Feeds:
Posts
Comentários

, diz o sujeito que acha normal e completamente lícito se aproveitar dos instintos gregários de um cachorro para mantê-lo no quintal arriscando a vida como cão de guarda. Ou diz a madama que nunca deu uma só hora de expediente na vida e tem um Lasha Apso que recebe mais atenção que suas próprias filhas, incluindo bolo com velas e festa no dia do seu aniversário.

Esse mesmo casal hipotético (mentira, ambos existem) não enxerga qualquer abominação no ato de levar seu animal para ser cruzado com outro, completamente desconhecido, de onde sairão filhotes que virarão rapidamente mercadoria (mais sobre isso adiante).

Creio que essas mesmas pessoas que dizem que a gayzada não pode se casar são as mesmas que estão se revoltando contra os direitos das empregadas domésticas (às quais se referem apenas por “domésticas”, para não deixarem cair no esquecimento os “bons tempos de antigamente” em que escravos se dividiam entre os de lida e os domésticos). Ou seja, essas pessoas ainda acreditam na noção bíblica (uns quatro ou cinco mil anos defasada, modernizada apenas pela influência europeia bimilenar por conveniência cromática) de que as pessoas podem ser divididas em níveis, ou subclasses; brancos ricos > brancos pobres > animais domésticos > animais de produção > pretos e pobres em geral > animais selvagens > abominações perante deus.

Essas mesmas pessoas respeitam a dignidade de animais da carne vermelha (em homenagem à lenda do Hércules hebraico) enquanto, ops!, esquecem de respeitar o dia de descanso da empregada já que “esse bacalhau não vai se dessalgar sozinho e você faz bem melhor que eu e não precisa ficar até tarde, pode sair assim que servir o almoço e tirar a mesa, não precisa vir amanhã mais cedo, pode lavar os pratos antes de sair”. O potencial de enganar a si mesmo com desculpas esfarrapadas é quase tão ilimitado quanto a hipocrisia humana. “Afinal, ela só trabalha aqui por que gosta, se não gostar pede demissão, tem uma fila de gente querendo trabalhar de doméstica e ainda estou provendo para a minha família” – que só se reúne nos almoços de domingo porque ninguém se aguenta com uma frequência maior que essa. E se o restaurante aceitar cachorros, ele vai junto.

Eu até me perguntava “o que diabo essas pessoas têm para se importarem tanto se um cara quiser realmente casar com seu cachorro” até lembrar que já ouvi de uma sujeita que os animais são inocentes (“menos gatos; gatos são dissimulados” e altamente antropomorfizados) e precisam ser protegidos. Para uma pessoa assim, o bem estar dos animais (que não são Os Animais, mas especificamente o seu cachorro) está tão acima dos direitos de um colega de humanidade que ela cria uma ponte lógica que vai de [casamento gay] até [casamento zoofílico], passando apenas por uma etapa, aquela onde os animais criam consciência momentânea apenas para serem contra seu próprio casamento com um humano, possivelmente gay.

Lembram do casal lá no começo do texto que levou seu cachorro para cruzar para que eles e os donos da cadela pudessem vender os filhotes? Se os animais são tão inocentes e precisam tanto de proteção e não entendem o que está acontecendo e não podem casar com gays, por que então, ó demônios que assombram o caráter dos cristãos, eles podem ser forçados a fazer sexo com um outro animal que nunca viram na vida e podem ser vendidos a qualquer um com dinheiro suficiente logo após tomarem a primeira vacina (e terem orelhas e rabos decepados, outro comportamento completamente adequado na cabeça mal formada desses retardados evolutivos com seus cérebros e capacidade cognitiva de lagartos)? Hein? Alguém tem uma resposta?

Ou a resposta é “animais só devem ser defendidos em situações que envolvem indivíduos dos degraus mais baixos da escala de importância – onde aqueles dos quais tenho medo são os mais rebaixados”?

Eu tenho das certezas a mais absoluta que aquele mesmo casal tradicional, em algum momento (talvez numa época de vacas magras, quando a madama achou que deveria pular do barco antes deste afundar ou quando o sujeito conheceu uma dona na Internet e viu crisedemeiaidademente um futuro melhor e mais sexualmente ativo com ela) já chegou ao limite do matrimônio e, enquanto considerava se valeria mais a pena vender o carro agora ou dividir o valor depois, jamais algum achou ruim a existência do divórcio. Que, junto com morte, é a principal ameaça à sagrada instituição do casamento que tanto querem proteger – desde que seja o dos outros.

Porque só um muito profundo desejo freudiano de controlar os outros explicaria esse tipo de atitude, já que existe tanta gente que se sente agredida quando me vê na rua andando descalço, como se o fato de eu ter uma postura altiva ao mesmo tempo em que tenho pés de agricultor fosse uma ofensa pessoal àquele indivíduo que, obviamente, é o centro de todo o universo e pode, não, DEVE!, ter poder de controlar a tudo e a todos.

Desde que seu poder não possa ser aplicado nele mesmo e nunca interfira nos seu desejo de castrar, mutilar e estuprar por procuração animais, nem no seu direito sagrado de não pagar hora extra para a empregada porque ela precisa trabalhar no dia que é sagrado e de descanso para você e para mais ninguém que se intrometa na sua comodidade.

A única “feliz páscoa” aceitável por aqui.

O problema de envelhecer é ficar velho. Essa frase pode parecer uma tautologia ou um daqueles ditames de bolso do tipo “quem conhece, sabe” ou “para quem gosta, é bom” (ou ainda o infame “para quem sabe, é fácil” que eu costumava ouvir muito em época de prova na escola), mas ela melhora com definições mais precisas.

“Envelhecer” significa continuar vivendo, que é o que todos nós neste momento estamos fazendo. O “ficar velho” não é o mesmo que viver por muito tempo (que geralmente só é sinônimo de sabedoria no entendimento popular – que, via de regra, não é nem uma coisa, nem outra); está, sim, mais para que se tornou obsoleto [1].

Assim como as juntas endurecem e a musculatura atrofia, endurece também a parte antes maleável da nossa personalidade que nos fazia gostar de aprender (quem nunca se animou quando descobria como ajustar a hora num vídeo cassete?) e atrofia a região do cérebro que nos dá capacidade de entender e aceitar novas informações (óbvio que DVD é melhor que CD, mas esse tal de Blu-ray só existe para me prejudicar).

"Bullying não existe, o que existe é frescura."

A frase pode ser reescrita como “O problema em continuar vivendo através das mudanças da sociedade é solidificar seus próprios conceitos pessoais em detrimento do bem-estar coletivo”. A frase que dá título a este post é um exemplo bom disso.

O fato do termo não existir antigamente não significa que a atitude não existisse. E, mesmo que esse fosse o caso (que não é), o fato de ele não ter existido antes não significa que ele não exista agora. O que também existe é uma capacidade aparentemente infinita de negação e prepotência, um “tire isso daqui porque isso não existe porque só eu sei o que é verdade e isso aí não é” (tipo o secretário de segurança do Rio Grande do Norte dizendo que os cadáveres a céu aberto no pátio do ITEP documentados em vídeo não existem).

Isso é coisa de gente amargurada com a vida. Não por ter sofrido e não ter conseguido lidar com o sofrimento mas somente pelo fato de estar velho e temer tudo que é novo. Uma síndrome de egoísmo recalcado de “eu não sei o que é isso e não quero que mais ninguém saiba porque eu não estou disposto a aprender”. Ou algo assim. [2]

Eu apanhei no colégio, apanhei dos meus pais em casa e cresci normal.

É. Virou um adulto que acha que bater em criança não só é normal como também deve ser incentivado, inclusive na escola, por desconhecidos. Porque isso vai fazer com que ela cresça “normal”.

Infelizmente, eu sei o que é isso pelos dois lados.

Cresceu para ser um adulto normal, daqueles que defendem a diminuição da maioridade penal e a criminalização do aborto. Porque o problema não é social e, sem dúvida, também não é o crime, mas o criminoso. Adequar a punição ao crime, independente da idade, não é opção, tem mais é que prender esse bando de pivete, que quanto mais jovem, pior. Por isso que deve apanhar e ser preso o quanto antes. Preferencialmente assim que nascer ao fim de uma gravidez indesejada porém forçada.

Um adulto normal que acha que “racismo não existe“, “bandido bom é bandido morto” e que pobre tem mais é que se lascar mesmo, porque ninguém nunca é acusado injustamente e emprego tem sobrando. Você nunca viu “alguém na rua pedindo emprego ao invés de esmola” e lá na sua casa “tem uma pia cheia de louça suja“. Não que você vá contratar um imundo desses para entrar na sua casa. Mesmo porque ele deve ser ladrão, né?

A criança que apanhou tanto em casa quanto na rua cresceu completamente normal e bem ajustada, achando que maconha é igual a crack e heroína, que “destrói neurônios” e, por isso, deve ser proibida e reprimida. Álcool, por outro lado, deve continuar sendo vendido, já que “é uma escolha pessoal beber ou não” e isso “não prejudica mais ninguém além do bebedor“.

Cresceu achando que “bom mesmo era na Ditadura“, porque “não havia corrupção, inflação nem impostos altos“. E ainda por cima “a música era boa e não essa seboseira de hoje em dia“, que deveria ser censurada e proibida. [3]

Adulto que acha um absurdo existir ateu e que a falta de deus no coração é o problema de hoje em dia, onde todo mundo é egoísta e só pensa em si mesmo. Tem que seguir a Bíblia porque só ela tem a Verdade. Não fala em penicilina nem manda ferver água antes de beber e tem também aquela parte controversa onde Jesus ordena que um sujeito “vá, venda os seus bens e dê o dinheiro aos pobres” mas isso você acha que é uma parábola ou uma metáfora, porque fé é a única forma de salvação. [4]

Gays não devem casar porque dar esse direito a eles, de alguma forma, diminui os seus direitos, que permanecerão inafetados. Você cresceu sabendo que gays não podem casar porque isso é proibido pela sua religião (que, aliás, ordena o assassinato sumário dos envolvidos), apesar de isso ser uma questão civil num estado laico. Mas você quer continuar tendo o direito a se divorciar. Só por garantia, sabe como é

Velho durão que nunca sofreu problemas psicológicos por apanhar em casa e tem certeza que a maioria dos casos de estupro são culpa da vítima que anda por aí de roupa apertada, provocando. Quando entram na sua casa para roubar sua TV ou quando abordam você na rua e levam sua carteira, por outro lado, claramente a culpa não é sua por ter bens e andar com eles.

Aliás, mulher já dá motivo, né? Se leva um tapa na cara, do marido, é porque mereceu. Deve ter pensado em voz alta ou provocado um pedreiro a assobiar quando andava na rua (mulher é bicho perigoso, não pode dar chance!). Porque só apanha quem merece mesmo. Menos quando você não coopera e leva uma coronhada do sujeito que queria levar seu relógio. Ele merece apanhar porque deu uma surra em você, que não merecia.

