Transcrição palavra-por-palavra de texto produzido por mim em quatro folhas de papel avulsas.
Alterei nem a pontuação para adaptar a este espaço, sequer lembretes, erros de concordância e gráficos.
Folha 1
Não quero ter 1 filho num mundo onde meia hora de espera num consultório médico tenha que ser gasta com a leitura de revistas de fotos com legendas sobre futilidades e como celebridades são melhores que você ou encarando uma TV com “vídeos engraçados” que já estão sendo produzidos sem discurso oral de qualquer tipo, como os filmes antes da época da invenção do fonógrafo, e que são tão ridiculamente genéricos, diluídos e sem graça, para que possam ser revendidos a todos os países do lado de cá de Jesus.
Folha 2
Excetuando-se umas raríssimas situações excepcionais, eu não gosto de fazerem os outros sofrerem.
Imagine se todas as aflições emocionais, estresses psicológicos, desilusões amorosas, doenças do corpo e mazelas da alma de um indivíduo fossem culpa minha?
Eu sou muito egoísta, mas não ao ponto de achar que todo esse atabalhoamento pode ser justificado pela resposta N° 1 neste caso, a que diz “é a coisa mais recompensadora que existe.”
A segunda resposta (então vc preferiria não ter nascido) é tão irrelevante e esfericamente idiota que nem merece consideração.
Folha 3
Sou também constatemente lembrado, tanto pelos outros quanto pela minha consciência, de que não sou uma pessoa boa. Não sou péssimo, mas também não sou ótimo.
Eu não quero/preciso uma cópia minha por aí, e acho que o mundo agradeceria menos um, ainda mais um tão espaçoso.
Outra coisa que me faz enxergar parternidade como uma forma galopante de egoísmo é o que me vem à cabeça quando penso nisso. “Vou criar uma versão melhorada de mim.”
Não acho, baseado em evidências empíricas, que meu pensamento esteja assim tão desarmônico do pens. do resto do mundo.
Folha 4
A maioria dos momentos na vida do ser humano comum é completa e totalmente desprovida de graça.
1/4 do tempo dormindo, 1/3 trabalhando (fazer contas em % pela semana).
Os momentos ótimos são raros, os momentos bons são mais comuns. Os momentos ruins são mais comuns, por precisarem de menos variáveis para ocorrer e os momentos péssimos são raros, mas duram muito tempo. Será que existe síndrome pós-traumática causada por felicidade extrema? Memórias reprimidas de eventos agradáveis?
Nosso cérebro é muito grande, nós precisamos/queremos muitas coisas, muitas variáveis envolvidas em processos complexos muito complexos, para nos sentirmos saciados e felizes. Basta uma peça não estar lá para nos sentirmos tristes.
Folha 4, verso
E o que o fim desta verborréia tem a ver com o começo?
Nada.
Eu escrevi isso num dia péssimo, sentado em cima do carro, no meio da rua, esperando passar meia hora para ser atendido pelo médico.
Vejo pegadinha e leio Caras, Contigo e Famosos nem por dez e uma cocada.
Adendos:
Criança que passou no vestibular da Unip quer tentar federal de Goiás
Enfermeira joga filha de 8 meses pela janela em Curitiba
Usar crianças em TV e Propaganda também constitui exploração de mão-de-obra infantil
rapaz, que eu saiba, todo mundo te acha boa gente… na pior das hipóteses, dizem que é também chato, mas todos sabem que é uma chatice premeditada… e quem é seu amigo sabe muito bem que egoísmo não é, nem nunca foi, um defeito seu… e, finalmente, pegadinha é um negócio muito do massa.
portanto, fica claro que esse texto está totalmente equivocado… que lástima!
e, pra não perder a oportunida, vc já tem uma boa idéia de como é ter um filho, é só lembrar de iguinho e resolver se vale a pena ter um igual. :P
Eu escrevi isso num dia de fúria e dor, mereço um desconto.
Ademais, toda pegadinha é combinada.
Iguinho é gente boa, mas temporariamente, agora que deixou de ser criança e enquanto ainda não virou adolescente.
Antes de acabar de ler eu já tinha em mente perguntar se o texto tinha sido inspirado por nossas conversas no msn…mas aí vi os links e já tirei essa dúvida =)
Mas o que importa: concordo com o comentário número 1 viu? hehehehe
Lua, minha linda, obrigado com a concordância, mas devo dizer que o texto já estava pronto naquela ocasião, seus links apenas o enriqueceram.
=¦¤þ
cara, que afude, dá pra comentar aqui. achei essa url no google procurando uma sobre sobre alguma coisa com herdeiros que li em algum momento da minha vida.
“E o que o fim desta verborréia tem a ver com o começo?”
o texto todo seria muito afude se isso tivesse sido perguntado por outra pessoa.
tem umas paradas boas aí que rolava tu desenvolver mais, seria afude ler
Eu digo é votz…