maratona acima para maior efeito. Ou quando você estiver só em casa, com tudo apagado.

Cat Ballou (1965)

Comédia bang-bang dos anos 60 com Jane Fonda e Lee Marvin. Se nada nesta descrição lhe diz alguma coisa, não recomendaria. É meio lento e depende de um humor hollywoodiano antigo.
p.s. não é tão racista quanto eu achei que seria, apesar de ter um ator branco em redface.

The Collection (2012)

Torture porn de qualidade. Se você gosta de se sentir desconfortável, recomendo.
É a continuação de The Collector (que eu não recomendo a quantidade de buracos na trama tirou minha atenção) mas pode ser visto sozinho.

The Dead Zone (1983)

The ICE… is gonna BREAK!
Possivelmente o melhor papel de Christopher Walken (bem, excluindo a participação especial em Pulp Fiction, porque “I hid this uncomfortable hunk of metal up my ass… two years” é imbatível).
Não é a melhor adaptação de Stephen King e perde um pouco o rumo no meio, mas é divertido, especialmente quando Martin Sheen aparece.

Pulp Fiction (1994)

O filme favorito da minha esposa. Eu, particularmente, prefiro Reservoir Dogs, mas admito que Pulp Fiction não tem a fama que tem por nada. É uma obra-prima de verdade.
I love you, Honey Bunny.

District 9 (2009)

Possivelmente meu filme favorito deste milênio. District 9 conseguiu criar alienígenas ao mesmo tempo diferentes e discretos. Depois de dois minutos, a presença deles se torna comum e os efeitos visuais viram dia-a-dia, sem chamar atenção para si.
É difícil uma estória que faz você torcer para outra espécie. District 9 faz isso e muito mais. É que recomendo mais nesta lista.

Pineapple Express (2008)

Não.
Comédia Apatow que tenta ser um Shoot’em Up com estória e falha miseravelmente. A estória é ridícula (marca registrada Apatow) e a ação é forçada e artificial.
Vão ver Shoot’em Up no lugar de Pineapple Express. Ou então Tucker and Dale vs. Evil.

Ferris Bueller’s Day Off (1986)

Estranhamente, este filme melhorou com a idade. A malícia de Bueller e o ponto de vista da sua irmã ficam consideravelmente melhores aos olhos de um adulto.
Ah, e recomendo que leiam a teoria de que Ferris só existe dentro da cabeça de Cameron, a la Fight Club.

Fright Night (1985)

Hum, não. Este não melhorou com a idade.
Filme de vampiro dos anos 80, feitos para ser terror, viram cômicos hoje em dia.
Mas valeu a pena ter assistido só por causa de Evil, o melhor personagem do filme.

Insidious (2010)

Se, como eu, você aprecia filmes de terror, sem dúvida vai cantar todas as bolas de Insidious. É um filme mais esquisito que amedrontador e que telegrafa todas as jogadas. Não gostei muito e acho que não vou ver o subsequentes, mesmo eles tendo uma fama melhor que o primeiro.

Invasion of the Body Snatchers (1956)

Invasion of the Body Snatchers (1978)

O original, por ser de 1956, é um filme de propaganda anti-comunista e tem um dos finais mais decepcionantes que vi recentemente que, felizmente, a versão de 1978 (que é uma propaganda anti-governo, WHAT A TWIST!) conserta.
Não vejam o primeiro, vão direto para a refilmagem e sintam a aflição que falta no primeiro.

Las brujas de Zugarramurdi (2013)

É uma pena que os distribuidores idiotas de Evil Dead já gastaram “noite alucinante”, porque isto seria o título ideal para este filme. QUE FILME LOUCO!
É excelente, divertido e ligeiramente aterrorizador, mas é MUITO LOUCO! Vejam. Podem ver, por minha conta.

Let’s Go to Prison (2006)

Comédia dirigida por Saul, de Breaking Bad (Bob Odenkirk sempre foi comediante, caso a atuação dele em BB não tenha sido dica suficiente). É muito mais ou menos e depende um pouco de constrangimento, que não é meu filão em comédia, mas não me senti perdendo tempo vendo.
É um daqueles filmes que se você precisar ir ao banheiro no meio não precisa pausar.