Prega que “feminismo é sexismo ao contrário“, pois, a exemplo da união homoafetiva citada previamente, lutar por direitos iguais para ambos os sexos é, de alguma forma, cercear os direitos dos homens brancos cristãos de classe média que “não são todos iguais, espalhar esse tipo de estereótipo é coisa de mulher“. Reclama que “mulher quer ter os direitos iguais só na hora de ganhar dinheiro mas não quer servir o exército nem trocar pneu[5] mas acha supimpa que teve cinco dias de folga quando casou e jamais diria um “ai” contra a licença paternidade (que, talvez, poderia ser, tipo, um pouco mais longa?). Ter mais dinheiro entrando na conta também não seria ruim, você só não sabe como isso poderia acontecer, não é?

Maria da Penha Maia Fernandes - Nunca precisou sair mostrando os peitos para lutar pelo direito das mulheres! Não, nunca precisou mostrar os peitos. Só precisou recorrer a um tribunal internacional após sobreviver a uma tentativa de eletrocução em sua cadeira de rodas depois de ter ficado paraplégica por ter sido baleada nas costas, enquanto dormia, pelo marido que batia nela e nos três filhos menores de sete anos para que, ao fim de dezenove anos de luta, este ficasse preso por apenas dois anos.

Não deixa a esposa trabalhar porque “não vou deixar minha mulher me sustentar” ou porque “lugar de mulher é na cozinha“, já que mulher quando sai de casa pode “ter ideias” e deixar de ser “mulher de família” que, deus-o-livre, comece a pensar e agir como um ser independente e autônomo. Por outro lado, se bandido for preso, tem mais é que deixar a família desvalida mesmo!, porque auxílio reclusão não deve existir! já que quem não trabalha é vagabundo!, especialmente se for pobre. Mesmo que tenha se tornado pobre somente após a prisão do arrimo de família. Que não deixava a esposa trabalhar.

Videogames causam violência, mas o fato de você ter sido criado como um leão de circo dos anos 30 não. Você é a favor da violência contra crianças mas não é violento, já que no seu tempo não existia Mortal Kombat ou GTA. Só dá “palmada educativa, que nunca fez mal a ninguém“, já que no seu tempo não existia essa violência toda de hoje em dia que começou a pouco tempo e só depois de começarem a proibir violência infantil.

Você é contra a violência à sua integridade física e sua propriedade mas acha que ladrão deve ser morto e não vê nada errado em amarrar alguém num poste ou em linchamentos populares porque “quem rouba merece apanhar” (mesmo não havendo evidências formais do crime, punido com excesso de força). Que, por coincidência, nunca acontece com gente branca de classe média, mesmo com aqueles malditos “direitos humanos que só existem para proteger bandido“. O mesmo bandido que você quer ver linchado pela população e espancado pela polícia. E ainda reclama dessa “violência de hoje em dia” enquanto distribui a culpa entre inúmeros agentes, nenhum dele sendo você. Que apanhou quando era criança e cresceu “normal”.

Você apanhou na escola e em casa mas tudo bem, porque isso “faz bem ao caráter” e “prepara para o mundo real“. Um mundo real onde o seu preconceito e seu desprezo por minorias fomenta a perpetuação da violência alimentada por um caráter defeituoso que crê que surrar seres humanos que ainda nem acabaram de crescer é perfeitamente justificável.

———

[1] Tipo um carro nacional fabricado em 1990 ou um prato de arroz esquecido dentro duma gaveta.

[2] Quem sou eu para julgar?

[3] “Geni e o Zepelim”, por exemplo, composta em 1978 no auge da ditadura pelo artista mais reverenciado como intelectual, é apenas uma música rebuscada e tortuosa sobre estupro e linchamento movido a misoginia. O Rock das Aranhas também é daquela época. Bem como o é o clássico da literatura “superbacana superbacana superbacana Super-homem superflit supervinc superist superbacana, o espinafre, o biotônico, o comando do avião supersônico, do parque eletrônico, do poder atômico, do avanço econômico, a moeda número um do Tio Patinhas não é minha, um batalhão de cowboys barra a entrada da legião dos super-heróis”.

[4] Eu linkei uma passagem editada mas recomendo fortemente a leitura de todo o capítulo 2 do livro de Tiago. Você vai ter uma lição em falso moralismo e hipocrisia.

[5] Isso aí era uma frase minha e costumava passar pela minha boca sob a mínima provocação. Eu nunca pude ser considerado uma pessoa boa, mas antigamente eu era bem pior.

ATUALIZAÇÃO – Leiam os comentários. Eles são terrivelmente instrutivos.

———

—–
COMENTÁRIOS ORIGINAIS:

—–

    1. Paulo disse:

      Muitas palavras, pouco conteúdo.

        • Igor Santos disse:

          É sempre interessante conhecer alguém que tem medo de “muitas palavras”. Não costumo conviver com nenhuma assim, ainda bem.

    1. Pedro disse:

      Bom, colocar 3 links sobre abuso de religiosos contra crianças é ser desonesto. Nenhum professor, advogado, médico, chaveiro, bombeiro, eletricista, político, jardineiro, carroceiro, analista de sistema, psicólogo, pedreiro, etc estrupou ou molestou uma criança?? Molestadores existem em todos os lugares, em todas as profissões. Usar isto pra vangloriar um ateu é ser no mínimo desonesto.

      E outro ponto, você é contra uma palmada numa criança, mas é a favor do aborto?? Uai, você pode provar que um feto não é um ser vivo?? Ninguem pode provar isto. Não há provas. E na dúvida você quer matar um feto, mas é contra uma palmada, é contra amarrar um trombadinha num poste? Mas matar um feto pode? Não consegui entender isto.

      Abraços e boa sorte,

      Pedro

        • Igor Santos disse:

          Mais desonesto que tentar defender a honra dos pedófilos da sua religião tentando desviar a atenção do estupro para as várias citações dos estupros?
          Nenhum professor, advogado, médico, chaveiro, bombeiro, eletricista, político, jardineiro, carroceiro, analista de sistema, psicólogo, pedreiro e etc alega ser o arauto da retidão e defensor da moral. Prefiro me focar nos hipócritas que passam o dia impondo regras de comportamento sob ameaça de tortura eterna e a noite estuprando crianças. Melhor que tentar justificar os atos desses monstros perguntando se nenhum pedreiro molestou uma criança.
          Eu me vanglorio de ser ateu simplesmente pela distância que isso impõe entre mim e essa espécie de gente que você quer defender aqui.

          Você é a favor da palmada e do linchamento? Você acha que espancar um ser senciente – com sentimentos, emoções, sensações e memória – é o mesmo que eliminar um broto de uma ideia do que, talvez, poderia vir a ser uma criança? E ainda é a favor de amarrar um ser humano num poste para que ele possa ser espancado da forma mais humilhante possível?
          Você realmente é tão odioso e vil assim a ponto de achar isso? Sério?

          Defende pedófilos só porque eles são padres e concorda com abuso físico de menores e linchamento E ainda se diz religioso? Ainda bem que eu sou ateu e não me dou com gente da sua laia.

    1. Dani disse:

      Muitas palavras, muito conteúdo e um troll para coroar… texto muito bom, parabéns!

    1. Luis disse:

      Contradição em cima de contradição. Nunca vi alguém ser tão deturpado com as próprias ideias.
      Começa bem, de repente fica estranho. Então fica bem de novo, aí fica estranho.
      Exemplo disso:

      “Cresceu para ser um adulto normal, daqueles que defendem a diminuição da maioridade penal e a criminalização do aborto.”

      É contra a diminuição da maioridade penal mas é a favor do aborto? Qual a lógica? Por que você está certo e quem é contra você está errado?

      Eu sou a favor da diminuição da maioridade penal e também sou a favor do aborto (claro, com seus limites para ambos – tudo deve ser muito bem pensado e regularizado).

      Esse foi só UM exemplo entre todas as imposições de morais que você retrata, fazendo-se parecer o detentor dos bons costumes e do saber viver em sociedade.

      Eu também sou um adulto ateu, que não concordo que a ditadura foi boa, mas que as músicas da época eram sim de cunho muito mais cultural do que as midiáticas de hoje. Preciso mesmo citar o romantismo vazio do “sertanejo universitário” ou a promiscuidade do funk carioca?

      Enfim… opinião é opinião, né.

        • Igor Santos disse:

          Luis, que bom que você vive numa bolha e não conhece o tipo de pessoa ao qual me refiro no texto que, via de regra, é contra o aborto e a favor da diminuição da maioridade penal ao invés de uma reforma em todo o sistema de justiça. O primeiro sendo apenas um ataque misógino contra a liberdade física e pessoal da mulher e o segundo sendo movido por um sentimento de punição irrestrito (que é a base sobre a qual todo o texto se sustenta). Um modelo muito melhor e mais eficiente é o praticado em vários outros países, onde sequer existe conceito de maioridade penal; a punição sendo adequada ao crime, independente da idade.

          Realmente eu não sou quem melhor sabe viver em sociedade (prefiro, claro, culpar a sociedade e achar que eu que estou certo) mas eu entendo os erros que existem e sei entender as evidências que apontam para soluções. Não adianta reduzir a maioridade penal se o país continuar sofrendo do pior dos males; a impunidade.
          De que adianta prender um garoto de 12 anos que trabalha para o tráfico se o importador da cocaína é intocável? Por que criar uma manobra para prender crianças ao invés de, antes disso, começarmos a cumprir as leis que já temos e punir aqueles que merecem ser punidos na forma das regras já vigentes?
          Se o foco for criar novas leis ao invés de impor as já existentes vamos continuar do jeito que estamos, nada vai mudar. Não seja ingênuo.

          O problema de achar que a cultura de antigamente era melhor usando os exemplos mais cultos para comparar com os mais absurdos e ‘chiquitas bacanas’ de hoje em dia é apenas um erro lógico. A “cultura de antigamente” não era melhor, era apenas diferente e, o que resistiu até hoje foi só o filé. O mesmo vai acontecer daqui a trinta anos, quando só a nata da cultura atual continuará sendo apreciada.
          O que não se pode fazer (ou não se deve, por uma questão de consistência lógica) é comparar o que de melhor existiu com o que de pior existe. Não faz sentido comparar Construção com Lepo Lepo, e por vários motivos; um deles sendo que o gosto musical da população em massa mudou e outro deles sendo que o fato de você não gostar de uma coisa não a invalida por completo. Da mesma forma como você se sentiu ofendido quando eu disse que uma música de Chico Buarque deve ser evitada, milhões de pessoas achariam ruim você dizer que Beber, Cair e Levantar não é música. Você que está fazendo juízo de valor ao afirmar (coisa que eu não fiz) que a cultura atual é pior que a anterior. Não é você que decide o que é cultura ou o que é bom ou ruim.

