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Simpatia de ano novo

Essa simpatia de réveillon (reveiõ) é bem simples.

Exatamente trinta minutos após o final da contagem regressiva, transforme um arame de rolha de garrafa de champagne assim:

arame de champagne

Numa tartaruguinha simpática como essa:

Tartaruguinha simpática de champagne

E, num instante, todos os seus amigos vão achar você uma pessoa melhor (pelo menos até passar o efeito do álcool do champagne que proveu a rolha e seu arame ou a novidade gastar).

Com oito ou dez dessas você leva quem quiser para a cama.
Desde que quem tenha bebido a maior parte do espumante que proveu os arames tenha sido o alvo do seu desejo.

Simples, não?

Mas cuidado! Você precisa mostrar o que fez, senão nada disso terá efeito!

E tente chegar vivo em casa.
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Estória de pescador

- Era destamanho!

- Conversa…

Feliz Natal

''Cidade do Sol, nordeste brasileiro''

Eu morei em Caicó, interior do Rio Grande do Norte, até os três anos de idade, com meus pais e minha irmã, oito anos mais velha que eu.

Quase vinte anos depois, voltei lá com meu pai, que me levou a um restaurante que costumava frequentar no começo da década de 80 e re-encontramos o filho do dono, que muito impressionante com meus quase dois metros de altura, expeliu o seguinte raciocínio:

Isso é Igor? Aquele que saiu daqui pequenininho? Nossa, como ele cresceu! Era daquele tamanhinho e hoje tá assim, imagine a irmã, que já saiu daqui grande!

Nojo de mim

Isso tem acontecido com mais e mais frequência.
Pessoas que prestam serviços essenciais ao meu estilo de vida estão ficando cada vez mais afastadas da minha realidade.

Pratos simplesmente somem da mesa e chãos aparecem limpos, como se louça e lixo fossem mais importantes que garçons e faxineiros, pois eu sinto mais facilmente a falta daqueles que a presença destes.

Estou na fronteira, no limiar, prestes a entrar num local que sempre desprezei, onde moram os esnobes e bossais, que acham que pessoas podem ser classificadas em dignas e não-dignas, elite e serviçais.

Eu tenho plena consciência de que existem pessoas que servem e pessoas que pagam para serem servidas, mas todos têm o mesmo ancestral comum com os gorilas das montanhas e não posso admitir que indivíduos sejam relegados ao barulho de fundo, como um chiado de fita cassete, imperceptível para quem desconhece sua existência e sequer reconhece sua utilidade.

E isso está acontecendo logo comigo, que sempre faço questão de agradecer pelo serviço prestado e até pergunto o nome do garçom vez por outra para ele ouvir seu nome sendo chamado intermitentemente.

Não prego que todos sejam tratados da mesma forma, pois isso seria, primeiro, impossível e, segundo, a pior forma de preconceito possível (pois todos são diferentes).
Mas todos merecem ser tratados com respeito (até um mostrar que não merece tal honra, aí vale até cuspida na cara), mesmo que esse ilusório conceito de “respeito” seja apenas a confirmação de sua existência, nem que seja com um aceno de cabeça.

Parece pouco, mas quem já está com a alma calejada de ser tratado como reboco de parede aprecia bastante quando alguém “do outro lado” sabe seu nome.
E, talvez, quem sabe, um dia, receber até um tapinha nas costas e, sonhar não custa nada, uma gorjeta pela simpatia desprendida.

Muitos pratos já sumiram da minha mesa. Preciso parar com isso.

Sweetest Goodbye

There must be someplace here that only you and I could go
So I can show you how I feel

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