Edson José Fernandes Ferreira (vulgo Edson Faustino), ex-secretário de Turismo deste estado, foi acusado de improbidade administrativa por envolvimento em esquema de desvio de recursos públicos e teve os bens seqüestrados pela Justiça.
No Minuto: http://www.nominuto.com/cidades/exsecretario_de_turismo_tem_bens_sequestrados_pela_justica/18282/
Tribuna do Norte: http://tribunadonorte.com.br/noticia.php?id=72602
ClicRN: http://www.clicrn.com.br/plantao.php?noticia=121007&categoria=7&titulo=Justi%C3%A7a%20determina%20seq%C3%BCestro%20de%20bens%20de%20ex-secret%C3%A1rio%20estadual%20de%20Turismo
Correio da Tarde: http://www.correiodatarde.com.br/editorias/correio_politico-28924
Isso aconteceu sexta-feira, dia 11 de abril.
Na terça-feira, dia 8, um assecla seu, se apresentando como Júnior (Moacir Pedro da Silva Júnior), veio ao cartório onde trabalho pedir uma certidão negativa (documento que diz que certa pessoa não possui imóveis registrados naquele cartório) para “o filho de João Faustino”.
O responsável do setor seguiu o procedimento padrão para esse tipo de pedido e encontrou um apartamento ainda em nome de Edson Ferreira (duzentos e poucos metros quadrados, na Rui Barbosa). Normal, algumas pessoas não sabem se ainda possuem imóveis e fazem esses pedidos para checar.
Júnior, o enviado, quando ouviu que seu patrão ainda era dono daquele apartamento, replicou com “mas esse aí é onde ele mora, não conta, eu preciso dessa certidão negativa pra hoje”.
O funcionário do cartório respondeu que não seria possível e que aquele registro contava sim, seria impossível emitir uma certidão dizendo o contrário.
Devido ao alto grau de brutalidade com o qual a resposta foi dada por tal funcionário, Júnior, o despachante, mudou de idéia e pediu uma certidão positiva (que mostra o imóvel em nome da pessoa e diz se está tudo em dia ou ela ainda deve alguma coisa), que é feita por mim e entregue cinco dias úteis após o pedido.
Quarta-feira, dia 9, sou convocado a ir ao balcão de atendimento.
Sou recebido por “Ei, você! É você que dá certidão, né? Adiante isso aqui pro seu amigo.”
Segue o breve diálogo:
Júnior: – É uma certidão pro filho de João Faustino!
Igor: – Filho de quem?
J. – João Faustino, deputado federal!
I. – O ex-deputado? Um que nunca conseguiu se eleger governador?
J. – É…
I. – E você, quem é?
J. – Eu queria uma certidão pro filho dele.
I. – Já preencheu o requerimento?
J. – Já, ontem.
I. – Certo, então dia 15 você pode vir buscar.
J. – Eu quero isso pra ontem.
I. – Então você não vai receber. Para ontem é impossível. (eu sei que isso é força de expressão, mas eu não fui com a cara do sujeito depois que ele tentou me impressionar com a ancestralidade do chefe)
J. – Mas é que ele vai tomar posse AMANHÃ como SECRETÁRIO DO ESTADO DE SÃO PAULO (ênfase dele).
I. – Amanhã?
J. – Eu já consegui todas as certidões que ele precisa, do Tribunal , da Prefeitura, de…
Nesse momento ele abriu uma pasta cheia de papéis, para me provar que tinha conseguido vários documentos
Igor: – Eu não quero ver isso não, porque nem me interessa nem vai ajudar no meu trabalho.
Júnior: – Mas veja! Eu tenho vários documentos já, só está faltando esse! Eu falei com o Desembargador , com advogado , falei com …
I. – Novamente, não me interessa.
J. – Mas só está faltando essa!
I. – Muito bem, eu ouvi da primeira vez, mas como você não me ouviu, vou repetir. Dia quinze. Terça-feira. Após as duas da tarde.
J. – Mas eu já acertei tudo a empresa de transportes e a companhia aérea, eu prometi que mandaria tudo amanhã às quatro da tarde, eles já estão de prontidão aguardando!