          Naquela época existiam também o romantismo vazio da jovem guarda e a promiscuidade do funk soul. A diferença é que você – e muitos outros saudosistas – preferem esquecer dos exemplos ruins. Só isso.

    1. Santos disse:

      caramba.
      para o autor do texto parace que existe o bem e o mal.

      para o autor, quem acha que bullyng não existia, consequentemente – e automaticamente – também é a favor de punição de menores, homofóbico, machista, a favor da pena de morte, é malufista, e não acredita que o homem foi a lua.

      e outra.
      faltou um lado do pensamento:
      talvez a pessoa saiba qeu existia já antes o bullyng. A diferença é o exagero.
      Talvez a frase seja: no meu tempo, as pessoas não reclamavam tanto assim potando a culpa nos outros. Que é o que o vemos hoje em dia: pessoas querendo processar ou reclamar qualquer direito, só por alguém ter pisado sem querer no pé dela no metrô.

      O problema que qualquer coisa pode virar bullyng. Vivemos em uma sociedade pautada no exagero…. é muito difícil definir o que é exagero e o que não é, e geralmente a pessoa que julta o que é exagerado ou não no ato do outro, também está sendo exagerado (como o autor deste texto).

      no fim, cabe a justiça, por mais falha que seja, julgar os outros. E caad um viver nossa vida, sem criar estereótipos e generalizações dualista em nossas opniões.

        • Igor Santos disse:

          Praticamente a mesma resposta que dei acima. Você supor que eu estou generalizando (já que não disse isso em lugar algum do texto apesar de você dizer “para o autor”) a partir de um exemplo específico que tinha em mente é cometer precisamente o mesmo erro do qual me acusa. Quem está generalizando é você.

          Ao partir da premissa errada e manter o posicionamento errado ao longo do texto, sua percepção ficou enviesada e tudo passou a ser evidência da generalização que você supôs que eu fiz. Como quando você cita o exemplo do processo por pisada no pé e ignora as milhões de outras pisadas que ocorrem diária e impunemente. Quem está exagerando é você, pois está preferindo distorcer o mundo para que ele se pareça com uma imagem que você quer que ele tenha enquanto deixa de lado a esmagadora maioria dos fatos que não concordam com a sua suposição inicial.

          E, finalmente, pelo que você escreveu, posso supor que você acha que a culpa é da vítima, quando diz (sic): “no meu tempo, as pessoas não reclamavam tanto assim potando a culpa nos outros”. A culpa pelo bullying é dos outros. É do bully e dos acobertadores. A culpa pelo bullying nunca é da vítima.

    1. Igor Santos disse:

      AH! Agora eu finalmente entendi!
      Algumas pessoas leem o “você” no meu texto e acham, autocentrada e desempaticamente, que estou me referindo pessoalmente a elas. Uau!

      Eu pensava que eu tinha um senso de autoimportância inflado mas esse pessoal realmente está tentando o recorde mundial.
      Força aí, galera!

    1. Marina disse:

      Eu fui uma criança que apanhou. E hoje sou uma mãe que não bate. Gostei muito do seu texto. Muito mesmo. O pior da palmada é quando a criança acredita que mereceu. Conheço muitas, muitas pessoas mesmo, que justificam as palmadas q receberam porque “teve motivo”, logo, está tudo ok, cresci normal.
      O pior da palmada é fazer a pessoa sentir que mereceu. Isso é muito cruel. É abuso de poder. Talvez a naturalização da violência familiar tenha a ver com a naturalização da violência do estado contra os ditos “criminosos”. talvez.
      Me lembro de um dia, eu devia ter uns 9 anos. Estava num supermercado e uma mãe com dois filhos fazia compras. Um deles começou a “fazer birra” (ou, o que seria birra na concepção do meu pai-logo, motivo pra bater), e a mãe começou a conversar calmamente com ele. Fiquei muito impressionada, pensei, será que conversar vai resolver? Fiquei ali parada um tempão vendo a cena. E me lembro de ficar ainda mais impressionada quando a situação foi resolvida. E eu pensei, talvez pela primeira vez, que era possível que as coisas fossem resolvidas daquela forma. E que eu era muito capaz de entender as coisas. E que eu não precisaria ter apanhado.

      Com minha filha o diálogo funciona :) e ouço muita gente cobrando que, pelo menos, eu a coloque de castigo em alguns momentos. Que sou “mole demais”.
      Infelizmente já bati nela 2 vezes (uma palmada de cada vez) Me dou um desconto porque estava num momento muito difícil. Mas, isso não muda em nada o fato de que ela era uma pessoa totalmente dependente de mim, e que confia quase irrestritamente em mim, e que, no meu momento adoecido, essa confiança se quebrou.
      Ela sabe que não mereceu.
      É difícil percebermos, muitas vezes, que não estamos bem, que precisamos de ajuda. Mas, ao mesmo tempo, o filho está ali e não dá pra “pedir altas” de ser mãe. Mas, ao mesmo tempo, essa atitude continua sendo uma covardia. E não resolve nada. É o mais uma manifestação de impotência. E muitas vezes, as mães também precisariam de cuidado.
      Eu gosto de ser desafiada pela minha filha. Por me conhecer tão bem, ela é a pessoa mais capaz de expor minhas fraudes, e eu realmente mudo muito através desses retornos que ela me dá.
      Eu sou a estranha da família porque apostei que poderia ser diferente, mesmo sem saber se daria certo, mas paguei pra ver e tem sido bem gostoso. E nesse ponto, envelhecer é bom, porque a gente vai ficando mais doce.
      E sobre o bullying, propriamente,
      vejo, em alguns momentos, uma confusão em relação a isso. Crianças e adolescentes são cruéis mesmo. Numa relação entre iguais, que um avacalha com o outro,isso não bullying. Bullying é quando existe desigualdade de poder. O caso extremo é a pedofilia, principalmente de padres e parentes.
      Vejo,muitas vezes, as coisas caírem num pólo muito purista, em que qualquer coisa é bullying, negando a crueldade inerente a ser gente, gente em formação, que experimenta nas relações as formas possíveis de viver junto. As crianças precisam confiar nos adultos.
      Li em algum lugar, uma frase de não sei quem, que é mais ou menos assim, que a medida de saúde de uma sociedade pode ser o grau de acolhimento com que ela recebe os que chegam. Simples, né?

      Enfim, tô escrevendo demais. É que gostei muito do texto e ele me fez pensar muitas coisas.

      Um abraço,
      Marina

        • Igor Santos disse:

          Exato. Bullying não é o mesmo que dois iguais brincando “pesadamente”, mas alguém numa posição de poder se impondo sobre um menor – seja em tamanho, posição social ou idade. E o fazendo deliberada e constantemente. Especialmente, como você citou, fazendo a vítima achar que mereceu.

          Incentivar sua filha a contestar sua suposta autoridade (que dizem existir pelo simples fato de você ser mais velha, algo que nunca me desceu bem) é fazer dela uma pessoa mais esclarecida e confiante. Ao ver você aceitando as dúvidas dela, ela aprende a aceitar as suas.
          Parabéns, você me parece ser uma excelente mãe.

    1. Elizandro Rarvor disse:

      Excelente texto, parabéns.

      Porém, não é um texto simples de ser compreendido, especialmente para pessoas de mente tacanha.

      Eu sou um exemplo, apanhei muito na escola, e apanhava em casa por ter apanhado na escola. Quando cheguei no segundo grau, comecei a fazer musculação e judô, ai parti para a ignorância e qualquer mané que vinha tirar onda levava porrada, foi feio, cometi um ato de vingança contra meu agressor, mas me senti aliviado.

      Me tornei pai e nunca bati nos meus filhos e sempre ensinei a revidar qualquer agressão na escola e a nunca cometer bullying, “não faça com os outros o que você não quer para você.”

      Outro ponto, OFF-TOPIC, que é interessante, não sou ateu, nem praticante de religião alguma, mas acredito no tal ser superior, pois bem, um dos meus 3 filhos com 16 anos se disse ateu, e eu concordei.

      Tudo bem, a mãe dele fez ele fazer catequese e crisma e todas estas cerimonias católicas, para no fim ele se dizer ateu.

      Não sou ateu, mas respeito muito a opinião de quem o é.

      E como eu mesmo comprovei, não há o que fazer com personalidades tão diferentes.

      Levei meus filhos na igreja, minha mulher fazia questão de todos estarmos lá, nunca dei opinião contrária e respeitei esta fase da vida.

      No final??? Um filho continua indo na igreja o outro não vai mais mas continua rezando e sendo católico, o outro é ateu.

      Curioso que o ateu era o mais estudioso da catequese, tinha boas interpretações dos ensinamentos religiosos e ???? E nada, viu algo que o convenceu de algo totalmente oposto. Está se preparando para cursar engenharia.

      Ele me disse que não liga de ter que fazer aulas religiosas e etc, apenas o faz, bem feito, e segue a vida sem criar polêmicas, diz ele que não tem tempo para perder com discussão tola e sem sentido, por isso ele diz que respeita a opinião dos religiosos e sabe que ser ateu é sofrer mais preconceito do que se você for um estuprador, esquartejador, mas seguidor de Jesus, que encontrou a salvação na bíblia, até sair da cadeia, ai a salvação é perdida novamente.

      Desculpe o relato, apenas uma constatação.

    1. Danilo disse:

      Excelente texto. Um dos melhores textos que li sobre nossos autoproclamados “moralistas”. Pena que nem todos têm a capacidade de, ou, simplesmente, não querem, refletir sobre o conteúdo. Parabéns.

    1. Sil disse:

      Excelente texto!

      Principalmente a parte que fala sobre distorcer os fatos para encaixar a realidade no que se acredita que ela é (aqui no cel ainda não sei como selecionar um determinado trecho, copiar e colar, então tentei explicar o conteúdo do referido trecho… rsrs)
      É impressionante a capacidade que algumas pessoas têm de desprezar dados facilmente perceptíveis por qualquer um que não viva em marte e tentar invalidar um argumento com base no absurdo princípio de que falar de regra sem considerar a exceção é generalizar.

        • Igor Santos disse:

          Er.. não. Você que está vendo regra no que eu escrevi. E isso diz mais do seu modo de ver o mundo do que o meu texto.
          Você provavelmente se sentiu ofendida por ter lido o seu comportamento nas frases que escrevi e está vindo com esse “opa, peraí, não é assim” para tentar defender uma posição indefensável pelo simples fato de não ter capacidade de identificar uma falha grave no seu caráter ou coragem de admitir que está errada.

          Reiterando; é você que está supondo que eu afirmei que o texto é regra. A interpretação disso é sua, você que “leu entre as linhas” por causa do seu próprio viés.
          Mas eu sei que estou perdendo meu tempo, você não tem condições de entender algo tão simples.

