42.

20 Agosto, 2008

Perfume doce

Arquivado em: Ciência — Etiquetas HTML:, , , , , , — Igor Santos @ 3:03 pm

Estava tentando pensar numa sinestesia para colocar no título, quando um coloca aqui do trabalho disse isso aí.

Legal.

E nem precisei dobrar a realidade nem nada (um alô para Wário!)…

Bom, o propósito desta entrada é dizer que no meu lablogatório tem um artigo novo sobre como é sentir um calor nos pés sempre que alguém diz “formulário” e ouvir o lento aroma áspero e doce do azul-marinho.
Ou algo do tipo.

Visitem!

19 Agosto, 2008

Ocupado

Arquivado em: Ciência, Vida — Etiquetas HTML:, , , , , , , — Igor Santos @ 9:13 am

Não escrevi ontem por estar deveras atabalhoado e ter acordado com frio (sério, fez frio ontem de manhãzinha aqui em Natal).

Tentei ler o blogue da MAD, mas me deu um desgosto…
Acho que a revista nunca foi realmente engraçada, mas era subversiva e isso é o suficiente para um pré-adolescente que gosta de piadas sobre espinhas.

Vi um vídeo legal sobre conformidade (diferente de conformismo, quando a pessoa aceita a situação, conformidade é quando a pessoa ativamente tenta se adequar.

Vi sem som (o computador do meu trabalho ainda não é do tempo de algo mais que digitar), mas acho que tem uma explicação no próprio vídeo, só não sei em que língua.

Outro vídeo que achei AGORA, enquanto escrevia a linha acima, mas tinha comentado ONTEM com a minha namorada, em mais uma coincidência (ou Dobra de Realidade, como pensa um amigo meu).

Isso é arte com ferrofluido, ou um líquido metálico com propriedades magnéticas, e um eletro-ímã, que pode ser ligado, desligado e tem intensidade variável.
Coisa de artista plástico, do tipo bom.

Eu lembro que tinha uma coisa bem legal que eu queria explicar, mas não lembro o que era, ou seja, é o mesmo que não lembrar sequer do fato de ter lembrado.
Espero achar sobre o que falar até daqui a pouco, nem que seja uma piada, mas por enquanto tenho que tentar contentar vocês com isto.

Fora isso, visitem o Lablogatórios (ainda em fase de testes, mas já dá no couro) e divirtam-se com as mentes mais brilhantes da blogosfera nacional (seria interessante tentar conseguir alguém de Portugal).

Aff, que ruma de trabalho acumulou aqui na minha mesa enquanto eu escrevia..

15 Agosto, 2008

Preto no branco

Arquivado em: Ciência — Etiquetas HTML:, , , , , — Igor Santos @ 12:02 pm

Será que eu tenho algum leitor daltônico?

42

Clique na imagem e descubra…

14 Agosto, 2008

Lembrete

Arquivado em: Ciência, Vida — Etiquetas HTML:, , , , — Igor Santos @ 9:41 am

Este blogue servirá para aleatoriedades (vide últimas entradas), enquanto o outro, novo e melhorado, servirá para divulgação científica (e explicações em geral), atualizado pelo menos duas vezes por semana (propagandearei por aqui, para ninguém ficar aperreado de ter que ficar visitando lá sempre sem saber se já tem coisa nova ou não).

Chau.

11 Agosto, 2008

Lablogatórios

Arquivado em: Ciência, Natal, Vida — Etiquetas HTML:, , , , , — Igor Santos @ 2:27 pm

Pessoas,

Hoje iniciaram-se as atividades do Lablogatórios, portal de blogues brasileiros dedicados à divulgação científica, do qual, orgulhosamente, faço parte.

Minha página lá (por enquanto bastante idêntica a esta) é http://lablogatorios.com.br/uoleo.
O 42 continuará funcionando, mas será usado mais para minhas observações pessoais e reclamações, deixando a ciência exclusivamente (quase) no novo formato.

