Natal (800 mil habitantes, capital do Rio Grande do Norte, onde eu moro há vinte e tantos anos) deve ter uns vinte museus.
Contando de cabeça os que eu tenho certeza que já passei em frente (Museu Câmara Cascudo, Museu da Aviação, do Mar, de Arte Sacra, Naval, da Medicina, Museu Café Filho, da Fortaleza dos Reis Magos, da Cultura Popular, Instituto Histórico e Geográfico) já vão bem uns dez.
Eu entrei em dois.
Passei um mês no Rio de Janeiro e visitei pelo menos cinco.
Eu gosto de museus, me divirto olhando e lendo coisas antigas, mas é mais fácil conhecer os museus de cidades distantes do que os que ficam a cinco quilômetros da minha casa.
Já dei uma volta pela Floresta Amazônica no Amapá mas nunca tive coragem de andar meia hora dentro da reserva de Mata Atlântica que tem aqui e que dá para ver da minha janela.
Ir para longe fazer coisas idênticas às que podem ser feitas no seu quintal (ou que requerem bem menos esforço) não é exclusividade minha.
Nossa raça tem essa tendência.
Nós gostamos de começar de fora para dentro.
O telescópio foi inventado antes do microscópio.
Obviamente a vontade de ver o longíquo surpassava o desejo de olhar para a nossa própria pele de pertinho.
Hoje nós temos sondas espaciais se aproximando dos limites do nosso Sistema Solar, sabemos o que galáxias estão fazendo a centenas de milhões de anos-luz daqui, estamos até fotografando planetas orbitando estrelas invisíveis ao olho nu e calculando a taxa de expansão do Universo, mas não sabemos exatamente o que há no centro do nosso planeta e até agora só conseguimos escavar treze quilômetros para dentro dele.
E o buraco tem uns cinco centímetros de diâmetro.
Nós achamos mais fácil projetar transmissores, receptores e decodificadores, calcular trajetórias e construir foguetes para lançar satélites geoestacionários do que esticar um cabo no chão.
Pois é, TV via satélite é mais antiga que TV a cabo.
À luz desses fatos (e ignorando todas as evidências contrárias), posso concluir que gostamos mais do que vem de fora.
Isso talvez, então, explique a razão pela qual meu vizinho usava uma camisa marrom com “OBAMA 2008” escrito em roxo.
Mas pelo menos eu já andei muito pelas Dunas de Genipabu antes de ir passear no Outback australiano
P.S. o ocaso natalense visto do mirante da Ladeira do Sol é mais deslumbrante que qualquer pôr-do-sol egípcio.
Venham aqui e comprovem!