Looper (2012)

Mais um filme de Bruce Willis viajando no tempo. Tem um paradoxo safado que tentam explicar e que dá para engolir (suspendendo a descrença bem alto), mas isso não deixa o filme ruim. Aliás, um bom filme de ação semi-distópica.

Oldboy (2003)

Que filme ruim. Não sei se a sensibilidade coreana não me atinge ou o quê (apesar do já citado Snowpiercer ter conectado), mas ô filme ruim.
Os personagens que agem de forma interessante não têm motivação e os que têm, não agem direito. É esquisito, desinteressante e longo demais e nem a tão famosa cena da briga de martelo no corredor (que, francamente, foi o que me fez ver isso) salva. O final é tão atrapalhado que acaba só dando um gosto ruim na boca.
Não recomendo. Talvez a versão americana de 2013 seja melhor, mas não vou perder meu tempo revisitando esta estória.

[REC] (2007)

Apesar de ser um found footage, tem bons atores e realmente causa uma sensação de opressão e tensão.
É um bom filme, no fim das contas, mas recomendo parar o filme faltando uns oito a dez minutos pro final porque, sinceramente, não vale a pena ver até o fim.

The Running Man (1987)

Vi este clássico só quando ele apareceu na TV pela primeira vez e, por causa disso, provavelmente não o vi todo (Globo ou SBT sempre com sua mania de editar cenas) nem tive acesso ao excelente diálogo. Fora que minha mente quase explodiu quando o Telecatch começou a cantar.
TRM é um filme irônico feito antes de inventarem ironia. Não é Tango & Cash mas é quase. Recomendo.

Session 9 (2001)

Este filme começa bem lento e ruim, fica esquisito, fica interessante, fica esquisito, fica ruim, fica bom, fica melhor, fica bem interessante, morre nas calças e termina péssimo. Não percam tempo com ele.

Stitches (2012)

Um palhaço volta dos mortos para vingar sua morte na mão de um grupo de crianças.
Preciso insistir mais? Vão ver agora!

The Taking of Deborah Logan (2014)

Atenção: isto não é um filme de terror. Tem uns sustos, mas susto tem até em Harry Potter.
TToDL é um filme de tensão e um estudo de personagem com elementos found footage (mas o filme todo não se enquadra no gênero) e com um final sobrenatural/psicológico. É difícil dizer quem é o personagem principal e saber o motivo de tanto sucesso. Eu não veria de novo, achei brochante.

The Taking of Pelham One Two Three (1974)

Se você tem pretensões artísticas e pensa em atuar, veja este filme. É uma aula de atuação.
É anos 70, então a tensão que ele um dia teve já relaxou, mas o humor sublinhante continua forte como sempre.
Recomendo.

The Terminator (1984)

Ao rever este, me dei conta de que só o tinha visto assim que saiu em VHS. Ou seja, trinta anos atrás.
Tudo que eu pensava saber da mitologia Skynet veio do segundo filme, visto que eu não lembrava de coisa alguma do original. É um filme bizarro e bem da época, ideal para arqueólogos.
Não é ruim, só é estranhamente anos 80. Vejam por sua conta e risco.

The Town That Dreaded Sundown (2014)

Uma meta-continuação do original, de 1976. É um artifício estranho usar o primeiro como documentário/ficção e, daí, partir para um slasher/cidade sitiada. Não teria feito falta se não o tivesse assistido.
Vão ver o original e fiquem por lá mesmo.

Ano passado foi também o ano em que finalmente descobri que tenho diretores favoritos; Sam Raimi, John Carpenter e David Cronenberg (body horror, alguém?).
Lógico, existem os Spider-Man, Vampires e eXistenZ da vida que, felizmente, são exceções à regra de Darkman, In the Mouth of Madness e The Fly.

Mês passado eu consegui ver dois Cronenberg.

Naked Lunch (1991)

Dica pró: não veja enquanto come. Mas veja, porque este filme é excelente.
Recomendo ler um pouco acerca da vida do autor William S. Burroughs, porque o filme é baseado não só em sua obra homônima como também em sua vida, com Robocop (Peter Weller) no papel central, representando fenomenalmente bem um sujeito perdido tentando se encontrar.
Assista agora e assista sempre.