Estamos iniciando os trabalhos hoje, portanto pode haver ainda alguns problemas, mas tudo será resolvido o quanto antes.

Visitem-nos, há muita coisa boa por lá.

Até a próxima (demora muito não, viu?)!

Igor Santos
Lablogatoreiro

6 Agosto, 2008

Toddy Light

Arquivado em: Ciência, Vida — Etiquetas HTML:, , , , , , — Igor Santos @ 8:00 am

Hoje eu acordei com vontade de roubar re-publicar algo dos outros (novamente).
Visitando o blogue “nutricional” da Francine Lima, achei uma entrada ótima!

Light uma ova?

Começa com uma carta de uma consumidora esperta sobre a diferença calórica entre achocolatados, um tradicional e outro light.

Toda tabela nutricional traz o teor de nutrientes e calorias em uma determinada porção. Numa bebida, pode ser de 200 ml. No caso do achololatado versão Original, a porção de referência é de 20 gramas, ou duas colheres de sopa. Para uma comparação honesta, dois produtos semelhantes devem usar tabelas nutricionais que se baseiem numa mesma porção. Mas a Pepsico, grupo multinacional ao qual pertence a marca Toddy, preferiu fazer diferente. Colocou no rótulo do Toddy Light uma tabela baseada na porção de 10 gramas, a metade da usada na versão original. O consumidor desavisado (não é o caso da leitora em questão) vê lá: 37 calorias no Light contra 80 calorias no Original. E pensa: ‘nossa, o Light é muuuuito menos calórico!’ Mas pense assim: se o cidadão colocar uma só colher de Toddy Original no seu leite, em vez de duas, terá 10 gramas de achocolatado e 40 calorias adicionadas ao do leite. Se colocar a mesmíssima quantidade de Toddy Light no mesmíssimo leite, terá 37 calorias. Só três calorias a menos. Três! Ou seja, os dois produtos são praticamente iguais em termos de teor calórico!

Depois a empresa tenta se justificar usando matemágica:

De acordo com a Portaria 27/ 1998, para considerar um produto como “com reduzido valor energético”, 100ml do produto pronto para o consumo deve apresentar diferença maior que 20 kcal/100ml e redução mínima de 25% do valor energético total. Se o valor energético de 200ml de Toddy Tradicional preparado com leite desnatado é 148 kcal, em 100ml temos 74 kcal. No Toddy Light, o valor energético de um copo de 200ml de leite com o achocolatado é de 106 kcal, então em 100ml é 53kcal. Assim, temos:

Redução calórica em valor: 21 kcal/100ml (74kcal - 53kcal)
Redução calórica em porcentagem: 28 % [100 - (53*100 ÷ 74)]

Visitem o blogue da menina, não só por recomendação minha (muito bom, eu recomendo! =¦¤þ), mas também porque é realmente interessante o ponto de vista dela (e a pontuação e a gramática e a concordância).

29 Julho, 2008

Centésimo artigo

Arquivado em: Ciência, Natal, Vida — Etiquetas HTML:, , , , , , , , — Igor Santos @ 8:42 am

Mantenho este blogue há três meses e meio e isto aqui é a centésima entrada.
Prolixo, eu?