    1. Sil disse:

      Só não entendi a sua definição da música da Geni. Essa música não é justamente uma crítica ao falso moralismo?

        • Igor Santos disse:

          Independentemente da “lição” da música (que não é exatamente explicitada, então só temos podemos supor que é uma versão irônica), é uma letra sobre estupro e linchamento.
          Os velhos hoje em dia querem proibir músicas com teor sexual consensual enquanto aplaudem e acham linda Geni ser estuprada e depois linchada.
          Esse sim é o verdadeiro falso moralismo.

  1. Curuma disse:

    Texto interessante, mas carece de melhores argumentos para defender a descriminalização do aborto de maneira tão efusiva. O parágrafo marcado pelo número [4] é brilhante e as referências foram muito bem marcadas. Parabéns.

    • Igor Santos disse:

      Do meu ponto de vista, a única defesa necessária é: dar à mulher direito ao seu próprio corpo. Existem incontáveis circunstâncias que não são consideradas quando homens escrevem uma lei genérica sobre algo do qual não entendem.
      Dizer “aborto é proibido e pronto!” é muito mais nocivo para todos os envolvidos, dos indivíduos à sociedade. Não há um só argumento favorável à criminalização que não seja baseado em preconceito e misoginia. Portanto, qualquer mínimo argumento contra, por mais fraco que seja, já é infinitamente melhor.

Penso que você acha a vida tão problemática porque acredita que existem as pessoas boas e as pessoas más. Você está, é claro, errado. Existem, somente e sempre, as pessoas más; sendo que algumas delas estão em lados opostos.

– Lord Havelock Vetinari

Política não é meu filão. Como eu não sou programador, a ideia de um mundo binário me escapa e eu tento me afastar um pouco dos que só enxergam o “eu” e o “eles” e isso inclui futebol, religião, cara-ou-coroa, esquizofrênicos bipolares e, especialmente, política.

Esclareça-se: meu uso da palavra “política” neste texto diz respeito ao entendimento popular, ou a “definição do torcedor”, como só eu chamo. No Brasil (e aqui uso a palavra “Brasil” para designar aqueles que estão perto de mim com a boca constantemente mexendo para evitar que o cérebro comece a funcionar), a palavra “política” significa “PT vs. PSDB, e eu estou de um lado e odeio qualquer um que se declare apoiar o outro”. Comportamento típico de torcedor, daí minha definição.

Quanto à definição de “política” como “princípios que visam guiar decisões para alcançar resultados racionais”, sou 100% partidário. Mas eu possuo um dicionário em casa então posso estar um pouco desconectado da realidade.

Arranjem um quarto, vocês dois!

Arranjem um quarto, vocês dois!

Eu, como já deixei claro em algumas ocasiões (de batons com chumbo ao letal caso do camarão com vitamina C, passando pelo alarde dos “espelhos falsos”), não sou imune a spams pseudocientíficos mas, agora, parecem estar expandindo a área de mensagens indesejadas na minha caixa de entrada. Passei recentemente a receber emails com críticas ao governo (ou, melhor dizendo, emails dizendo que o PT é feio e bobo). Um deles discorre sobre a (não-) polêmica do uso (não-) inadequado da palavra “presidenta” pela corrente (Girino maldito!) atual ocupante da cadeira principal de Presidência da República Federativa do Brasil.

Contendo inúmeras mudanças de tamanho e cores de letra e toda sorte de ênfases inapropriadas, o texto, aparentemente escrito por Miriam Rita Moro Mine (mais sobre ela daqui a pouco), nos conta como a “presidenta” já foi estudanta quando adolescenta e representanta de ‘etc’, ETC, ~etc~, etc, e minha paciência é muito pouca para textos nojentamente escritos e peço perdão por ter feito vocês provarem um pouco da orgia gráfica que é aquilo que me mandaram.

O original é bem pior, acredite.

Imagem representativa do estado dos meus olhos e da minha saúde mental após ler o email da “presidenta”.

Uma belíssima aula de português.

Foi elaborado para acabar de vez com toda e qualquer dúvida se tem presidente ou presidenta.

Será que está certo?

Acho interessante para acabar com a polêmica de “Presidente ou Presidenta”

A melhor forma de acabar com a “polêmica” citada é admitir que ela nunca existiu e quem escreveu isso é só muito afetado e precisa cuspir em alguém para se sentir bem.
Uma coisa que vou dizer logo agora, estragando a surpresa vindoura: obviamente quem escreveu o trecho transcrito acima não foi a mesma pessoa que elaborou a “belíssima aula de português”, considerando a falta de ligação entre frases sem sujeito. Só faltou um “#comôfas” ali depois da interrogação.

Isso e a incapacidade de saber que o gênero de “aula” é feminino e que um substantivo mulher nunca poderia ser “elaborado”. O resto da frase eu não consegui entender, então não vou comentar.

A imbecilidade toupeirice tapadez suposta “aula de português” começa da seguinte maneira:

A presidenta foi estudanta?

Existe a palavra: PRESIDENTA?

Que tal colocarmos um “BASTA” no assunto?

É. Que tal?

Segundo o Loogan/Houaiss – Enciclopédia e Dicionário (ano de 1998 – ISBN 85-86185-01-9), na página 1299 temos o verbete:

PRESIDENTA s.f. Mulher que exerce função de presidente.

Ou seja, essa definição existe numa cópia física (a única que tem perto de mim no momento em que escrevo isto) desde que a ré, Mônica Dilma, era apenas uma estudante de doutorado em economia (durante uma pausa que fez em sua carreira política entre 1995 e 1999).

Segundo o FLiP (Ferramentas para a Língua Portuguesa), que abriga o dicionário on-line Priberam (vejam aqui o verbete “presidenta”):

A palavra presidenta pertence à língua portuguesa.

Podemos fazer esta afirmação, por um lado, porque a palavra tem indesmentivelmente curso na língua (o que é possível aferir através da pesquisa em corpora e em motores de busca) e, por outro lado, porque está registada em todos os dicionários e vocabulários contemporâneos consultados, nomeadamente nas principais obras de referência da lexicografia portuguesa e brasileira, como o Vocabulário da Língua Portuguesa de Rebelo Gonçalves (1966) ou o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras (5.ª edição, 2009). Não sabemos ao certo desde quando é que este registo lexicográfico é feito, mas a palavra constava já do Novo Dicionário da Língua Portuguesa de Cândido de Figueiredo (1913) ou do Vocabulário Ortográfico e Remissivo da Língua Portuguesa de Gonçalves Viana (1914).

Desde 1913, hein?

Pronto. Basta dado.

E bem dado.

Se tivesse que chutar, não diria que Dilma está a elogiar a gravata de Fernandinho.

Se tivesse que chutar, não diria que Dilma está a elogiar a gravata de Fernandinho.

Mas calma, o que é isso aqui?

Meu espirito deu um salto para traz, como se descobrisse uma serpente deante do si. Encarei o Lobo Neves, fixamente, imperiosamente, a ver se lhe apanhava algum pensamento occulto… Nem sombra disso; o olhar vinha direito e franco, a placidez do rosto era natural, não violenta, uma’placidez salpicada de alegria. Respirei, e não tive animo de olhar para Virgilia; senti por cima da pagina o olhar delia, que me pedia também a mesma cousa, e disse que sim, que iria. Na verdade, um presidente, uma presidenta, um secretario, era resolver as cousas de um modo administrativo.

Uai!? Quem terá sido o analfabeto comunista safado e moderno que escreveu tamanha besteira?

Ora, meus caros, ele não é analfabeto, apenas de outra época. Mais especificamente 1880, durante o Império do Brasil. Mais especificamente ainda, Machado de Assis, no capítulo 80 do seu livro Memórias Póstumas de Brás Cubas (ou, no português original do século retrasado, “Memorias Posthumas de Braz Cubas”).

Então agora já chega, né? O verbete tem pelo menos 133 anos.

Mas nãããããããããããão, o spammeiro não quer saber de basta, para satisfazer sua doença mental ele quer agredir a figura pública que representa o outro time, objeto do seu ódio.

Baixinha, dentuça, gorducha (menos na época do câncer), sempre de vermelho, andando com um amigo que fala errado e outro que é bem sujo.

A mensagem indesejada continua, incluindo agora um nome e um título: Miriam Rita Moro Mine – Universidade Federal do Paraná.

Excelente! Um ponto objetivo para a nossa análise.

Antes de qualquer outra coisa, vejo no Currículo Lattes que Miriam (que é doutora e passará a ser denominada doravante Dra. Mine) é realmente da Universidade Federal do Paraná.

Em seguida, alguns poucos segundos no Google me devolvem um post chamado Esclarecimento, de um sub-blog do Blog do Noblat (tudo bem, não chamaria essa fonte de “confiável”, mas…), onde a autora diz ter recebido um (sic) “desmentido formal” da doutora, que diz:

Prezada Sra Maria Helena

Nunca escrevi absolutamente nada sobre a existência ou não da palavra “presidenta”. Meu nome está sendo usado indevidamente como autora de um texto que circula na internet e na imprensa.

Sou professora da Universidade Federal do Paraná – UFPR, Departamento de Hidráulica e Saneamento, graduada em “Engenharia Civil “ e com pós-graduação em cursos de “Engenharia“ (Mestrado e Doutorado) e professora de cursos de “Engenharia” na UFPR (ver meu Curriculum Lattes – http://www.cnpq.br – plataforma lattes)

Eu jamais escreveria um texto que não fosse da minha área de atuação.

Miriam Rita Moro Mine

Miriam Rita Moro Mine

Universidade Federal do Paraná

Departamento de Hidráulica e Saneamento

Caixa Postal 19011

81531-990 Curitiba – PR

Como Maria Helena (a autora do blog citado) diz que havia publicado o spam “coberto de elogios”, acho que não haveria de se retratar tão facilmente por causa de uma mensagem anônima.

Bom, eu realmente não sei. O que sei é que no blog de Juca Kfouri, aparentemente a propósito de nada, encontro um comentário que lê (sic):

Prezados Circula na internet um e-mail sobre a palavra presidenta como se fosse de minha autoria. Nunca escrevi nada sobre este assunto. Sou professora de cursos de Engenharia e não de Gramática da Língua Portuguesa. Miriam Rita Moro Mine

Renan Calheiros está pegando na aliança. O que será que Lula está cochichando?

Renan Calheiros está pegando na aliança. O que será que Lula está cochichando?

Novamente, como não posso confirmar a identidade da comentarista, não posso afirmar que ela não escreveu o texto que virou spam.

O que posso confirmar é que existem versões mais antigas que não contam com a assinatura dela (cuja primeira referência é justamente em outro post do blog de Maria Helena, em 14 de outubro de 2010).