I. – Eles vão levar isso amanhã no fim da tarde e já estão esperando de agora? São dez e meia da manhã ainda…
J. Mas ele vai ser SECRETÁRIO!
I. – E?
J. – Ele conhece ! Sem essa última certidão ele não pode tomar posse!
Como eu já estava perdendo muito tempo, resolvi entrar e procurar a ficha do imóvel mas não a achei e voltei para avisar que não tinha achado.
Júnior: – Mas ontem eu vim aqui e me mostraram essa ficha! Como é que pode ela ter sumido?
Igor: – Bom, existem várias possibilidades: alguém pode ter escondido, tirado por engano, arquivado no lugar errado, jogado fora, dado a outrem, estar usando como borrão…
J. – Hein!? Mas não pode sumir!
I. – Você tem razão, essas coisas não podem sumir dentro de um cartório, vou procurar mais. Ligue pra mim amanhã pela manhã.
J. – Mas…
Como eu não sou arquivista nem tinha sido eu que tinha pego a ficha e já tinha perdido muito tempo, voltei ao trabalho e deixei a pessoa certa procurando a ficha. Após algumas horas, o rapaz chegou com o equivalente a meia resma de papel, a primeira com o timbre do Estado e “Poder Judiciário” escrito logo abaixo.
“Olhe aí porque a ficha não estava no lugar.” Eu olhei, o sujeito estava sob investigação pelo sumiço de mais de UM MILHÃO E TREZENTOS MIL REAIS e o imóvel tinha sido bloqueado e qualquer certidão só poderia ser dada através de ordem judicial e a ficha tinha, por isso, sido “seqüestrada” pela Tabeliã. Pronto, resolvido o meu problema estava. Uma certidão a menos pro neguinho aqui fazer.
Quinta-feira, dia 10, oito e meia da manhã.
Igor: – Alô?
Júnior: – Alô! Igor? Aqui é aquele cara chato!
I. – Qual deles?
J. – Hehehe… Júnior! Eu estive aí ontem pedindo uma certidão e você me prometeu pra hoje.
I. – Não, mentira sua. Eu pedi que você me ligasse para saber se a ficha já tinha sido achada.
J. – E acharam?
I. – Sim.
J. – E aí? Sai hoje ainda?
I. – Nem hoje, nem nunca, a não ser que você consiga uma ordem de um Juiz. O imóvel foi bloqueado pela Justiça
J. – Marrapáz… tem como você fazer isso pra mim não? Eu sou amigo de há mais de dez anos…
I. – Se você fosse MEU amigo eu ainda não faria. Se fosse PRA MIM eu ainda não faria.
J. – Mas eu sou tão amigo de…
I. – Não me interessa o seu círculo de amizades, isso vai influir em NADA na feitura do documento. Por mais amigo que você seja de qualquer pessoa, a certidão não vai ser feita porque quem faz sou eu, e EU não vou fazer porque nem QUERO, nem POSSO. Consiga uma ordem judicial que eu acato.
J. – Você não pode nem falar com a Tabeliã não?
I. – Posso, mas não vou. Não gosto de interromper a minha chefe por besteira.
J. – Eu já consegui certidão até em Parnamirim, aí na cidade dele, do pai dele…
I. – Minha também…
J. – …ele não vai conseguir? Mas ele vai tomar posse HOJE! E sem isso ele não pode ser empossado!
I. – Ele vai tomar posse hoje e só avisaram a ele ontem? Sacanagem…
J. – Como assim?
I. – Ele toma posse hoje à noite e só disseram a ele que ele ia precisar de todos esses documentos ontem?
J. – Nãããão, faz uns quinze dias que ele tá sabendo disso!
I. – Aaaaaaaaaahh! Então se ele não puder tomar posse a culpa será SUA!
J. – Minha?
I. – É. Sua. Que deixou pra pedir os documentos em cima da hora. Essas coisas levam tempo e você deveria saber disso já que, suponho, esse é o tipo de trabalho que lhe mandam fazer e não é a primeira vez que você vem ao cartório, já que é amigo de num-sei-quem há tanto tempo!