Eu não deveria estar escrevendo, mas eu não me contenho.
Deu vontade de escrever (foi quando notei que já tinha 99 artigos publicados e este seria um número duplamente redondo, mas eu não ligo para números famosos) porque comecei a ler várias coisas agora pela manhã sobre a Lei Seca.
A primeira coisa que me veio à mente sobre isso (e pensei nisso hoje pela primeira vez) foi “Lei Seca é um termo um tanto exagerado, nénão?”
De certa forma, isso sempre existiu, sempre foi proibido beber e dirigir (até onde eu lembro), apenas diminuiram o limite. Que não é zero.
Nem pode ser.
Os instrumentos de medição vêm com um certo grau de erro (problemas de calibração) que, se o limite fosse zero, as autoridades poderiam prender o vento por se locomover embriagado.
Comer um chocolate de rum (meu favorito, ainda mais pelo fato de ser sempre o que sobra dentro da caixa já que nenhuma outra pessoa que conheço gosta do bicho) ou um bombom de licor não vai lhe jogar atrás das grades, através das quais o sol aparenta nascer listrado (quando eu era pequeno eu fiz um passeio pela Fortaleza dos Reis Magos (uma fortificação militar do século 17 (não gosto de números romanos) localizada na minha cidade, na esquina do mar com o rio Potengi, ponto estratégico de entrada em Natal), onde me foi mostrada uma cela, cuja única fonte de iluminação e entrada de ar (fora a porta, obviamente), é um buraco atunelado na parede inacreditavelmente grossa (tijolo de oito furos uma ova, lá é tudo PEDRA), por onde, logo cedo, em certos dias, se der sorte, um detido poderia ver o sol nascer. Quadrado), nem vão tomar sua carteira de motorista por causa disso.
Existe sim um limite acima de zero, se não pela bondade da polícia e dos legisladores, mas pela ciência de que os instrumentos não são perfeitos e que pessoas ainda usam antisséticos bucais com álcool.

Eu queria explicar como o bafômetro funciona, mas precisaria pesquisar, interpretar, desenvolver, colocar links, citar fontes, etc, etc, etc e não estou afim de escrever muito hoje…

Sério.

O problema maior é a falta de policiamento e fiscalização.
Aqui existe uma blitz permanente na Via Costeira mas, no dia de um show grande por aquelas bandas na semana retrasada, eu fui na hora em que todo mundo estava indo e voltei na hora em que todo mundo estava voltando e o posto policial ali estava fechado.
Semana passada fui e voltei para uma praia semiurbana em condições semelhantes de tráfego e movimento e encontrei a mesma falta de policiais.

Por mais seca que a lei seja, precisamos de quem a imponha.

23 Julho, 2008

Sólidos, líquidos, gasosos e papinha

Arquivado em: Ciência — Etiquetas HTML:, , , , , , , , , , , , — Igor Santos @ 8:00 am

Uma substância é chamada de sólidaquando não muda de forma, independente do recipiente onde esteja (um tijolo mantém o formato se estiver tanto num prato quanto num balde), nem pode ser comprimida para ocupar um lugar menor.
É definida como líquida quando muda de forma de acordo com o recipiente (água num copo de uísque vs. copo de champanhe) mas ainda não pode ser comprimida (o princípio básico dos aparelhos mecânicos hidráulicos).
Quando é gasosa, a substância muda de formato e pode ser comprimida (como ar numa espingarda de pressão).

Numa escala menor, um sólido tem suas moléculas bem juntinhas e com uma ligação forte e com posições fixas e entre elas (tipo a sua casa e a do vizinho), um líquido tem suas moléculas mais energizadas que se mexem mais rápido uma coisinham e mantêm contato umas com as outras mas sem posições fixas e um gás não tem estrutura molecular definida, com movimentos semi-aleatórios e muita energia (quando eu falo de energia, estou comparando estados de um mesmo material, como gelo, água e vapor).

Os estados da matéria não são só esses três, como minha professora da primeira série insistia em dizer, mas vários, como por exemplo Plasma, um gás eletricamente carregado e superaquecido (como na superfície do Sol), usado em TVs de plasma.
Essa mesma professora ficou bastante surpresa, depois constrangida e depois com raiva (como era comum se comportar naquele tempo quando confrotado por crianças claramente inferiores e que deveriam, sem sombra de dúvida, estar erradas frente à superioridade dos mestres) quando um dos meus colegas (eu gostaria muito que tivesse sido eu a pensar nisso, mas infelizmente não foi assim que ocorreu) perguntou: “E papinha, é o quê?”
Ela apenas mandou o sujeitinho se calar e parar de atrapalhar sua aula que ela não tinha tempo para perguntas idiotas e “se chorar fica de castigo e conto à sua mãe” (se um dia eu tiver um filho, vou implantar um gravador de áudio na mesa dele no colégio e descontar minhas frustrações infantis eu mesmo).