Por exemplo: em 16 de junho de 2010, no blog webartigos, foi publicado o texto Espelho, espelho meu, existe redação mais bela do que eu? que inclui uma versão do spam afirmando explicitamente que “no e-mail não há identificação do autor”.

E, em primeiro de novembro de 2010, um comentarista do blog Palavras e origens – Considerações Etimológicas cola o texto referido e é prontamente respondido pelo autor do blog com a mensagem: “Prezado, esse texto que você envia (sem autoria) apareceu pela primeira vez no site Levante-se Brasil, cujos organizadores mantêm essa comunidade no Orkut — http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=73197065.”

Eu juro que tentei entrar na tal comunidade (desde agosto do ano passado, de fato, quando primeiro pesquisei a respeito) mas não consegui. Mais um beco sem saída.

Por outro lado, mais uma confirmação de que o texto não é de autoria da Dra. Mine (digo “confirmação” porque quem sai por aí colando esse tipo de besteira não tem capacidade intelectual suficiente para editar informações – que o digam os comentaristas de um texto meu).

O líquido na taça está numa posição esquisita. Estariam os dois deitados?

O líquido na taça está numa posição esquisita. Estariam os dois deitados?

Continuar minha barragem (ver 4) a partir daqui seria bater em quem está no chão.

Mas como eu só luto sujo, deixo o golpe final para o senhor Juscelino Kubitchesk

LEI Nº 2.749, DE 2 DE ABRIL DE 1956

Dá norma ao gênero dos nomes designativos das funções públicas.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o CONGRESSO NACIONAL decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Será invariàvelmente observada a seguinte norma no emprêgo oficial de nome designativo de cargo público:

“O gênero gramatical dêsse nome, em seu natural acolhimento ao sexo do funcionário a quem se refira, tem que obedecer aos tradicionais preceitos pertinentes ao assunto e consagrados na lexeologia do idioma. Devem portanto, acompanhá-lo neste particular, se forem genèricamente variáveis, assumindo, conforme o caso, eleição masculina ou feminina, quaisquer adjetivos ou expressões pronominais sintàticamente relacionadas com o dito nome”.

E, desta página, concluo da situação que: NÃO CONSTA REVOGAÇÃO EXPRESSA.

É presidenta. E quem disse foi um homem, o que significa que está certo e deve ser obedecido.

Agora morram todos de hemorroida explosiva.

Finalizando e esclarecendo: eu acho que o mundo só vai ser um lugar bom quando Lula morrer enforcado nas tripas de FHC (ou equivalentes). Mas eu odeio extremistas e acho que todos eles devem morrer da forma mais brutal possível, principalmente os violentos. [1]

Uma frase ótima que achei durante minha pesquisa e vou, daqui em diante, passar como minha (mantendo a tradição dos spams): Não misture vernáculo com ideologia.

2 x 3 = 6. Se esse não foi o sinal da besta, eu não sei o que é.

2 x 3 = 6. Se esse não foi o sinal da besta, eu não sei o que é.

São todos iguais, pessoal. Parem de se enganar achando que existe “o outro lado”.

Concluo com uma frase do próprio spam:

Por favor, pelo amor à língua portuguesa, repasse essa informação..

Essa frase lembra alguma outra?

Texto original do spam para fins de pescar paraquedistas e misturar analogias (sem a bizarra edição gráfica pois sou bonzinho):

A presidenta foi estudanta?Uma belíssima aula de português.
Foi elaborado para acabar de vez com toda e qualquer dúvida se tem presidente ou presidenta.
Será que está certo?
Acho interessante para acabar com a polêmica de “Presidente ou Presidenta”
A presidenta foi estudanta?
Existe a palavra: PRESIDENTA?
Que tal colocarmos um “BASTA” no assunto?
Miriam Rita Moro Mine – Universidade Federal do Paraná.
No português existem os particípios ativos como derivativos verbais. Por exemplo: o particípio ativo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendicar é mendicante… Qual é o particípio ativo do verbo ser? O particípio ativo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade.
Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionarem à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte.
Portanto, à pessoa que preside é PRESIDENTE, e não “presidenta”, independentemente do sexo que tenha.
Diz-se: capela ardente, e não capela “ardenta”; se diz estudante, e não “estudanta”; se diz adolescente, e não “adolescenta”; se diz paciente, e não “pacienta”.
Um bom exemplo do erro grosseiro seria:
“A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta.
Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta”.
Por favor, pelo amor à língua portuguesa, repasse essa informação..

P.S. Mas eu achei o texto massa. Queria eu tê-lo escrito, pois é bem meu filão. Só jamais o faria pelas falhas gramaticais aberrantes.

[1] Para os mais lentos de raciocínio, isso foi uma piada do tipo autorreferente de propósito autoderrotado.

Estou me divertindo deveras registrando aqui os filmes que vi em cada mês. No entanto, me conhecendo, não há de durar. Talvez no futuro eu apenas liste o que vi e fale alguma coisa só do que achei melhor.
Porém, este mês será como o passado e aqui vai a lista, os trailers e minhas impressões de tudo que vi em fevereiro.

Open Grave (2013)

Mais um filme novo que me agradou. Talvez ter um diretor espanhol e um protagonista sul-africano sejam parte do motivo.
Não vou dizer muita coisa para não estragar as surpresas (também não leiam a descrição da Wikipedia) mas direi o seguinte: finalmente uma nova visão de um gênero clássico dos filmes de terror.

Inglourious Basterds (2009)

História alternativa da Segunda Guerra onde um grupo de soldados americanos judeus se juntam para escalpelar nazistas e matar Hitler. Por Tarantino. Com Christoph Waltz e todos os outros homens bonitos de Hollywood (tem Mike Myers também, mas ele não estraga o filme).
Nunca vai ocupar o primeiro lugar em nenhuma lista de melhores (de ação, de humor, de guerra, de história alternativa, de Tarantino, etc), mas tem a melhor atuação de Brad Pitt desde que ele se meteu com Freddy Krueger no anos 80. E Christoph Waltz.

Kill Bill Volume 1 (2003)

Lembro de ter visto este filme no cinema logo após ter assistido a outro (possivelmente Lost in Translation ou o terceiro Matrix) e ter bebido três litros de água no intervalo entre eles (estava num período crítico de cálculo renal e hiperidratação era minha terapia de escolha). Como o filme tem duas horas, a única impressão que carregava era de não ter gostado, especialmente do duelo perto do final, quando já chorava lágrimas ricas em nitrogênio (nunca gostei de perder partes de um filme só porque preciso atender ao chamado das minhas necessidades fisiológicas urgentes).
Desta vez, no entanto, apreciei mais o cuidado de Tarantino com a composição (e homenagens) que já começa forte desde literalmente o primeiro segundo dos créditos iniciais. Tirando o “cabo fu”, que é meio decepcionante por chamar tanta atenção, todas as cenas são tratadas com um cuidado excepecional, especialmente os efeitos especiais práticos (sangue, desmembramento, maquetes, modelos, etc), uma marca registrada de Tarantino até hoje (pensem no escalpelamento em Inglorious Basterds e explosões em Django Unchained).
E o humor ultraviolento dele é contagiante. O filme é tão extremo que passa para o outro lado e se torna manso e reconfortante. Ou talvez eu tenha algum defeito.

Friday the 13th Part 2 (1981)

Para o que possivelmente é o pior trailer já lançado, a segunda parte da decalogia Vorhees é surpreendentemente um bom filme. Talvez até melhor que o primeiro e certamente infinitas vezes melhor que qualquer outro depois (exceto Jason no Espaço num dia bom), especialmente aquela abominação abortada por Michael Bay e sua produtora maldita que está refilmando clássicos do terror usando os mesmos nomes dos originais, forçando as pessoas de bom gosto a se referir aos seus filmes prediletos adicionando o sufixo “o original”.
Filosofando a respeito da série, me dei conta de que o primeiro filme tem uma reviravolta final (o assassino não é Jason, mas sua mãe *spoiler alert*) que só existe porque as pessoas se familiarizam com o conceito de Friday the 13th antes de assistirem ao seu primogênito. Na época, o plot twist ou não existia ou era apenas um resquício de sexismo do gênero, onde mulheres não podem ser matadoras seriais.

Bonnie and Clyde (2013)

Uma minissérie em duas partes que foi consolidada em um filme de três horas pelo Netflix. Tentei ver mas não consegui ficar acordado. Não por culpa do filme; eu realmente estava cansado e preferi dormir.
Meire viu e achou fiel à história real, então suponho que seja interessante.

Cube (1997)

O canandense Cube me me conquistou com a primeira cena. Pena que perde bastante a qualidade quando os personagens começam a se desenvolver e se flanderizam, chegando a extremos sem passar por etapas intermediárias.
A parte boa é que o filme fica sem muita explicação (o que poderia ferir seriamente a narrativa se tentassem explicar aquele conceito absurdo), que eu acho um artifício muito pouco usado em ficção científica, onde a maioria dos diretores (ou executivos, provavelmente) acha que precisa justificar uma situação inventada e acaba por atrasar a ação ou tirar a graça de algo que meu cérebro poderia explicar de forma muito mais interessante.
No fim das contas, Cube sofre do mesmo problema da maioria dos high concepts; uma premissa potencialmente excelente estragada por traços de personalidades clichês e/ou conflitos interpessoais desnecessários e desinteressantes. Eu vejo todos os dias querelas insignificantes entre pessoas chatas mas raramente vejo um cubo gigante cheio de armadilhas; por que não se focar mais nisto e menos naquilo?

Jurassic Park (1993)

O que dizer do filme com o melhor uso de CGI até o lançamento de District 9? Talvez “não é tão bom quanto você lembra”? O filme é bom, só não é tão bom quanto minha mente adolescente fez parecer.
Vale a pena totalmente mas me decepcionou um pouquinho. Nada grave, só a inexorável realidade da maioridade pesando um pouco sobre o filme.
E Sam Neill, que não consegue manter o sotaque quando está excitado (e um matemático que sabe mais de biologia do que dois paleontólogos).

The House of the Devil (2009)

Este filme tenta criar tensão mas acaba sendo mais um estudo do tédio adolescente do que um filme de terror. E, de todo jeito, tensão demais acaba virando chatice. E THotD é extremamente chato.
Como eu disse no Twitter enquanto via o filme, a parte mais perturbadora é ver Frances Ha comendo e a melhor cena são dez segundos de Night of the Living Dead que passa na TV e serve de premonição para uma perseguição num cemitério que tem perto do final.
Não fosse o satanic panic dos vinte minutos finais, isto nem poderia ser rotulado como terror. Talvez “filme de expectativa”, se o gênero existir.
Mas é inegável que o filme é bonito e tem estilo. Talvez seja uma boa alternativa à lareira do Netflix para deixar rodando na TV enquanto você tem visita.

