2010 foi um ano interessantíssimo para mim. Por um lado eu consegui atingir metas jamais antes sonhadas, por outro vivi uma montanha-russa emocional (analogia perfeita: começou com as piores quedas e as maiores subidas e foi estabilizando até que, perto do final, chegou um trecho traiçoeiro com uma queda inesperada logo após um loop totalmente excitante e chegou ao fim com a melhor sensação possível de ser sentida ainda vestido).
Se fui reconhecido por coisas que realmente foram frutos do meu esforço e não presente dum amigo invisível, também me dei conta de que minha saúde não tem mais dezesseis anos, o que é igualmente resultado somente do meu próprio esforço.
Preciso considerar este como um ano bom na minha vida, apesar de ter sido possivelmente um dos piores em outros aspectos. 2010 foi totalmente bipolar.
A parte boa (conheci pessoas fantásticas, visitei lugares extraordinários, fiz coisas incríveis e eventos excepcionais aconteceram comigo) suplantou, justo, as coisas ruins (pessoas fantasticamente falsas, lugares extraordinariamente ruins, coisas incrivelmente desagradáveis e eventos excepcionalmente dolorosos). Por pouco, muito pouco.
Talvez o balanço fosse um pouco mais positivo se a eleição não houvesse acontecido ou se eu tivesse realmente me mudado para longe daqui como havia secretamente planejado no meio do ano.
O salário da minha vida sofreu dedução muito pesada dos impostos da realidade. Diria que, mantendo marcha com o equivalente econômico nacional, 40% do que ganhei durante o ano retornou para os cofres públicos da minha experiência para ser reinvestido em melhorias para o desenvolvimento do país da minha personalidade e da municipalidade do meu caráter.
Sem dúvida, boa parte disso vai ser desviada pela quadrilha da procrastinação e pela metáfora desnecessariamente alongada da minha inabilidade inata de ser humano que sou (espero) de aprender com meus próprios erros.
Ano que começou esquizofrênico desde, literalmente, seus primeiros minutos e assim seguiu por entre voltas, retornos, cruzamentos, lombadas, estradas de terra, buracos, ruas escuras e desertas, placas de contramão e marcas de pneus velhos em asfalto novo e que, enfim, acaba. Nem cedo nem tarde, mas na época certa. Cronologicamente falando.
Um ano em que tive “casos” [aspas irônicas] como tive dentes de leite: temporários, geralmente branquinhos, dolorosos em certos momentos e que sempre deixam um buraco quando caem (sendo que só os que ficam na frente são visíveis para quem olha de fora). Eu não me orgulho de volume. Por mim, manteria a mesma por anos e anos. Infelizmente nem tudo sai como eu planejo. Quase me apaixonei mais vezes do que tenho coragem de contar ou vontade de admitir.
Ainda neste campo, conheci também uma das pessoas mais brilhantes com a qual tive o prazer de conviver.
Por poucas horas (pelo menos pessoalmente), é verdade, mas que realmente mudou minha vida. Talvez a única constante (graças ao poder da telefonia móvel e seus acessíveis preços de fotomensagens) na equação que se resolve hoje.
Pena que não deu certo como eu gostaria, apesar dela agora fazer parte das coisas boas que guardarei na memória até seu fim.
Pela quinta vez me filiei à UFRN e, pela quinta vez, larguei o curso.
Das outras vezes eu desisti por motivos físicos, como a impossibilidade de passar a noite tocando e o dia assistindo a aulas ou o fato de estar em outro país, mas esta última foi totalmente psicológica. Cansei de me sentir como um idiota numa sala fedida, quente e superlotada enquanto ouvia promessas do Valhalla estudantil que seria o novo prédio da Escola de Ciência e Tecnologia.
Que findou sendo apenas mais um galpão quente, fedido e superlotado.
E, para alguém tão radicalmente contra a explosão automotiva corrente, preciso confessar que, durante este ano, seis carros passaram pela minha mão. O último deles tendo sido comprado por mim.
Podem me julgar. Hipocrisia só é defeito quando serve de exemplo. Portanto, não façam o que eu faço.
(Também não façam o que eu digo. Geralmente é mais seguro.)
Finalmente me dei conta de que não sou mais músico e que aquela vida foi irremediavelmente deixada para trás.
Não porque eu quis. Eu não quis. Fui abandonado por pessoas que viraram adultas e penduraram suas guitarras (apesar de num lapso temporário eu ter sido pago para tocar num bar, coisa que não me acontecia há seis anos).
E pela primeira vez em mais de meia década eu descobri músicas novas que são realmente do meu agrado. Não achei que isso fosse acontecer novamente.
Aprendi também, de uma vez por todas, que “inspiração” é só o grão de areia. A pérola só fica pronta depois de muito, muito trabalho.
Nenhum texto pode ser publicado sem antes ser revisado (várias vezes), nenhuma ideia pode ser expressa sem antes ser repensada, nenhum sentimento pode escapar sem ser questionado, nenhuma ação pode ser perpetrada sem antes ser lapidada.
Se publiquei, se relatei, se agi, se me entreguei, tenham certeza que pensei muito a respeito antes. E o fiz sem medo ou dúvida.
Não existe sucesso sem trabalho e dedicação. Pelo menos não do tipo duradouro.
E dependendo de mim, tudo que eu fizer daqui para frente durará para sempre.
Ainda guardo alguns segredos, é verdade, mas se os revelasse não precisaria desta frase, né não?
Talvez no resumão 2011 eu já possa revelar alguns. O.O
Recapitulando, parafraseando Charles Dickens: o último um-trinta-avos da minha vida foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos; foi a era da sabedoria, foi a era do abestalhamento, a época da confiança, a época do ceticismo, a temporada da Luz, a temporada do obscurantismo; foi o verão da esperança, foi a temporada chuvosa da tristeza. Eu tinha tudo à minha frente, eu tinha nada ao meu lado. E, então, fui direto ao paraíso.
Todos nós gostamos de estar em condições limítrofes:
onde a terra encontra a água, onde a chão encontra o ar;
onde o corpo encontra a mente, onde o espaço encontra o tempo.
Gostamos de ficar dum lado, mas sempre olhando para o outro.-Adaptado de Douglas Adams, em Praticamente Inofensiva-
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I’m taking a moment jut imagining that I’m dancing with you…

Um dos melhores textos de fim-de-ano que já li.
Ah, e adorei a tradução de “foolishness” para o natalês. :P
Queria escrever justamente que esse foi um dos melhores textos de fim de ano que já li, e aí vi que meu “vizinho” Guilherme Atencio já havia escrito isso antes.
Bem, não importa. Igor, esse foi um dos melhores textos de fim de ano que já li. Gostaria de ter escrito algo assim.
2011 será ótimo. Para todos nós. Desejo um novo ano com muita inspiração e concretização de planos!
Beijão,
Fer
já comecei a esperar as revelações do resumão 2011! uma boa entrada nele, igor, e venha bastante a são paulo (quando eu estiver).
beijo