Mas, eu explico.

Papinha (bem como ketchup, tinta de parede, areia movediça, xampú e sangue) é um líquido. Mas de um tipo especial chamado de líquido não-newtoniano.
O “não-newtoniano” se refere ao fato de o líquido não tem uma viscosidade constante, ficando esta dependente de pressão.
A maneira mais fácil (que eu penso) de explicar é comendo.

Faça uma papa (mingau) de maisena (amido de milho).
Repouse as costas de uma colher sobre a superfície da comida e observe a colher afundar lentamente.
A viscosidade do líquido em repouso, apenas com o peso da colher, é suficiente para fazer o implemento afundar facilmente.
Agora bata com as costas da mesma colher no mingau e note que a colher não afunda, como seria de se esperar que acontecesse em outro líquido (por exemplo, num prato cheio d’água).
Neste caso, a viscosidade aumentou bruscamente, devido à pressão exercida pela pancada, e o líquido passa a se comportar como um sólido.


Isso aí é uma piscina cheia de amido de milho misturado com água.
Aqueles espanhóis loucos…

Quanto mais os líquidos não-newtonianos se popularizam, mais pessoas loucas ganham acesso a eles e mais coisas bizarras são descobertas e filmadas (vi lá em Átila).

Outros estados da matéria são:
Superfluido - certos gases super-resfriados se condensam e passam a ter viscosidade nula (ou falta de atrito);
Matéria degenerada - gás sob altíssima pressão que forma as estrelas anãs-brancas;
Sólidos amorfos - o melhor exemplo é o vidro, um sólido amorfo de cerâmica que, apesar de sólido, nunca se cristalizou (ou seja, vai do estado líquido para o sólido muito lentamente, sem uma transição brusca ou fronteira específica notável).
Outros exemplos que eu posso dar (e gostaria de ter sabido deles na minha época de primário) são:

==> O que eu vou escrever agora é só a título de curiosidade, são coisas absolutamente inúteis para quem não é físico ou químico ou louco. Não se assustem com os nomes nem tentem decorá-los, pois como disse o sábio certa vez “sempre que eu aprendo, uma coisa nova empurra uma coisa velha do meu cérebro… lembra daquela vez que eu fiz um curso de degustação de vinhos e desaprendi a dirigir?”
Prontos? Lái vái! <==

Estado de Quantum Hall; Condensado Fermiônico; Condensado Bose-Einstein; Supersólido; Líquido de Rede de Cordas; Liquido Supercrítico.
Tem mais, mas realmente não importa. Uma ruma aí já é teórico…

18 Julho, 2008

Quitosina

Arquivado em: Ciência — Etiquetas HTML:, , , , , , , , , , — Igor Santos @ 12:00 am

Nullius in Verba.
Quem não arrisca julgar um livro pela capa, não petisca cara de gato achando que é coração de lebre.

Eu ouvi dizer que quitosina (ou quitosana), um derivado da quitina, e que é encontrada nas carapuças de crustáceos, ajudaria a combater obesidade, englobando a gordura (impedindo sua absorção) consumida imediatamente com a substância, através de ingestão acidental e imperceptível da casca de caranguejo junto com sua deliciosa carne, sendo esse, talvez, o motivo de algumas pessoas não se darem com tal iguaria. Se a gordura não está sendo absorvida, pois está englobada pela quitosana, tem que ser excretada com certa urgência (”quanto mais gordura no bolo fecal, mais rápido ele quer sair”, foi o teor da frase proferida).
Como eu tenho essa mania feia de duvidar de tudo, resolvi pesquisar por mim mesmo em páginas de estudos médicos e clínicos (PubMed, Cochrane Library, MedLine, etc) conduzidos cientificamente e submetidos a revisão por pares.