Pontypool (2008)

Mais um filme canadense que me conquista com a primeira cena.
Da mesma forma que Open Grave, Pontypool dá uma guinada num gênero já estabelecido e cheio de clichês e finalmente nos dá algo original. Eu só não sei o que esse algo é.
Ainda não sei se gostei do filme porque ele é desses. É muito bem feito, bem atuado, bem dirigido, bem mixado, etc, etc e a estória é indubitavelmente original mas até agora eu não sei o que pensar dele porque não consegui entender a mensagem que o filme quer me passar.
Se bem que o fato de eu estar ansioso para revê-lo deveria ser uma indicação de que gostei do que vi. Recomendo que vocês vejam Pontypool (até o último segundo). E depois me contem.

Haunter (2013)

Ainda outro filme canadense. E este, do mesmo diretor de Cube, é totalmente excelente. A cada dia o Canadá me agrada mais. Parece que as pessoas lá são mais sabidas e gostam de coisas novas.
O que acho mais impressionante em Haunter é como Little Miss Abigail Breslin Sunshine é boa e carrega o filme. Seus colegas contracenantes são bons também, mas ela (em parte por obra do roteiro) está vários degraus acima. Quando ela tem medo, você tem medo. Quando ela decide agir, você não só concorda como torce e incentiva. Quando ela está em apuros, você se desespera por não ter como ajudar. Excelente atriz.
Tomara que a vida de atriz-mirim não estrague sua cabeça e ela não lindsaylohaneie. Seria uma pena perder uma atriz assim.
Haunter é talvez o melhor filme novo que vi este mês e é ainda outro que dá uma torcida num gênero. Recomendo fortemente.

One Flew Over the Cuckoo’s Nest (1975)

Clássico do terror psicológico (não normalmente, mas eu cresci com certa proximidade de pacientes mentais, então sou meio sensível a este tipo de ambientação) onde Jack Nicholson jacknicholsoneia à vontade no único papel que ele sabe representar bem: ele mesmo.
Não conheço a história da produção do filme mas creio que os atores tiveram aulas com psiquiatras ou até mesmo com pacientes porque todos eles são incríveis nos papéis de neuróticos, hipomaníacos, retardados e até um Doc Brown que é claramente um esquizofrênico na medicação errada. O que não me surpreenderia se fosse realidade e o diretor de elenco tenha só trocado o remédio de Christopher Lloyd.
Danny DeVito é tão bom neste filme que até agora eu não sei se aquilo é realmente ele ou só um doidinho qualquer que parece com ele e o diretor aproveitou para fazer uma pegadinha com a audiência (como nos créditos finais de Fargo – google it).
Muito se fala da enfermeira, chamada muitas vezes de “a pior vilã do cinema”, mas nunca achei que ela fosse má, apenas rígida com as regras que protegem não só a equipe da clínica como também seus pacientes (voluntários em sua maioria).
E, finalizando, OFOtCN tem uma ponta do meu monstro favorito, Michael Berryman, no que eu acredito ser seu primeiro crédito como ator, dois anos antes de conquistar Hollywood (nem tanto) em The Hills Have Eyes.
É um filme triste que nunca dá trégua e que acaba angustiante. Revi só confirmar isso.

Léon: The Professional (1994)

Primeiro filme de Natalie Portman (que, cinco anos mais tarde – e ainda uma criança – ficaria famosa por ser a única coisa boa em Star Wars) em que ela parece estar dando um José Wilker e overacting, mas Mathilda é uma garotinha tentando lidar com uma vida trágica se fazendo parecer mais velha e Portman faz isso perfeitamente. E mesmo assim ela é a adulta no relacionamento com o matador profissional que é bom com as mãos porque nunca perdeu muito tempo com o cérebro.
Gary Oldman mastiga o roteiro e cospe sua melhor performance até (não sei de Tinker Tailor Soldier Spy porque aquele filme não me deixa ficar acordado) Call of Duty.
Eu e a esposa queremos uma continuação, com Mathilda adulta recebendo a simbólica tocha de Léon, prestes a se aposentar. Eu adoro filme com mulheres duronas (You’re Next, estou olhando para você) e Meire gosta de ver mulher destruindo geral. Seria bem divertido. Talvez não tanto quanto um filme inteiro dedicado ao personagem de Oldman, no entanto.

A Fantastic Fear of Everything (2012)

Apesar da música que começa no trailler acima aos 36 segundos ser uma das melhores das últimas décadas (e não-creditada em lugar algum, tornando impossível saber de quem é), o filme não é lá essas coisas todas. Deveria ser uma comédia mas não é muito engraçada, tem elementos de terror que não assustam e uma premissa esquisita que dá impressão do filme ser o segundo episódio da terceira temporada de um seriado que eu deveria conhecer para que tudo aquilo fizesse sentido.
Não vejam. É chato.

Halloween (1978) com comentário do Red Letter Media

Valeu a pena ver o filme mais uma vez. Mas só pelo filme mesmo, visto que o comentário não é nem um pouco interessante (a não ser que você queira saber da vida dos comentaristas e quais casas famosas de filmes eles visitaram). Ainda estou esperando o blu-ray box set de John Carpenter com dezenas de horas de extras e várias camadas de comentários dos envolvidos com o filme.

Big Trouble In Little China (1986)

Um faroeste moderno/comédia de ação e outro que tinha visto pela última vez numa Sessão da Tarde dessas, cuja dublagem tira 70% da graça. É um filme excelente e que se sustenta muito bem hoje em dia (apesar de ser bem do seu tempo), especialmente no humor sutil de Kurt Russell, possivelmente o protagonista mais inútil do cinema até o aparecimento de Frodo.
A música que toca nos créditos é da banda de John Carpenter, The Coup de Villes, e é tão ruim que sempre achei que a banda fosse toda ruim, até achar este outro exemplo. Não vou procurar mais, vou deixar o placar empatado mesmo.
Vão ver BTiLC. Garanto que é divertido.

Re-Animator (1985)

O filme mais famoso de Stuart Gordon, influente diretor de filmes B (e idealizador de Querida, Encolhi as Crianças, fato que descobri agora há pouco). Supostamente inspirado em um conto de Lovecraft, este filme é muito ruim. Muito. Eu não acredito no conceito de “tão ruim que é bom” e nada nele chega a ser bom, só ruim.
Ele tenta se sustentar fortemente no conceito e no sangue mas esquece que continuidade e atuação são importantes. Mas não tanto quanto foco narrativo, que é absolutamente ausente do filme.
Talvez na época fosse interessante (mesmo Hammer Films já tendo feito praticamente tudo aquilo, e melhor, há pelo menos duas décadas) por causa dos efeitos da mesma forma que Avatar foi na época do lançamento, mas como é muito fraco em coesão e narrativa, só existe mesmo o saudosismo de alguns para manter este filme em listas de melhores.
Se bem que eu admiro a presença de espírito do pôster de Stop Making Sense, do Talking Heads, no começo do filme.

Dolls (1987)

Mais um de Stuart Gordon. Achei que seria melhor que Re-Animator e, talvez seja, mas continua não sendo bom. Começa com o velho clichê do carro quebrado perto dum castelo esquisito e entra em outro, o do casal de velhinhos aparentemente benevolentes para em seguida virar um festival de cenas bizarras onde pessoas más (nem Esopo tem moral tão rasa) são atacadas por bonecas que, apesar de ultraviolentas e impiedosas, estão fazendo o bem? Eu acho?
A apresentação dos creditos é extremamente perturbadora e as bonecas do título são extremamente bem feitas (sério, vale a pena encarar o filme só para ver os efeitos especiais envolvendo as bonecas), mas o filme tem valores de produção inexistentes, as atuações são nível presépio vivo (exceto o ator que faz o “adulto bonzinho” imune ao julgamento sumário dos monstros), o roteiro é abominável (“e se eles tiverem saído de casa por causa da tempestade!?“; “você vai gostar da minha mãe. Ela é jovem é beeeeem bonita“) e é difícil dizer para quem esse filme foi feito. Ele tem uma lição de filmes infantis (“seja bonzinho”, “nunca cresça”, etc) enquanto se apoia em violência gráfica e imagens assustadoras.
Bom, eu não me arrependo de ter visto Dolls (são só 72 minutos) como me arrependo de ter perdido tempo com Re-Animator mas acho que não verei outro Stuart Gordon por um bom tempo (me perdoe, Castle Freak, mas acho que não vou ver você arrancando o próprio ding-dong e removendo a mordidas o mamilo de uma prostituta).
Tem completo no Youtube se vocês quiserem ver as bonecas.

Le cochon de gaza (2011)

Uma suposta comédia que depende do público achar graça da desgraça alheia. Um pescador mulçumano palestino pesca um porco no mar e sua vida já miserável piora consideravelmente. Não aguentei ver até o fim mas, se algum de vocês assistir e gostar, recomendo ver também a igualmente triste comédia australiana Kenny.

Beetlejuice (1988)

Vendo este filme não tenho como não pensar “Genna Davis deveria fazer mais comédias”. Todos os atores (os que contam) são excelentes em seus papéis, desde o canastrão Otho à depressiva Lydia, passando pelo homônimo (quase) Betelgeuse (é mais um homófono), o ser mais repugnantemente vil do cinema. As performances são todas ótimas e bem afinadas, mas nenhuma se compara à de Geena Davis, reagindo ao fato de ter virado uma fantasma.
A atenção de Tim Burton aos detalhes é incrível, mesmo quando eles ficam meio segundo na tela e não chamam qualquer atenção para si (como o buraco na ponte da maquete) e Beetlejuice é seu melhor filme, sem dúvida (apesar de eu não ter visto Frankenweenie ainda). Todos os efeitos práticos funcionam (menos a dancinha de Winona Ryder no final, mas isso é mais culpa dela ter nascido branca) e o stop-motion eventual é tão esquisito que se encaixa perfeitamente na visão distorcida que Burton tem dentro da cabeça dele. Ainda bem que ele fez esse filme no anos 80, antes do chroma key virar realidade (mas parece que ele está produzindo Beetlejuice 2… #medo).
Recomendo. É um filme bem divertido.

The F Word (2013)

Ouvi coisas boas deste filme e realmente ele não é ruim. É bem dirigido, bem atuado e etc, mas é também bem conformizado e igual. É engraçadinho mas ordinário. Tenta ser mais esperto que os outros com os diálogos mas acaba voltando ao mesmo lugar de sempre (incluindo cenas de comédia física, desencontros, constrangimento, etc).
É mais do mesmo. Se você gosta de comédia romântica, vai gostar deste.

Seus Problemas Acabaram! (2006)

Vamos tentar esquecer que isso aconteceu.