Videodrome (1983)

Se você conseguir deixar de lado o choque e fascinação com as cenas de transformação (trinta e dois anos atrás os efeitos eram mais convincentes do que o sangue CG de hoje em dia) certamente vai notar como o filme ainda é relevante hoje em dia por causa da nossa mórbida simbiose com aparelhos eletrônicos.
Só digo uma coisa: long live the new flesh.

Hoje já é dia 5 e ainda não consegui ver nenhum filme (estou arrumando minha oficina e a sala de costura da esposa para depois partir para a biblioteca), mas quero me aprofundar em Tobe Hooper para ver se ele é mais que The Texas Chainsaw Massacre (que está no meu top 5 filmes de terror) já que Poltergeist é propriedade de Spielberg e nenhum crédito vai me convencer do contrário.

E vocês, o que estão vendo? Alguma dica para mim?

Desde o incidente (relatado aqui, especialmente nos comentários) em que o site ReclameAqui vendeu endereços de emails, nomes completos e números de CPF para spammeiros que se fazem passar pelo Itaú para roubar senhas de números de contas, nunca mais usei meu email oficial para qualquer tipo de cadastro.
Por causa daquele problema de invasão de privacidade e quebra de confiança, reativei minha conta antiga do Yahoo Mail para usar a única função ainda útil deste serviço: os endereços descartáveis.

Em algum momento da minha vida eu fiz um cadastro no Walmart. Não lembro de ter comprado algo, mas sei que fiz o cadastro porque tenho o endereço de email [nome de base]-walmart@yahoo.com.br. Hoje, limpando a caixa de spam, notei que este endereço estava sendo usado por várias empresas para mandar spam.
As que estavam hoje na minha caixa de spam eram a Net, a Vivo, o Bradesco e a Amil.

A seguir, uma captura de tela de hoje:

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Abaixo, as provas de que as empresas compraram meu endereço e meu nome do banco de dados que deveria ser exclusivo do Walmart:

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Não achei mais porque abro raramente o Yahoo e a caixa de spam é esvaziada periodicamente de forma automática, mas tenho certeza de que isso não aconteceu só esta semana.
Vasculhando meu email, me deparei com o seguinte spam, que escapou ao filtro, de junho de 2013, também de uma empresa (uma tal “importar roupas de marca”) que comprou meu endereço ao Walmart:

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Possivelmente um ou mais links dentro das mensagens acima são maliciosos, visto que a venda de endereços é mais que provavelmente indiscriminada, mas o Yahoo não é bom em liberar endereços antes abri-los, então não pude checar.

O importante é lembrar que seu endereço de email é uma informação valiosa, especialmente para empresas sem caráter, como o Walmart mostrou ser.
Cuidado para não cairem em spams. Pode custar todo o seu dinheiro.

– A gente precisa sair mais de casa.
– Por que? O gás está vazando?
– Não, a gente vive enfurnado. Vamos sair?
– Dessas roupas?
– Não, sair de casa.
– Você que ir dançar?
– Só se for dançar deitada.
– E se a gente sair para comer?
– Para eu voltar comida?
– Melhor que ser gozada em casa.
– Que tal um pastel?
– De cabelo? Quero.
– Aff. Você tem fome não?
– Tenho fome de justiça!
– E sede de vingança?
– Não, eu bem que tomaria uma Fanta agora.
– Ou uma Soda boa? Só se for agora.
– Ou se for daqui.
– E se for da rua?
– Concordo. Vamos ficar em casa.

natureza-perfeita

Especialmente para o salmão que passou depois, quando o urso estava distraído.
Mais perfeição natural aqui.

– Amiga, você não vai acreditar. Acabei de ser abordada aqui na frente.

– Ai, como assim? Você foi assaltada?

– Não, deusmelívre! Foi um cara maltrapilho aqui em frente ao seu prédio, agora mesmo enquanto descia do carro. Ele fedia tanto, aff!