A wikipédia diz “Quitosana é uma fibra natural retirada na maioria das vezes de crustáceos como camarão, lagosta e carangueijo (sic). É usada na indústria para absorção de gordura, ou ainda no controle de algumas doenças de plantas.”
A entrada que contém o texto acima não contém link algum para estudos ou o mínimo de corroboração. Ou seja, serve de nada.

Um dos estudos que eu encontrei foi uma revisão e comparação de estudos feitos anteriormente (post hoc) e conclui que:

Chitosan is a widely available dietary supplement that claims to aid weight loss and blood cholesterol levels. Trials of chitosan to date have varied considerably in terms of quality. The review suggests that chitosan may have a small effect on body weight but results from high quality trials indicate that this effect is likely to be minimal.

Ou, em bom português:

Quitosina é um suplemento alimentar dietético amplamente disponível que afirma ajudar na perda de peso e níveis de colesterol. Testes atuais de quitosana têm variado bastante em termos de qualidade. A revisão sugere que a quitosana tenha um efeito pequeno no peso corporal mas estudos de qualidade melhor indicam que esse efeito é muito provavelmente mínimo.

Outro estudo concluiu que “o consumo de tabletes de quitosana é seguro, mas que não há efeito significativo nas concentrações de colesterol.”

Logicamente, há também estudos que sugerem que a substância ajuda sim na depleção de gordura do organismo e até na redução do colesterol ruim (LDL).

O intuito deste artigo não é provar ou desprovar a eficácia do polissacarídeo na redução de gordura e colesterol (quem há de fazer isso são os pesquisadores), mas divulgar (usando esse exemplo que eu achei no bolso da minha bermuda) Pensamento Crítico.
Não tomem a palavra de uma só pessoa como prova, pesquisem, vão atrás, cavem um pouco mais fundo atrás de provas consistentes.
Perde-se um tempinho, mas a recompensa é boa.

Quando uma coisa parece boa demais para ser verdade, geralmente o é.

Existem sim drogas e compostos que, comprovadamente, reduzem drasticamente a absorção de gordura no organismo, mas até agora, a quitosina não foi incluída pela comunidade médica como um deles.

16 Julho, 2008

Pesos e Medidas

As unidades básicas do Sistema Internacional de Unidades (SI), segundo a Système International d’Unités são as seguintes (vai melhorar lá pra frente, prometo):

    Tempo - segundo (s)
    Comprimento - metro (m)
    Massa - quilograma (kg)
    Corrente elétrica - ampère (A)
    Temperatura termodinâmica - kelvin (K)
    Quantidade de matéria - mol (mol)
    Intensidade luminosa - candela (cd)

A partir dessas, todas as outras unidades podem ser medidas.
Por exemplo, Força (em newtons, ou N) é igual a massa (em kg) multiplicado por uma aceleração (m/s²), e aceleração é espaço (em m)dividido por tempo (em s) duas vezes.
O sistema é também usado para diminuir a quantidade de zeros, por exemplo:
Ao invés de 0,000 000 001 metro, usa-se 1nm (nanômetro)

Agora vem a parte boa!

Um segundo é precisamente medido usando-se átomos de césio 133. Sempre que um elétron de um átomo de césio 133 (esse número é o peso do átomo) mudar de camada nove bilhões, cento e noventa e dois milhões, seiscentos e trinta e um mil, setecentos e setenta vezes (9.192.631.770), teremos EXATAMENTE 1 segundo.
Mais preciso que navegar.

Um metro é calculado usando-se a medição de segundo e a velocidade da luz.
Quando um fóton (caroço de luz) no vácuo andar por 1/299792458 (um sobre duzentos e noventa e nove milhões, setecentos e noventa e dois mil, quatrocentos e cinqüenta e oito) segundo, terá percorrido um metro bem certinho.
Lembrando: 1/2 é igual a metade de alguma coisa, 1/4 dá um quarto, 1/10 é um décimo, 1/100 é um por cento, 1/1000 de um metro é um milímetro, etc.

