Faz tempo que não conto uma estória e hoje lembrei de uma.
O dia em que envelheci.
Eu descobri que tinha envelhecido não quando descobri meu primeiro cabelo branco (aos 16 anos), nem meu primeiro fio de barba branco aos vinte e poucos (e, por enquanto, ainda não notei grisalhos abaixo do pescoço), nem quando notei que estava ficando careca (25).
Minha tendinite apareceu quando eu tocava piano, aos vinte anos de idade. Também não foi isso.
Dores de coluna, aos vinte e um, por carregar muito peso (a sina do baterista) também não foram uma dica relevante.
O fato de, aos vinte e três, manter uma conversa sóbria e inteligível com uma pessoa e descobrir que ela havia nascido no ano em que comprei meu primeiro CD foi um choque, mas não me senti tão velho.
Descobrir que precisava usar óculos para corrigir um leve (mas suficiente para incomodar) astigmatismo foi uma surpresa, mas aos vinte e seis, não foi tão impressionante assim.
Na minha última faculdade, quando o professor tocou um disco com o melhor da produção fonográfica dos anos 90 e só eu e ele conhecíamos as músicas, eu fiquei meio suspeito, mas ainda não foi bem isso. Nem a constatação de que a maioria dos meus colegas de sala havia nascido naquela mesma década.
Quando eu passei a comer cebola crua, rúcula, brócolis, coentro e saladas amargas em geral, eu me senti mais adulto que velho.
No dia em que a única coisa que curou minha dor-de-cabeça foi café, eu fiquei mais preocupado com o vício do que com a idade já suficiente para tal condição se estabelecer.
O momento exato em que envelheci se deu em uma certa tarde, ano passado, quando eu não consegui acabar de beber um copo grande de Fanta acompanhado por dois biscoitos de triplo chocolate (massa, recheio e cobertura) porque achei tudo muito doce…


igor, rapaz, acabei apagando por engano o capítulo que voc~e tinha gostado do HdFD, republiquei. Lembro que tinha editado uns detalhes pra botar na internet, que acabaram se perdendo, mas refiz essas partes, acho que ficou a mesma coisa… eram poucas, mas mesmo assim fiquei puto.
tenho gostado do que encontro aqui no blog, que keyboy mostrou outro dia.
abraço.
Trabalhar dando aula pra adolescentes também deixa a gente mais velho.
É triste perguntar, aos 25, quem lembra de quando a challenger explodiu (a idéia era contar um causo sobre o Feynman) e descobrir que sua audiência nasceu depois disso.
O jeito é não pensar nisso! Mesmo porque a velhice está na nossa cabeça. Entendeu? ;)
Eu já nasci velho…
hoje, eu tirei um cabelo branco da minha venta… um branco albino, esquisito mesmo… ia guardar para mostrar quando vcs duvidassem, mas o bicho escapuliu da minha mão e agora tá perdido no tribunal.