– Em frente ao meu prédio!? Ah, vou ligar para o porteiro agora para ele chamar a polícia! Esta cidade está passando dos limites, já tenho que aguentar pedinte no meu bairro e agora querem que aceite em frente ao meu prédio? Daqui a pouco vão querer que eu adote…

– Foi horrível, ele fedia tanto!

-…olhe Francisco, não interessa, não quero esse tipo de gente aqui perto. Minha amiga foi abordada agorinha, você deve até ter visto. Pois é, então resolva. Tchau.

– E aí?

– Você acredita que ele disse que não tem crédito no celular? Não quero saber, ele é o porteiro, ele que tem que cuidar disso. Querem que eu resolva tudo agora? Daqui a pouco vão querer que eu lave as escadas também. Esse seu perfume é tão gostoso! Estava sentindo lá da cozinha.

– É bem gostoso, né? E é suave, também. O bom de perfume da Chanel, que eu acho, é usar muito. Sair por aí toda perfumada, todo mundo percebe logo quando você está por perto só pelo cheiro.

– Adoro! Combina com sua personalidade. Mas me conta, e o cara lá embaixo?

– Ai, que ódio! Só no Brasil mesmo uma coisa dessas. Todo sujo, a roupa rasgada, faltando uns pedaços. Isso devia ser crime, ficar expondo o corpo…

– Ele se expôs para você?

– Não! Exposto que eu digo é a roupa, toda rasgada, com uns os pedaço do corpo dele mostrando… eu não pedi para ver isso, por que ele pode sair por aí mostrando?

– Credo.

– É… estou pensando em fazer uma plástica.

– Lipo?

– Também. Quero aumentar meus seios. Adoro usar decote, você sabe.

– Sei.

– Aí vou ficar bem bonita com aquele decotão até o umbigo, hehehee

– HAHAHA!

– …e faço lipo também porque não aguento mais usar este shortinho com blusa comprida. Combina melhor com blusinha curta, mostrando aquela barriguinha chapada.

– E com peito novo dá para usar vestido de costa-nua também.

– Ai, adoro! Esta blusa aqui tem um pouquinho também, olha.

– Ah, pensei que mostrava só o ombro.

– É. Tem mais é que mostrar mesmo, né?

– Tem. Ai, pera, vou atender o interfone.

– Tá.

– Pronto, foi embora já.

– Que bom! Ele era tão esquisito, você não tem nem ideia!

– Era feio?

– Nem sei! Era tão esquisito que nem dava para saber se era feio. A cara queimada do sol, toda suja, o cabelo todo desgrenhado… como é que alguém consegue ficar com a cara coberta de sujeira daquele jeito e não lavar? Só pode ser de propósito, para chocar gente de bem.

– Eca! A cara suja de quê?

– Sei lá, sujeira. Como que caiu num chão sujo de cara e não limpou, como tivesse areia na cara, poeira, sei lá. O cabelo todo duro e sujo, dava para ver de longe, como quem não gosta de lavar o cabelo, sabe? Tão sujo que tinha várias cores diferentes, a coisa mais horrível do mundo! Todo desigual, maior dum lado, ui!

– Ah, por falar em cabelo, onde você vai fazer o cabelo pro casamento da sua cunhada?

– Ai, não me compara àquele sujo! hihihihi

– Eca, nãããã! hehehehe Desculpa!

– Nem sei ainda, miga. Acho que vou naquele salão que você gosta. É lá que fazem uns penteados bem diferentes, né?

– Isso.

– Estou pensando em fazer um que vi numa revista. Mas tem que ter muuuuuito spray. Tem que armar bem o cabelo, é um penteado bem moderno, daqueles meio assim, sabe?

– De lado? É assimétrico, que fala?

– É! Isso! A-DO-RO!

– Sério?

– AMO! Quanto mais pro lado, melhor! Aproveito e faço luzes e mechas. Lá faz maquiagem também, né?

– Acho que faz, nunca fiz.

– Quero uma maquiagem bem discreta, tipo as que estão fazendo hoje em dia nas noivas, sabe? Tons terra, em camadas, sabe?

– Degradê?

– Não, vários tons em cima um do outro, se sobrepondo. É tipo como eu faço em casa, olha aqui em mim, dá para ver as camadas?