Starship Troopers (1997)

Ah, a juventude! Tirando o gay de How I Met Your Mother (que está morta no final, o que chocou multidões apesar de eu achar que isso era a base na qual toda a sitcom se sustentava desde o primeiro episódio), todos os outros atores jovens parecem não se dar conta de que estão num filme satírico de Paul Verhoeven. E espero que Johnny “cicatriz desconcentrante no queixo” Rico e o filho da Gary Busey sejam tão agradáveis a olhos interessados quanto Denise Richards e Dina Meyer estão aqui.
Este filme certamente melhorou com a idade. A narrativa se fortaleceu (tendo sido feito pré “guerra ao terror”), a fluidez é excelente (tem mais de duas horas mas nunca fica cansativo), a mensagem continua bem forte (e beeeeem diferente da mensagem do livro no qual foi baseado) e vários outros aspectos continuam relevantes. Inclusive, por incrível que pareça, os efeitos especiais de CGI que são mesclados lindamente com efeitos práticos e findam num produto que nunca tira o espectador do mundo do filme.
Fora que é um excelente filme de ação. Com todos os clichês necessários.

Nightmares in Red, White and Blue (2009)

Um bom (mas não ótimo) documentário sobre a história do cinema de terror. Não chega a ser empolgante como eu gostaria que fosse e deixa de tocar em vários dos aspectos mais interessantes do gênero mas é uma boa fonte primária para quem se interessa por História e mostra o que alguns diretores têm a dizer sobre seus filmes, em primeira mão.
Recomendo.

Teenage Mutant Ninja Turtles (1990)

Parafraseando Roger Ebert, este filme é bem melhor do que deveria ser. Não é um bom filme; é um filme adequado. E para crianças.
Eu não tenho nenhuma ligação sentimental com as Tartarugas Ninjas (certamente fizeram parte da minha infância mas até hoje eu não sei qual cor vai com qual arma ou com qual renascentista) e, apesar de lembrar ter rido bastante quando o vi no cinema, não senti nenhuma nostalgia. É um filme para crianças. Gostei quando era uma, não me acrescentou coisa alguma hoje. E a cópia do Netflix ser a da distribuidora brasileira (com direito a logomarca no começo e tudo) não ajudou muito, por causa do som mexido para inserir a dublagem (vi com o áudio original).
Não recomendo para quem tenha vida sexual ativa.

Mês passado eu me dediquei um pouco a Cronenberg mas acabei lendo mais sobre ele e sobre seus filmes do que os assistindo. Desta vez eu decidi me aprofundar na obra de Tobe Hooper, autor do meu filme de terror favorito (no post anterior eu disse que estava no meu top 5, mas após revê-lo e me tremer todinho de medo, ele é mesmo o primeiro, inquestionável).
Tinha programado seis filmes dele mas depois do quarto eu desisti (vocês vão ler o motivo já já).

The Texas Chainsaw Massacre (1974)

Este é o meu favorito. Não só de Tobe Hooper, mas meu filme de terror favorito. Não acredito em sobrenaturalidades, então filmes de “assombração” (como diz minha mãe) e monstros não me atingem; sou versado em estatística e não tenho riquezas, por isso invasão domiciliar não me preocupa; não acampo nem vou a lugares estranhos e/ou inóspitos onde slashers habitam; etc. De todos os filmes de terror que tenho catalogados na cabeça, esse é o único que ainda aumenta minha frequência cardíaca e dilata minhas pupilas. Toda a situação (“ô de casa”, A PORTA!, opa, não entre aí, O QUE ELE VAI FAZER COM ESSA BACIA?, e por aí vai) é projetada para intensificar a experiência que o cartaz promete (“quem vai sobreviver e o que vai restar deles?“) e os personagens são bem escritos e agem como pessoas normais agiriam naquela situação. É intenso, muito intenso e, algo que me surpreendeu quando o reassisti agora, tem muito pouco sangue. A maior parte das cenas terríveis acontece dentro da sua cabeça. Uma das poucas vezes em que usaria o termo “genial” para descrever um filme. Genialmente intenso.
Num tempo antes de sustos baratos com barulhos altos e repentinos, os filmes tinham que trabalhar para dar medo na audiência e TCM faz isso como poucos. Do suor caipira e do calor texano ao realismo de um lugar que realmente parece bem vivido, não é à toa que este filme é figura cativa no primeiro lugar de mutas listas. Me dá vontade de tomar banho depois que o filme acaba. E rebobinar a fita enquanto crio coragem para assisti-lo novamente.

Body Bags (1993)

Acho que nunca me diverti tanto vendo um filme (supostamente) de terror. É uma antologia, é extremamente besta e a trama não importa mas, ei, esse aí é John Carpenter? É!
Wes Craven! Haha, que massa!
SAM RAIMI!? ÊÊÊ! Aaaaah…
Greg Nicotero? O que você está fazendo aqui, seu danado?
Sheena Easton? Debbie Harry! \o/ DUETO JÁ!
Olha! Aquele cara que era um programa em Tron e também o fotógrafo em The Omen!
Pera, isso é Luke Skywalker? É SIM!! Napier e Twiggy? Reencontro de Blues Brothers!
TOBE HOOPER E TOM ARNOLD!? #mindblown
São três estórias desconexas e inconsequentes que quase não deixam marca, mas mal posso esperar para rever. Se você é fã de filmes de terror e quer se divertir à beça, recomendo com dois polegares rigidamente eretos.
Da mesma forma que Poltergeist é de Spielberg, a estória que supostamente é de Hooper tem os dedos sujos de cigarro de John Carpenter em todas as cenas. Mas como aquele é creditado como diretor, achei por bem inclui aqui.
E, novamente, nada disso importa. O filme é um festival de diversões para um conhecedor veterano (não reconheci Roger Corman, mas também não sou muito fã dos filmes dele).

Lifeforce (1985)

O título original do filme (e do livro no qual aquele se baseia) é “Space Vampires”. Isso diz praticamente tudo que o filme é, exceto que a principal antagonista aparece vestida por apenas quinze segundos (e muito, muito nua no resto de suas parcas aparições) e, até os cinco minutos finais, só tem três frases. No entanto, o final do seu monólogo na última cena é possivelmente a frase nonsense mais sensacional da história da ficção de terror: “The web of destiny carries your blood and soul back to the genesis of my lifeform.” Pura poesia.
Os efeitos são magníficos, nível Industrial Light & Magic e o filme nunca fica lento. Reduz a marcha em lugares (como na cena totalmente desnecessária em que uma masoquista da pesada encontra um “voyeur inato”) mas nunca lentifica completamente. E faltando meia hora pro fim, vira um filme de zumbi estilo Thriller.
Recomendo.

The Texas Chainsaw Massacre 2 (1986)

Este filme me deu desgosto. O que o primeiro tem de bom, este tem de ruim. Tudo no primeiro filme é bem vivido enquanto no segundo é tudo tão artificial quanto o inferno dos filmes de Zé do Caixão.
Os gritos histéricos (na definição clássica de histeria) que criam tanta tensão no primeiro, aqui são só chatos, porque você não tem apego qualquer com a personagem nem para rir dela. Aliás, tudo neste filme é chato. Dennis Hopper só não é a pior coisa aqui porque tudo é a pior coisa. Argh, dá um gosto ruim na boca só de lembrar que vi isso.
Hooper tenta recriar o “humor vermelho” do primeiro filme mas só consegue fazer uma paródia escrachada e acaba com algo pior que Débi & Lóide. Subiu a quantidade de sangue, baixou a qualidade do impacto, aumentou a “comédia” e acabou com uma porcaria de filme que nem é assustador, nem tenso e muito menos engraçado. Só é chato.
Se, como eu sugeri ali em cima, Friday 2 é a melhor sequência, arrisco dizer que este filme é a pior. Nunca vi nenhum filme da série Leprechaun mas duvido muito que a distância de qualidade entre o primeiro e o segundo seja um milionésimo do abismo que separa TCM de TCM2.
Que fique claro: não estou julgando este só em comparação ao primeiro. Tudo que o primeiro fez certo, o segundo fez errado e este é muito pior por mérito próprio do que qualquer filme médio ruim por aí.
Deveria ter assistido a Spontaneous Combustion…

Não sei se formei opinião acerca de Tobe Hooper. Talvez precise ver outro bom para tirar o gosto ruim da boca.

E vocês, viram o que? Alguma dica para março?

Desde o final do ano passado eu dei uma forte guinada na minha vida e redescobri que gosto de filmes. Gravity, Snowpiercer e Guardians of the Galaxy me mostraram que o problema não era completamente a falta de filmes bons sendo produzidos. Era também um abuso forte que eu tinha pegado da arte. Porque, bom, pelo uso da palavra “arte” comumente associada pelo tipo de gente (um dos, na verdade) que detesto.

Como vi bastante coisa desde o começo do ano resolvi anotar e vou publicar aqui, mensalmente, a lista do que vi.
Mais para o meu próprio benefício do que para meus leitores (se bem que tem muita coisa boa que talvez vocês não tenham visto). Talvez vocês notem uma tendência no estilo dos filmes.

Trilogia Ash Williams
The Evil Dead (1981)

Evil Dead 2 (1987)

Army of Darkness (1992)

O primeiro filme revolucionou o conceito de filme de terror, o segundo desconstruiu o primeiro e revolucionou o conceito de filme satírico (ultra meta) e, o terceiro, concebeu o gênero terror/aventura medieval.
Valem uma maratona.

Evil Dead (2013)

O original é tão bom que até a refeitura é boa. Este é bem mais violento que o original (nossa tolerância aumentou consideravelmente nos últimos trinta anos) e Jane Levy é bem convincente em seu papel.
Recomendo ver depois da maratona acima para maior efeito. Ou quando você estiver só em casa, com tudo apagado.

Cat Ballou (1965)

Comédia bang-bang dos anos 60 com Jane Fonda e Lee Marvin. Se nada nesta descrição lhe diz alguma coisa, não recomendaria. É meio lento e depende de um humor hollywoodiano antigo.
p.s. não é tão racista quanto eu achei que seria, apesar de ter um ator branco em redface.

The Collection (2012)

Torture porn de qualidade. Se você gosta de se sentir desconfortável, recomendo.
É a continuação de The Collector (que eu não recomendo a quantidade de buracos na trama tirou minha atenção) mas pode ser visto sozinho.

The Dead Zone (1983)

The ICE… is gonna BREAK!
Possivelmente o melhor papel de Christopher Walken (bem, excluindo a participação especial em Pulp Fiction, porque “I hid this uncomfortable hunk of metal up my ass… two years” é imbatível).
Não é a melhor adaptação de Stephen King e perde um pouco o rumo no meio, mas é divertido, especialmente quando Martin Sheen aparece.

Pulp Fiction (1994)

O filme favorito da minha esposa. Eu, particularmente, prefiro Reservoir Dogs, mas admito que Pulp Fiction não tem a fama que tem por nada. É uma obra-prima de verdade.
I love you, Honey Bunny.

