Ninguém gosta de ter seu quintal invadido (Caxemira, Província Cisplatina, Malvinas/Falklands, Acre, Darfur, etc.), por mais inútil ou longe que seja.
Ninguém gosta de ter algo seu tomado (uma muda de planta, um saco de pipoca, uma pedrinha de estimação, uma moeda de dez centavos, um isqueiro, uma latinha de cerveja, etc.), por mais insignificante que seja.
Nosso cérebro humano não gosta de perder, seja um alfinete, um território ou um argumento, porém, perdas materiais e perdas psicológicas são tratadas diferentemente na nossa cuca.
Quando entraram no meu quarto e roubaram minha carteira, ao notar, eu passei por uma fase de negação (não, roubaram não, eu devo ter deixado a carteira em outro lugar), uma de impotência (me roubaram e eu não pude fazer coisa alguma), uma de raiva (ah, se eu pego esse fela), uma de depressão (fui roubado, buááááá!) e, finalmente, aceitação (é, roubaram mesmo, mas destá, eu arrumo outra carteira). Às duas da tarde eu já estava de carteira nova (não gosto de perder tempo).
Quando tentavam me roubar psicologicamente, eu só tinha uma fase: defesa.
Tudo o que fosse dito contra mim, ou contra qualquer coisa minha, era contra-atacado ferozmente por todos os lados até sair fumaça dos meus ouvidos ou meu interlocutor ir pra casa chorando. Literalmente.
Eu só aprendi a argumentar (e a aceitar perder para argumentos melhores) recentemente, mas ainda é difícil, preciso estar sempre me vigiando para não atacar o indivíduo ao invés do argumento (“você está errado porque você é feio!”), me valer de autoridades invisíveis e inomináveis para sustentar minha posição (“os cientistas já provaram!”), rejeitar completamente uma idéia por não acreditar nela (“isso não pode ser verdade porque eu nunca ouvi falar nisso…”), e usar de outras das muitas falácias lógicas que habitam e envenenam a nossa mente. E eu não gosto de ficar por baixo, mas às vezes é o jeito.
Pelos meus estudos, observações e testes, eu posso concluir que não sou tão diferente do resto do mundo e que a maioria das pessoas, de certa forma, pensa do mesmo jeito.
A pior maneira de convencer alguém de que algo que ela possui não é bom, é falho e/ou não presta é dizendo isso, pois ninguém gosta de estar errado e menos ainda de admitir um erro.
Ninguém quer ter comprado um jogo ruim, ido a um restaurante fuleiro, arrumado um namorado ridículo, pago mais do que deveria numa calça, porque isso fere o ego e deixa a vítima se sentindo mal, ficando cabisbaixa e triste.
Hostilidade nunca é a melhor opção para tentar convencer outrem, por mais que isso seja para o benefício de um amigo, pois a partir do momento em que uma posse é atacada, a defesa se torna algo como “tudo o que vier de você está errado, pois você está me atacando” e o vínculo entre a vítima e o produto defeituoso só tende a aumentar, pois o sujeito desviará das qualidades ruins e achará algumas boas, por menores e mais frívolas que sejam (“esse cachorro pode ser feio, fedido, pouco inteligente, violento, dispendioso e todos os meus convivas o detestam, mas eu gosto dele porque ele é grande”).
Sugestões de alternativas funcionam um pouco melhor.
Dizer que algo é ruim só por dizer e não apresentar soluções é muito fácil e pouco prático. De que me adianta saber que a festa para onde estou indo é ruim? Seria muito melhor saber que existe uma festa melhor, mais perto, onde eu serei mais bem tratado e que todo mundo que eu conheço vai estar lá e vai estar gostando. Um mutirão convence melhor que uma blitz.
Sinceramente, não entendí nada!!!! Mas, valeu… axo q sou burrinha mesmo.
Comentário de Sonia Victorino — 29 Abril, 2008 @ 9:55 pm
mário levou a sério mesmo esse texto… só digo isso
Comentário de ... — 5 Maio, 2008 @ 10:17 am