Dia desses eu fui chamado (e levado), jovem, descolado e sabido de computador que sou, para “instalar uma impressora”, pelo irmão que deu uma de presente à irmã (que estava “entrando no mundo da tecnologia”).
Na casa da pessoa, um PC novíssimo, última geração (não quero entrar em detalhes técnicos; última geração = top de linha).
A impressora não era bem isso, mas uma multifuncional, igualmente avançada, daquelas que eu sempre quis ter.
Um calor louco jorrava de dentro da sala onde estava, criando pérolas de suor que brotavam de toda a minha pele com incrível desenvoltura.
Tirei a máquina da caixa lacrada, liguei os cabos, instalei os drivers, testei o alinhamento e a copiadora, tudo isso enquanto ouvir perguntas do tipo “Devo trocar de provedor? O da SKY afeta a linha telefônica, que fica sempre ocupada e com um barulho terrível enquanto a internet está ligada. Não gosta desse tal de IG (pronunciado como em ignóbil)…”
Ao fim dos testes, escuto do meu motorista improvisado “agora você pode ensiná-la a escrever aí na internet”, onde escrever significa usar um editor de texto e internet significa “computador”.
Enquanto ia mostrando como abria, onde salvava, abria e imprimia, continuava ouvindo coisas do tipo “…e quando você escreve mais de uma página e imprime, só sai uma cópia de cada mesmo!”, “…eu tenho uma igual sim” e “depois eu ensino como colocar as margens, justificar, alinhar à esquerda…”
Quando minha sessão de sauna informática estava perto do fim, eu disse “a copiadora pode ser usada independentemente do computador, como uma máquina de xerox”.
Ambos me fitaram vaziamente e depois perguntaram, incluindo o presenteador, possuidor de uma igual:
“E isso tira cópias?”


Eu particularmente detesto ajudar messas coisas. Principalmente pois sempre pedem ajuda quando eu estou fazendo algo que não quero parar.