– Ah, entendi.

– Aqui estou com tons mais areia, mas no casamento quero aparecer melhor nas fotos, ficar mais corada. Bem muito bronzer! Quero ficar com cara de garota de praia!

– Linda! Vai chamar mais atenção que a noiva!

– É para isso que a gente vai, né? hihihi

– Ai, amiga, você é péssima! hehehe

– Amiga, que foto linda!

– Linda, né? Foi da viagem mês passado.

– Lá tem neve?

– Neste época tem, é lindo!

– Adoro neve! Melhor clima para tomar vinho.

– E lá tem os melhores vinhos do mundo!

– Sério? Ai, quero ir.

– Sério, vale a pena demais. Os meninos vão adorar!

– Espero que sim. Por falar nisso, que horas são? Preciso avisar que eles vão ter que voltar da aula com o pai hoje quando ele sair pro almoço.

– Ele almoça em casa?

– Nada! Quase nunca dá tempo e sempre acabo almoçando só. Ele tem só uma hora de intervalo. Minha empregada sabe cozinhar mas todo dia não dá.

– A gente devia almoçar junta pelo menos duas vezes por semana, né?

– Também acho. Ninguém merece ter que sair para buscar os meninos no colégio e voltar para casa para almoçar. Onde já se viu, sair de casa e voltar pro almoço? Não dá… ainda mais com o trânsito que tem na frente da escola. Uma ruma de gente parada no meio da rua esperando menino sair. E tem uns que estão estacionados, com jeito de quem passou o dia todo dentro do carro. Tem o que fazer não, é?

– Vamos saindo? Já estou ficando com fome.

– E eu com sede desde que você falou em vinho. Vamos beber duas garrafas hoje? Só porque a gente pode? hihihi

– Vamos! hahahaha

– Ai, será que o homem ainda está lá?

– Não, Francisco disse que ele saiu.

– Desocupado. Odeio gente desocupada! Só quer se aproveitar do dinheiro dos outros, se oferecer um emprego não quer!

– Pois é! Vagabundo!

– Não sabe o valor do dinheiro, só sabe pedir! E pior, eu sei que não vai usar para comer ou trocar de roupa, quer dinheiro para se drogar ou beber! Mentiroso safado!

– Certeza!

– Já pensou, eu dar o meu dinheiro para quem não quer nada com a vida? Pega o dinheiro e vai direto comprar drogas e usar escondido. Tudo para não encarar a realidade, né?

– Ninguém merece!

– De jeito nenhum! O dinheiro que eu tenho na carteira não é para dar a vagabundo drogado.

– Você vai pagar o almoço com dinheiro?

– Não, o almoço vou passar no cartão. O dinheiro é pro meu Rivotril que vou comprar no caminho. Não gosto de comprar no cartão porque meu marido sempre olha o extrato e vem brigar comigo. Não posso com isso, me casei só para sair de casa e não ter que ficar ouvindo coisa!

– Sei como é, amiga.

– Vamos passear no shopping depois? Tem muita coleção nova chegando.

– Vamos!

Seja por causa da falsa nostalgia criada pelos desenhos importados que assistimos quando crianças, seja porque realmente provamos daquela maçaroca que teima em residir permanentemente no céu da boca, como uma espécie de anjo bucal, manteiga de amendoim é uma daquelas coisas das quais, aparentemente, todo mundo gosta.
Existe, no entanto, uma dificuldade em se encontrar o produto nas prateleiras dos supermercados brasileiros, visto que não comemos sanduíches de manteiga de amendoim com geleia pois nossa carga horária colegial não engloba a hora do almoço nem temos detenção na cantina por termos sido pegos pelo inspetor de corredor guardando objetos inapropriados nos nossos armários logo após saimos do vestiários depois do treino de basquete onde discutimos com a líder de torcida por ela ter dado mole para o zagueiro.
Paçoca, por outro lado…[1]

Aos que buscam em vão o elusivo vidro de manteiga de amendoim, tenho boas notícias: amendoim in natura é facilmente encontrado em qualquer supermercado e a manteiga é facílima de produzir em casa, com ingredientes e aparelhos que você provavelmente já possui.
Como este texto é para ensinar a fazer biscoitos de manteiga de castanha, sua sorte não está muito boa, no entanto.

