Minha velhice quando (ou se) chegar será bastante interessante.
Apesar de aterrorizante.
Tenho mais ou menos trinta anos e sou assolado, quase o tempo todo, por alucinações sensoriais e erros de interpretação dos sentidos.
Por exemplo: eu escuto meu telefone tocando quando não é esse o caso.
Meu aparelho é um daqueles que possibilita associar um toque a cada contato, facilitando a identificação antes mesmo de ser necessário olhar para o telefone. Todos os dias eu recebo uma ligação da minha namorada e conheço bem a música que toca (um nota inicial longa, e crescente, bastante energética, produzida por uma gaita). Todos os dias, pelo menos uma vez, eu escuto aquela música específica tocando quando ela não está.
Antes, quando eu ainda tinha uma linha fixa (funcionários da TELEMAR/OI me chamaram de falsário e mau-caráter, aí eu cortei qualquer laço com a empresa), a escutava tocando quando havia nada além de silêncio.
Hoje em dia eu ando com o celular dentro do bolso e quando ele chama, eu o sinto vibrando. Mas eu também sinto a vibração em momentos aleatórios de não-ligações. Hoje mesmo (razão que precipitou a escrevência deste relato) eu senti o celular vibrando dentro do bolso. Enquanto ele repousava no banco ao lado.
Eu já descrevi uma outra alucinação, visual, que me aflige corriqueiramente e que acho que pode ser também apenas uma memória falsa, mas está bem na fronteira entre um e outro (eu imagino com tanta força que quase vejo).
Eu coloco a culpa disso na ansiedade que pode ser que eu sinta (eu sinto sim, sou ansioso e sei disso).
A antecipação que eu crio (seja de esperar que o telefone toque, seja de achar a ferramenta que eu estou precisando e não sei onde está) se torna, às vezes, tão forte, que meu cérebro, talvez tentando destruir a tensão e relaxar, cria essas ilusões como recompensa, para satisfazer o desejo aflitivo que sente (desculpem pelas mil vírgulas, mas eu não consegui escrever a frase de outro jeito).
Por enquanto não lembro de ter sentido cheiros ou sabores erroneamente, mas acho que as semivisuais (já disse que via fantasmas quando era pequeno?), as táteis (será que algumas coceiras simétricas que sinto são também ilusões?) e as sonoras (costumo também ouvir minha mãe me chamando, mas essa é mais fácil de verificar rapidamente, já que não moro com ela) estão de bom tamanho.
Um tipo para cada década.
Isso não é uma explicação científica ou sequer baseada em fatos. Estou me apoiando apenas nos meus próprios pensamentos que fazem sentido para mim.
Eu preciso explicar esse fenômeno para mim mesmo e tentar lembrar dela durante meus anos dourados para não ficar tão aperreado.
Ou minha velhice se dará num mundo muito bizarro, porém interessante, ou num lugar comum e familiar, mas amedrontador.
Se alguém tiver uma explicação melhor e alguns links, por favor compartilhe-os comIgor. Não quero ficar medroso depois de idoso, prefiro ser um velho sábio.
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Tenho explicação não, mas já sopraram no meu ouvido
Igor, pare de usar drogas…beijos.
Arthut, vou repassar um conselho que me deram: pare de usar drogas…
[...] mais interessante. Depois de ataques de adquirir sinestesia e sofrer de sonambulismo, alucinações táteis, memórias inventadas, de aprender que meu cérebro só precisa cheirar café para se sentir alerta [...]