…tanto quanto a melhor cura para dor de cabeça é lascar a testa numa parede chapiscada.
Eu nunca tive ressaca (ou veisalgia), mas quase todo mundo que eu conheço e que bebe já experimentou a sensação; de dor de cabeça, cansaço, secura bucal e mal-estar generalizado até ansiedade, insônia, desarranjo intestinal, tremedeira e náusea.
O álcool, quando consumido, faz com que a glândula pituitária (no cérebro) iniba a produção de um hormônio antidiurético (vasopressina), causando a fraca reabsorção de água pelos rins, que a mandam direto para a bexiga, desidratando o sujeito (uma bebida com teor alcoólico de 15%, como o vinho, causa a perda de uma vez e meia da quantidade de líquido consumido. 100ml de vinho = 150ml de água excretada).
A impressão de boca seca é um sinal de que seu corpo está muito desidratado e precisa de água urgentemente.
A dor de cabeça é causada pelos órgãos do corpo que, ao tentar se repletar, roubam água do cérebro, fazendo-o encolher e repuxar as membranas que o ligam ao crânio. Cérebro encolhendo. Que divertido.
A urinação excessiva também elimina sais e potássio (necessários para o bom funcionamento dos músculos e nervos) e as reservas de glicogênio (uma fonte básica de energia) do fígado, causando fraqueza, falta de coordenação motora e, às vezes, tremedeira.
As bebidas escuras, como vinho, uísque e tequila, são piores pois contém mais toxinas congêneres (impurezas provenientes do processo de fermentação mas necessárias para dar gosto às beveragens) que bebidas claras, como vodka, gim e cachaça. Mas isso é só um fator que ajuda na potência da ressaca.
Através de um processo bioquímico, que não será descrito aqui (quero deixar simples, para uma pessoa ressacada ler e entender), o consumo exagerado do etanol acarreta a depleção de uma enzima no fígado, que absorveria o impacto em condições normais (de pouca bebedeira). Mulheres têm menos dessa substância e por isso a delas acaba mais rápido, piorando a ressaca e aumentando o tempo de recuperação.
Mulheres, não acompanhem os homens na carraspana!
Depois de uma noite (ou dia, tanto faz) de ebriedade, o beberrão não vai dormir bem (por mais desmaiado que esteja) pois o álcool inibe também a produção de glutamina, um estimulante natural produzido pelo nosso organismo, que após o término do consumo tenta tirar o atraso, aumentando demasiadamente a produção do aminoácido, estimulando o encéfalo, não o deixando chegar ao estágio de sono profundo, necessário para o descanso cerebral e físico.
O álcool promove (finalmente um efeito positivo, sem repressão) a secreção de ácido clorídrico no estômago, eventualmente mandando uma mensagem ao cérebro de que está sendo machucado, e fazendo a pessoa vomitar. Isso pode melhorar a ressaca do outro dia, pois é menos etanol com o qual o corpo terá que lidar.
Agora, uma lista das coisas que NÃO FUNCIONAM contra ressaca.
Beber mais: isso é tão mais pior que qualquer outra coisa que merece até um pleonasmo. Bebida foi a causa do tormento em primeiro lugar, continuar o pileque é o mesmo que martelar os outros dedos para curar uma topada. Os efeitos da veisalgia podem parecer que estão diminuindo, mas é porque o indivíduo está se embriagando e se anestesiando. Mas depois o coice da mula é pior.
Café: estimulante, bom para combater temporariamente a fadiga, mas piorando-a quando o efeito passa; vasoconstritor, tem efeito contrário ao do álcool, que faz os vasos incharem, causando cefaléia, mas também diurético, eliminando ainda mais água, fazendo os miolos encolherem mais. Sabe quando um maracujá engilha e os caroços ficam soltos dentro da fruta? Pronto…
Aspirinas: C U I D A D O ! Se tiver paracetamol ou cafeína na composição, CORRA! Foi demonstrado (eu queria muito saber por quem, mas não consigo achar o link. Posso estar errado aqui) que paracetamol, ou acetaminofeno (tente dizer isso bem rápido três vezes) piora a sensação do resultado da rasca (“porre” só não tem mais sinônimos que “dinheiro”. Que língua maravilhosa!) e podem irritar mais ainda o estômago.
Finalmente (eu só tomara que ninguém se confunda), uma lista das curas e métodos preventivos.
Bananas: bom para reabastecer o potássio e o líquido (banana são 75% água, apesar de Beakman dizer que era 90%) perdidos e para aplacar a dor de barriga e liquefação fecal (foi mal, mas existem termos piores) por conter fibras. Kiwis e bebidas esportivas (eletrolíticas) também repõem potássio.
Sucos: as frutas contêm frutose, um açúcar que auxilia o aumento de energia no corpo, e vitaminas e nutrientes essenciais que podem ter sido perdidos durante e depois a cachaçada. Futuramente eu dissertarei melhor sobre isso, mas complexos vitamínicos não fazem bem, algumas podem até fazer mal. Nós evoluímos para consumir vitaminas dentro do contexto onde elas ocorrem naturalmente.
Ovos: contêm cisteína, um aminoácido que quebra acetaldeído (formado no fígado, naquele processo que eu não quis explicar mais acima), ajudando a aliviar a aflição.
Estômago fornido: comida protege as paredes do estômago e ajuda na absorção do etanol, prevenindo contra a mazela do dia posterior.
Água: o segundo melhor remédio. Beba água rodado, como se não houvesse amanhã ou, caso haja, seja um amanhã seco e sem água. Beba MUITA água. Quando achou que tomou demais e o estômago já está fazendo barulho de pote, beba mais água.
Tempo: o melhor remédio. O tempo não só tudo cura e como ainda dá experiência. Conheço várias pessoas que jamais beberão Rum com Coca novamente.
Aprecie, beba com moderação. E se tiver morrendo, por favor, não me ligue. Provavelmente eu já estou dormindo e eu trabalho cedo…
TLDR (http://en.wiktionary.org/wiki/TLDR)
Comentário de Setembrino — 30 Abril, 2008 @ 5:04 pm
Amigo,
blz o artigo sobre a branquinha, pena q já tenha passado meu tempo. Mas 2º D.Ritinha (mulher sábia) toda informação é válida.
Bjs 1.000
Comentário de Sonia Victorino — 30 Abril, 2008 @ 10:23 pm
mito… DETONADO!
Comentário de adam & jamie — 5 Maio, 2008 @ 10:36 am
Valeu Igor. Sensacional o artigo. Prova inconteste da tua inteligência superior!
Comentário de José Cabral — 4 Julho, 2008 @ 9:25 am