Um ampére é medido da seguinte forma: corrente constante que, se mantida entre dois fios condutores retos e infinitos ou com seção transversal desprezível, afastados por uma distância de um metro no vácuo, produziria a força por metro de fio equivalente a 2*10^-7 (um 2 precedido por sete zeros, ou 0,00000002) newtons.
Aí vocês se virem para entender que este neguinho aqui tá com dificuldades. Eu só entendi que um amp faz muito pouca força entre um fio e outro.

Um kelvin de temperatura termodinâmica (que é a quantidade de energia térmica liberada por átomos esbarrando nas coisas e uns nos outros) é medida usando dois referenciais; zero absoluto e a temperatura do ponto triplo de uma água super purificada.
Zero absoluto equivale a -273,15° centígrados e é a menor temperatura possível por ser a temperatura onde todo movimento cessa e a energia é zero.
O ponto triplo da água do Padrão Médio da Água do Oceano de Viena (que não é de oceano, mas água puríssima, feita em laboratório e com um nome igualmente laboratoriado) é igual a 0,01º centígrados.
Ou, usando o sistema SI, 0 K (zero kelvin) e 273,16 K.
Depois é só torar a escala em vinte e sete mil, trezentos e dezesseis pedaços iguais e começar a medir boca e boga de menino.

Um mol (que difere da medida nordestina mói¹ por algumas ordens de grandeza) é um número bem grande (seis e uns quebrados seguido por vinte e três zeros), que representa o número de átomos de carbono presentes em 16g de carbono.
Um bilhão é o numeral 1 seguido por oito zeros. A constante de Avogadro tem quase três vezes mais zeros.

A definição de candela tem muito mais nome e requer muito mais conhecimento prévio (intensidade luminosa emitida por uma fonte, em uma dada direção, de luz monocromática de frequência 540*10^12 Hertz e cuja intensidade de radiação em tal direção é de 1/683 watts por esterorradiano), mas é mais fácil explicar como uma rodela de luz verde que, sendo produzida usando-se uma quantidade conhecida de energia, brilha com uma intensidade padrão de 1cd.

Tudo muito massa!
Ah, por falar nisso, faltou falar dela.

Um quilograma é a massa equivalente a um padrão composto por irídio e platina que está localizado no Museu Internacional de Pesos e Medidas na cidade de Sèvres, França desde 1889. Ele é um cilindro eqüilátero de 39 mm de altura por 39 mm de diâmetro.

“Mas que peba!”, eu escuto alguns dizendo.
E eu concordo. Tudo belamente calculado e precisamente medido, aí MASSA, um dos mais importantes, não tem um número absoluto, tem que ser comparado sempre a esse tôco de metal na França (o dicionário tem “frança” mas não tem “espanha” nem “alemanha”, e pode ser que nem “brasil” tenha, podem olhar!).

A comunidade científica, louca de agonia por causa disso, quer mudar a definição, usando pesos naturais imutáveis, como o peso de um átomo ou de um quark (as coisinhas que formam os prótons e neutrons), usando o tamanho de um quantum ou, similarmente ao mol, usando a constante de Avogadro e o peso do carbono.
Só não mudaram ainda porque todas essas medidas são minusculamente ínfimas (um quilo de elétrons teria 1.097.769.238.499.215.084.016.780.676.223 elétrons, um quantum é um zero seguido de uma vírgula e de trinta e quatro zeros antes de aparecer o primeiro número importante, um 6) e não só difíceis de medir mas difíceis de precisar.
Fizeram até uma bola de silício bem lustrosazinha, dizendo que é o objeto mais esférico já criado (UAU!) para servir de padrão.

Um elétron a mais ou a menos não faria tanta diferença assim. Ou faria?
Eu não sei, mas um grão de arroz a mais ou a menos dentro do saco, que é o que me importa, não faz tanta diferença assim.

¹Não tenho uma tabela comigo, mas eu acho que um mói equivale a mais ou menos setenta punhados ou seis rumas, talvez dois ou três bucados e pelo menos mais de três magotes.

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