J. – Não, mas isso é um caso especial…
I. – Para você. Para mim é só mais um, embaixo de uma pilha de outros mais importantes por estarem na frente.
J. – Mas eu prometi …
I. – Então você vai passar por mentiroso, porque da minha mesa esse processo só sai com ordem de um Juiz e essas coisas demoram. Cada etapa leva um certo tempo para ser processada…
Nessa hora ele começou a tentar me interromper jogando mais nomes de conhecidos dele, acho que para me impressionar, mas eu continuei explicando como a burocracia funcionava e que se ele quisesse acelerar, falasse com um dos muitos amigos juizes dele e trouxesse uma ordem judicial para liberar o imóvel.
Pouco antes de eu sair para o almoço, vieram me chamar para ir ao balcão dar satisfação dessa mesma certidão. Porém, quem estava lá na frente não era mais Júnior, o mandado, mas outra pessoa, um despachante, que não sabia do ocorrido, só sabia que um tal de Júnior o tinha contratado para “ir apanhar o documento pronto e que só saísse de lá com isso”. Para não perder meu tempo nem o dele, disse que voltasse pra casa e esperasse outro serviço que aquele ali era sem-futuro e não ia dar em nada.
Às quatro e quinze, interfonam para o meu ramal para perguntar a situação e eu disse que estava exatamente igual.
Às quatro e vinte, passam várias pessoas por mim e eu escuto a Tabeliã dizendo “pode, dê assim mesmo, cite que ele está devendo a hipoteca que nunca foi paga e que o imóvel está bloqueado.” Eu fui confirmar pessoalmente com ela, que me pediu para fazer logo que o sujeito estava atrapalhando quase todas as pessoas do cartório, e eu voltei para a minha mesa e comecei a fazer.
Quatro e meia me interfonam de novo, dizendo que o cara estava lá dizendo que precisava para mandar por avião às cinco da tarde. “Mentiroso!”, eu disse, “que ontem e anteontem ele disse que precisaria pras quatro! Passe aí o telefone!”. Ele não quis falar.
Eu fiz, mas quando fui entregar, notei que o requerimento estava preenchido e assinado, mas não carimbado (o procedimento padrão é confirmar a assinatura do requerente através de firma aberta no cartório). Inspecionei o papel com mais cuidado e notei que o requerimento estava em nome de Edson José Fernandes Ferreira, que jamais pisou dentro do nosso cartório, mas estava assinado pelo Júnior. Isso é falsidade ideológica até onde eu sei (baseado em nada).
Fui lá na frente, o sujeito estava lá com cara de quem não está com pressa. Eu disse: “Minha chefe me pediu para fazer sua certidão, mas eu não vou fazer porque esse tal de Edson não veio aqui requerer e essa assinatura não pode ser confirmada como sendo dele. Esse requerimento é falso!”
O emissário ficou meio aperreado, mas uma funcionária que estava ao meu lado disse que bastaria ele abrir firma e preencher outro requerimento, o que foi feito.
Vinte pràs cinco a certidão ficou pronta e ele saiu com ela.
Hoje pela manhã, ao comentar as notícias mostradas acima com meus colegas, a “amiga de mais de dez anos” dele disse que sempre que ele vem, diz que a filha dele é afiliada de Paulo Macêdo.
Eu ODEIO quem tenta se engrandecer subindo nos outros. Amigo de Fulano advogado, companheiro de bar de Sicrano desembargador, filho de Beltrano político inexpressivo, pai de afiliada de colunista social. E odeio especialmente mais quem tenta usar dessa influência para impressionar os outros e passar na frente dos “comuns”.
Um cabra desse, na minha mão se lasca!
Se ele tivesse apertado a minha mão e dito “Sou Moacir, pode me chamar de Júnior”, ou “Meu nome é Júnior, sou assessor jurídico e vim lhe pedir um favor”, teria conseguido o meu respeito imediato. O que não aceleraria o processo nesse caso, é verdade, mas também não estimularia este relato
rapaz, de lascar mesmo é apelar para afilhada de paulo macêdo… lembrei daquele negócio do “sabe a diferença de tal coisa e uma lata de merda?” antes fosse afilhada de toinho silveira que, ao menos, seria engraçado.
Foi mole no final. Não era pra ter cedido nem o papa mandando.
O papa não manda em mim, nem no meu trabalho, nem paga o meu salário.
hmmm… papa é mole, né?
[...] Este é um dos mais antigos e nem é sobre ciência, mas eu quero que todo mundo do mundo leia a estória. E depois leiam isto. É sobre um ladrãozinho metido a besta que ronda por aqui. [...]