Vamos à receita:
Obviamente, se você não encontra a internacionalmente famosa manteiga de amendoim também não encontrará sua prima pobre, feita da castanha do caju. Mas, sinto que sua sorte está mudando, porque vou ensinar como se faz manteiga de castanha bem gostosa de comer.
– Você vai precisar de 300 gramas de castanha (eu usei o que chamam de “castanha caipira” mas recomendo usar daquela bonitinha, tipo exportação), uma pitada de sal, 30ml de mel ou glicose de milho ou xarope simples (pode ser açúcar, mas ajuda ser molhado) e 80ml de óleo.
– Passe a castanha num processador (acho que no liquidificador vai levar bem mais tempo, não testei) até obter quase uma farinha; adicione o sal, o óleo e o líquido doce (morno, para facilitar o escorrimento).
– Continue processando até alcançar a textura desejada. A minha ficou crocante porque deu preguiça de perseguir maior cremosidade. Mas a vida é sua, não sou seu pai, você faz o que quiser.

Agora, para o bicoito (ou cookie) de castanha de caju (ou Cajookie®):
(Note que ele é sem glúten, sem gordura trans ou saturada, sem lactose e totalmente orgânico. Se, no entanto, você não pode comer ovo, eu só lamento, porque ovo é a melhor coisa.)

– Misture 250ml de manteiga de castanha (a receita acima rende um pouco mais que isso, então ainda sobra para você misturar com leite de coco e usar como molho de peixe DE NADA!) com 250ml de açúcar (ou o equivalente no adoçante que já tiver saturado seus receptores mói de evitar o retrogosto – eu usei 125ml de sucralose) e um ovo grande.
Isso deve resultar em uma bola mole que descola da mão sem ficar dura. Se a massa tiver ficado muito molhada, seu biscoito vai escorrer na forma e ninguém quer ver isso. Então coloque uma colher de amido de milho (maisena, minha gente. Amido de milho é maisena, sem pânico).
Se ficar dura demais, me ligue para eu consolar você, já que sua vida tem sido tão difícil ultimamente.

cajookie-ingredientes

Como minha colher de sorvete é graduada eu não preciso tentar medir a manteiga numa xícara nem ficar tentando raspar o que inevitavelmente ficaria pregado nos cantos de um copo-medida. É feio, mas é limpinho.
Deixe o forno esquentar até alcançar os 180°C (você tem um termômetro de forno, né?) enquanto prepara as bolinhas, usando um boleador, uma colher-medida ou, caso você tenha sido criado por lobos selvagens, as mãos.

cajookie-bolinhas

Coloque as bolinhas numa forma untada ou com proteção antiaderente apropriada, dê uma leve imprensada com um garfo para formatar os biscoitos (é mais fácil assim do que tentar transferir discos pré-fabricados, acredite) e deixe no forno por dez minutos, girando a forma uma vez se seu forno não for confiável (e provavelmente ele não é, daí a necessidade do termômetro).

cajookie-forma

Minha massa ficou muito preta por causa da caipirice das castanhas, mas se você usar a variedade mais clara (como eu recomendei) você irá notar as beiradas mudando de cor depois de dez minutos de forno. O cheiro também é um bom indicativo de que eles estão quase prontos.
Você precisa agora deixá-los esfriar. Pode ser num prato, se você for um sobrevivente da guerra franco-prussiana. Caso contrário, se atualize e tenha uma grade de resfriamento em casa.

cajookie

Lembre-se: o mais importante é se divertir na cozinha. E, desde que você não desvie das minhas instruções nem me desagrade, você irá se divertir. Isto é uma ordem!

———

[1] A maioria de vocês chama de paçoca aquilo que é pouco mais que uma manteiga de amendoim esfarelenta, quando na verdade a palavra “paçoca” é de origem indígena e designa “ato de socar carne seca com farinha”. Aí você mistura com feijão verde e cebolinha, joga manteiga da terra por cima e seu sábado está completo.

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