Dia desses passei em frente a um templo católico e percebi que, mesmo tendo a missa já começado, casais ainda desciam de suas Tucsons que entulham os arredores das vitrines católicas dominicais.
Isso me fez pensar: as igrejas deveriam adotar a política de alguns cinemas de fechar as portas após o início da sessão.
Quer louvar seu amigo invisível? Chegue na hora! Que tal?
Se você não consegue cumprir horário/compromisso com o todo-poderoso que tanto adora, não há mais chance para você. Desista.
Seu menosprezo e negligência com as normas sociais é tão irremediável que nem a ameaça de eterno sofrimento que você mesmo prega consegue fazer você descer do seu pedântico pedestal meia hora antes para começar hipocritamente a se perfumar e escolher a roupa mais cara para a ocasião.
Na celebração do “sétimo dia” (que na verdade aconteceu no sexto) do meu avô, enquanto eu tomava um ventinho do lado de fora, uma cidadã não só chega às seis e pouco para uma missa marcadas pràs cinco e meia como bloqueia completamente a única saída veicular do largo frontal da igreja. Como isso ocorreu a meio metro de onde eu estava, avisei-lha com um respeitoso “a senhora está bloqueando a saída com a sua camioneta” e evitei o complemento “e não pude deixar de notar que além de atrasada você anda sozinha numa SUV projetada para transportar sete pessoas”.
Obviamente ela não me conhecia, senão não teria replicado com tanta rispidez e tom de voz tão arrogante, dizendo: “Mas eu estou aqui na missa, não estou? É só alguém ir me chamar que todo mundo me conhece aqui.” A última parte sendo claramente mentira, pois lá eu estava e não a conhecia, o mesmo valendo para todos os meus familiares que há anos não frequentavam tal templo.
Ainda tentando persuadir usando de senso comum, retruquei com: “E se houver uma emergência ou alguém precisar sair rapidamente, com urgência?”
Provando novamente que não sabia com quem estava falando, ela aumentou a arrogância, adicionou bastante prepotência e retirando boa parte daquilo que faz uma frase ter sentido ao dizer “eu já estou acostumada”.
- Acostumada a ser mal-educada?
Não sei se por causa da construção verbal em si ou da agressividade que cada letra adquiriu ao sair dos meus lábios, mas o cenário que melhor descreve a cena seguinte é o de um balão autoengrandecido que se inflou demais perto de um cacto e, de repente, se viu estourado, reduzido em pompa na presença de algo que não tem costume de deixar passar boçalidade alheia, se me permitem misturar metáforas.
Ela tentou virar a cabeça em minha direção para discutir a possibilidade de um desaforo, porém sentiu o fio das minhas palavras e a tensão na minha postura e reconsiderou, saindo sussurrando coisas do tipo “dai-me paciência”.
Pena não ter decifrado os murmúrios a tempo, pois tinha um “que tal um ‘dai-me respeito e consideração aos outros’ ao invés de paciência?” guardado.
Mas timing é timing e não me sinto confortável com seu uso irresponsável.
Cultura católica, será? Pede por paciência para não discutir em frente à igreja mas não sente a menor vergonha em desrespeitar as leis e o bom senso e ainda se acha melhor do que os outros, podendo fazer o que bem entender pois está “acostumada”?
Às vezes não. Às vezes é apenas deficiência mental mesmo. Pessoas com a patológica necessidade de serem notadas costumam chegar naturalmente atrasadas para serem notadas sozinhas pelo maior número de pessoas reunidas possível.
Tem muito católico prestativo e educado por aí que cumpre compromisso tanto com Javé quanto com o pedreiro que vai ajeitar o portão. Mas eu gosto de rotular esses como “pessoas”. É mais simples.

As pessoas são folgadas por natureza. Nalguns desses países metidos que gostam de listras na bandeira, uma pessoa vigia a outra, para que não saiam da linha. Nesse país de losangos, as pessoas tem mais vergonha de repreender o folgado do que de serem vistos como folgados. É tão incomum que alguém reclame, que quando acontece, a reação normal do folgado é discutir com quem lhe repreendeu. Mas garanto uma coisa: ele vai lembrar da próxima vez que pensar em repetir a proeza. Não podemos baixar a guarda.
A senhora, neste caso, errou por não ser humilde e ir lá tirar o carro, pois repreenderia a ela e a vc que realmente já sabia da reação que ela teria. Mas, acho que você está ainda mais errado por não saber dar o conselho, e sim se aproveitar da situação para descarregar parte do seu mau-humor na senhora, seja lá a causa dele.
Se fosse eu nesta situação tentaria persuadí-la a retirar o carro de uma forma menos petulante, pois REALMENTE me importaria com o caso de uma pessoa precisar sair ás pressas.
Deixo claro, que não concordei com a sua atitude, e como o seu texto é público me senti no direito de comentar. É a primeira vez que visito o seu blog. Mas, não estou aqui para entrar em um debate com seus fãs ou mesmo com você, e muito menos quiz te ofender.
Guilherme, eu não aproveitei a ocasião para descarregar meu mau humor. Talvez você tenha entendido errado.
Também não percebo o que você chama de “petulância” nem forma alguma que seja persuasiva com pessoas mal educadas.