District 9 (2009)

Possivelmente meu filme favorito deste milênio. District 9 conseguiu criar alienígenas ao mesmo tempo diferentes e discretos. Depois de dois minutos, a presença deles se torna comum e os efeitos visuais viram dia-a-dia, sem chamar atenção para si.
É difícil uma estória que faz você torcer para outra espécie. District 9 faz isso e muito mais. É que recomendo mais nesta lista.

Pineapple Express (2008)

Não.
Comédia Apatow que tenta ser um Shoot’em Up com estória e falha miseravelmente. A estória é ridícula (marca registrada Apatow) e a ação é forçada e artificial.
Vão ver Shoot’em Up no lugar de Pineapple Express. Ou então Tucker and Dale vs. Evil.

Ferris Bueller’s Day Off (1986)

Estranhamente, este filme melhorou com a idade. A malícia de Bueller e o ponto de vista da sua irmã ficam consideravelmente melhores aos olhos de um adulto.
Ah, e recomendo que leiam a teoria de que Ferris só existe dentro da cabeça de Cameron, a la Fight Club.

Fright Night (1985)

Hum, não. Este não melhorou com a idade.
Filme de vampiro dos anos 80, feitos para ser terror, viram cômicos hoje em dia.
Mas valeu a pena ter assistido só por causa de Evil, o melhor personagem do filme.

Insidious (2010)

Se, como eu, você aprecia filmes de terror, sem dúvida vai cantar todas as bolas de Insidious. É um filme mais esquisito que amedrontador e que telegrafa todas as jogadas. Não gostei muito e acho que não vou ver o subsequentes, mesmo eles tendo uma fama melhor que o primeiro.

Invasion of the Body Snatchers (1956)

Invasion of the Body Snatchers (1978)

O original, por ser de 1956, é um filme de propaganda anti-comunista e tem um dos finais mais decepcionantes que vi recentemente que, felizmente, a versão de 1978 (que é uma propaganda anti-governo, WHAT A TWIST!) conserta.
Não vejam o primeiro, vão direto para a refilmagem e sintam a aflição que falta no primeiro.

Las brujas de Zugarramurdi (2013)

É uma pena que os distribuidores idiotas de Evil Dead já gastaram “noite alucinante”, porque isto seria o título ideal para este filme. QUE FILME LOUCO!
É excelente, divertido e ligeiramente aterrorizador, mas é MUITO LOUCO! Vejam. Podem ver, por minha conta.

Let’s Go to Prison (2006)

Comédia dirigida por Saul, de Breaking Bad (Bob Odenkirk sempre foi comediante, caso a atuação dele em BB não tenha sido dica suficiente). É muito mais ou menos e depende um pouco de constrangimento, que não é meu filão em comédia, mas não me senti perdendo tempo vendo.
É um daqueles filmes que se você precisar ir ao banheiro no meio não precisa pausar.

Looper (2012)

Mais um filme de Bruce Willis viajando no tempo. Tem um paradoxo safado que tentam explicar e que dá para engolir (suspendendo a descrença bem alto), mas isso não deixa o filme ruim. Aliás, um bom filme de ação semi-distópica.

Oldboy (2003)

Que filme ruim. Não sei se a sensibilidade coreana não me atinge ou o quê (apesar do já citado Snowpiercer ter conectado), mas ô filme ruim.
Os personagens que agem de forma interessante não têm motivação e os que têm, não agem direito. É esquisito, desinteressante e longo demais e nem a tão famosa cena da briga de martelo no corredor (que, francamente, foi o que me fez ver isso) salva. O final é tão atrapalhado que acaba só dando um gosto ruim na boca.
Não recomendo. Talvez a versão americana de 2013 seja melhor, mas não vou perder meu tempo revisitando esta estória.

[REC] (2007)

Apesar de ser um found footage, tem bons atores e realmente causa uma sensação de opressão e tensão.
É um bom filme, no fim das contas, mas recomendo parar o filme faltando uns oito a dez minutos pro final porque, sinceramente, não vale a pena ver até o fim.

The Running Man (1987)

Vi este clássico só quando ele apareceu na TV pela primeira vez e, por causa disso, provavelmente não o vi todo (Globo ou SBT sempre com sua mania de editar cenas) nem tive acesso ao excelente diálogo. Fora que minha mente quase explodiu quando o Telecatch começou a cantar.
TRM é um filme irônico feito antes de inventarem ironia. Não é Tango & Cash mas é quase. Recomendo.

Session 9 (2001)

Este filme começa bem lento e ruim, fica esquisito, fica interessante, fica esquisito, fica ruim, fica bom, fica melhor, fica bem interessante, morre nas calças e termina péssimo. Não percam tempo com ele.

Stitches (2012)

Um palhaço volta dos mortos para vingar sua morte na mão de um grupo de crianças.
Preciso insistir mais? Vão ver agora!

The Taking of Deborah Logan (2014)

Atenção: isto não é um filme de terror. Tem uns sustos, mas susto tem até em Harry Potter.
TToDL é um filme de tensão e um estudo de personagem com elementos found footage (mas o filme todo não se enquadra no gênero) e com um final sobrenatural/psicológico. É difícil dizer quem é o personagem principal e saber o motivo de tanto sucesso. Eu não veria de novo, achei brochante.

The Taking of Pelham One Two Three (1974)

Se você tem pretensões artísticas e pensa em atuar, veja este filme. É uma aula de atuação.
É anos 70, então a tensão que ele um dia teve já relaxou, mas o humor sublinhante continua forte como sempre.
Recomendo.

The Terminator (1984)

Ao rever este, me dei conta de que só o tinha visto assim que saiu em VHS. Ou seja, trinta anos atrás.
Tudo que eu pensava saber da mitologia Skynet veio do segundo filme, visto que eu não lembrava de coisa alguma do original. É um filme bizarro e bem da época, ideal para arqueólogos.
Não é ruim, só é estranhamente anos 80. Vejam por sua conta e risco.

The Town That Dreaded Sundown (2014)

Uma meta-continuação do original, de 1976. É um artifício estranho usar o primeiro como documentário/ficção e, daí, partir para um slasher/cidade sitiada. Não teria feito falta se não o tivesse assistido.
Vão ver o original e fiquem por lá mesmo.

Ano passado foi também o ano em que finalmente descobri que tenho diretores favoritos; Sam Raimi, John Carpenter e David Cronenberg (body horror, alguém?).
Lógico, existem os Spider-Man, Vampires e eXistenZ da vida que, felizmente, são exceções à regra de Darkman, In the Mouth of Madness e The Fly.

Mês passado eu consegui ver dois Cronenberg.

Naked Lunch (1991)

Dica pró: não veja enquanto come. Mas veja, porque este filme é excelente.
Recomendo ler um pouco acerca da vida do autor William S. Burroughs, porque o filme é baseado não só em sua obra homônima como também em sua vida, com Robocop (Peter Weller) no papel central, representando fenomenalmente bem um sujeito perdido tentando se encontrar.
Assista agora e assista sempre.

Videodrome (1983)

Se você conseguir deixar de lado o choque e fascinação com as cenas de transformação (trinta e dois anos atrás os efeitos eram mais convincentes do que o sangue CG de hoje em dia) certamente vai notar como o filme ainda é relevante hoje em dia por causa da nossa mórbida simbiose com aparelhos eletrônicos.
Só digo uma coisa: long live the new flesh.

Hoje já é dia 5 e ainda não consegui ver nenhum filme (estou arrumando minha oficina e a sala de costura da esposa para depois partir para a biblioteca), mas quero me aprofundar em Tobe Hooper para ver se ele é mais que The Texas Chainsaw Massacre (que está no meu top 5 filmes de terror) já que Poltergeist é propriedade de Spielberg e nenhum crédito vai me convencer do contrário.

E vocês, o que estão vendo? Alguma dica para mim?

Desde o incidente (relatado aqui, especialmente nos comentários) em que o site ReclameAqui vendeu endereços de emails, nomes completos e números de CPF para spammeiros que se fazem passar pelo Itaú para roubar senhas de números de contas, nunca mais usei meu email oficial para qualquer tipo de cadastro.
Por causa daquele problema de invasão de privacidade e quebra de confiança, reativei minha conta antiga do Yahoo Mail para usar a única função ainda útil deste serviço: os endereços descartáveis.

Em algum momento da minha vida eu fiz um cadastro no Walmart. Não lembro de ter comprado algo, mas sei que fiz o cadastro porque tenho o endereço de email [nome de base]-walmart@yahoo.com.br. Hoje, limpando a caixa de spam, notei que este endereço estava sendo usado por várias empresas para mandar spam.
As que estavam hoje na minha caixa de spam eram a Net, a Vivo, o Bradesco e a Amil.

A seguir, uma captura de tela de hoje:

Clique na imagem para aumentá-la.

Clique na imagem para aumentá-la.

Abaixo, as provas de que as empresas compraram meu endereço e meu nome do banco de dados que deveria ser exclusivo do Walmart:

Clique na imagem para aumentá-la.

Clique na imagem para aumentá-la.

Clique na imagem para aumentá-la.

Clique na imagem para aumentá-la.

Clique na imagem para aumentá-la.

Clique na imagem para aumentá-la.

Clique na imagem para aumentá-la.

Clique na imagem para aumentá-la.

Não achei mais porque abro raramente o Yahoo e a caixa de spam é esvaziada periodicamente de forma automática, mas tenho certeza de que isso não aconteceu só esta semana.
Vasculhando meu email, me deparei com o seguinte spam, que escapou ao filtro, de junho de 2013, também de uma empresa (uma tal “importar roupas de marca”) que comprou meu endereço ao Walmart:

Clique na imagem para aumentá-la.

Clique na imagem para aumentá-la.

Possivelmente um ou mais links dentro das mensagens acima são maliciosos, visto que a venda de endereços é mais que provavelmente indiscriminada, mas o Yahoo não é bom em liberar endereços antes abri-los, então não pude checar.

O importante é lembrar que seu endereço de email é uma informação valiosa, especialmente para empresas sem caráter, como o Walmart mostrou ser.
Cuidado para não cairem em spams. Pode custar todo o seu dinheiro.

– A gente precisa sair mais de casa.
– Por que? O gás está vazando?
– Não, a gente vive enfurnado. Vamos sair?
– Dessas roupas?
– Não, sair de casa.
– Você que ir dançar?
– Só se for dançar deitada.
– E se a gente sair para comer?
– Para eu voltar comida?
– Melhor que ser gozada em casa.
– Que tal um pastel?
– De cabelo? Quero.
– Aff. Você tem fome não?
– Tenho fome de justiça!
– E sede de vingança?
– Não, eu bem que tomaria uma Fanta agora.
– Ou uma Soda boa? Só se for agora.
– Ou se for daqui.
– E se for da rua?
– Concordo. Vamos ficar em casa.

%d blogueiros gostam disto: