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Seja por causa da falsa nostalgia criada pelos desenhos importados que assistimos quando crianças, seja porque realmente provamos daquela maçaroca que teima em residir permanentemente no céu da boca, como uma espécie de anjo bucal, manteiga de amendoim é uma daquelas coisas das quais, aparentemente, todo mundo gosta.
Existe, no entanto, uma dificuldade em se encontrar o produto nas prateleiras dos supermercados brasileiros, visto que não comemos sanduíches de manteiga de amendoim com geleia pois nossa carga horária colegial não engloba a hora do almoço nem temos detenção na cantina por termos sido pegos pelo inspetor de corredor guardando objetos inapropriados nos nossos armários logo após saimos do vestiários depois do treino de basquete onde discutimos com a líder de torcida por ela ter dado mole para o zagueiro.
Paçoca, por outro lado…[1]

Aos que buscam em vão o elusivo vidro de manteiga de amendoim, tenho boas notícias: amendoim in natura é facilmente encontrado em qualquer supermercado e a manteiga é facílima de produzir em casa, com ingredientes e aparelhos que você provavelmente já possui.
Como este texto é para ensinar a fazer biscoitos de manteiga de castanha, sua sorte não está muito boa, no entanto.

Vamos à receita:
Obviamente, se você não encontra a internacionalmente famosa manteiga de amendoim também não encontrará sua prima pobre, feita da castanha do caju. Mas, sinto que sua sorte está mudando, porque vou ensinar como se faz manteiga de castanha bem gostosa de comer.
– Você vai precisar de 300 gramas de castanha (eu usei o que chamam de “castanha caipira” mas recomendo usar daquela bonitinha, tipo exportação), uma pitada de sal, 30ml de mel ou glicose de milho ou xarope simples (pode ser açúcar, mas ajuda ser molhado) e 80ml de óleo.
– Passe a castanha num processador (acho que no liquidificador vai levar bem mais tempo, não testei) até obter quase uma farinha; adicione o sal, o óleo e o líquido doce (morno, para facilitar o escorrimento).
– Continue processando até alcançar a textura desejada. A minha ficou crocante porque deu preguiça de perseguir maior cremosidade. Mas a vida é sua, não sou seu pai, você faz o que quiser.

Agora, para o bicoito (ou cookie) de castanha de caju (ou Cajookie®):
(Note que ele é sem glúten, sem gordura trans ou saturada, sem lactose e totalmente orgânico. Se, no entanto, você não pode comer ovo, eu só lamento, porque ovo é a melhor coisa.)

- Misture 250ml de manteiga de castanha (a receita acima rende um pouco mais que isso, então ainda sobra para você misturar com leite de coco e usar como molho de peixe DE NADA!) com 250ml de açúcar (ou o equivalente no adoçante que já tiver saturado seus receptores mói de evitar o retrogosto – eu usei 125ml de sucralose) e um ovo grande.
Isso deve resultar em uma bola mole que descola da mão sem ficar dura. Se a massa tiver ficado muito molhada, seu biscoito vai escorrer na forma e ninguém quer ver isso. Então coloque uma colher de amido de milho (maisena, minha gente. Amido de milho é maisena, sem pânico).
Se ficar dura demais, me ligue para eu consolar você, já que sua vida tem sido tão difícil ultimamente.

cajookie-ingredientes

Como minha colher de sorvete é graduada eu não preciso tentar medir a manteiga numa xícara nem ficar tentando raspar o que inevitavelmente ficaria pregado nos cantos de um copo-medida. É feio, mas é limpinho.
Deixe o forno esquentar até alcançar os 180°C (você tem um termômetro de forno, né?) enquanto prepara as bolinhas, usando um boleador, uma colher-medida ou, caso você tenha sido criado por lobos selvagens, as mãos.

cajookie-bolinhas

Coloque as bolinhas numa forma untada ou com proteção antiaderente apropriada, dê uma leve imprensada com um garfo para formatar os biscoitos (é mais fácil assim do que tentar transferir discos pré-fabricados, acredite) e deixe no forno por dez minutos, girando a forma uma vez se seu forno não for confiável (e provavelmente ele não é, daí a necessidade do termômetro).

cajookie-forma

Minha massa ficou muito preta por causa da caipirice das castanhas, mas se você usar a variedade mais clara (como eu recomendei) você irá notar as beiradas mudando de cor depois de dez minutos de forno. O cheiro também é um bom indicativo de que eles estão quase prontos.
Você precisa agora deixá-los esfriar. Pode ser num prato, se você for um sobrevivente da guerra franco-prussiana. Caso contrário, se atualize e tenha uma grade de resfriamento em casa.

cajookie

Lembre-se: o mais importante é se divertir na cozinha. E, desde que você não desvie das minhas instruções nem me desagrade, você irá se divertir. Isto é uma ordem!

———

[1] A maioria de vocês chama de paçoca aquilo que é pouco mais que uma manteiga de amendoim esfarelenta, quando na verdade a palavra “paçoca” é de origem indígena e designa “ato de socar carne seca com farinha”. Aí você mistura com feijão verde e cebolinha, joga manteiga da terra por cima e seu sábado está completo.

A história é a seguinte: viajarei semana que vem e o Aeroporto Internacional de Natal Augusto Severo, cuja reforma de “requalificação e modernização do terminal de passageiros” realizada um ano e meio atrás custou R$ 16,4 milhões, vai fechar no sábado.
Sorte a nossa que a estrada de acesso que deveria ter sido feita sete anos atrás por 28 milhões não ficou pronta, apesar de já estar em uso e ter custado R$ 60 milhões mesmo sem qualquer sinalização ou barreira de segurança.

Como o caminho para o novo aeroporto é, exatamente, duas vezes mais longo, fui hoje dar uma olhada no que me espera.
Contando da minha casa, ao invés de doze e meio quilômetros precisarei percorrer vinte e cinco. Mas, numa matemática potiguar, o dobro da distância significa o quádruplo do tempo. Por passar pelo infame “gancho de Igapó”, local com maior densidade de tráfego do RN em horário de pico, o usuário do aeroporto precisará ficar preso em pelo menos sessenta minutos de trânsito lento para, só então, tentar não se perder a caminho do aeroporto.
Por outro lado, li agora uma notícia que diz que a “conversão à esquerda na rotatória, utilizada pelo fluxo de tráfego oriundo de São Gonçalo do Amarante com destino à BR-406/101 (Ceará-Mirim/Extremoz) será extinta“. Ou seja, os moradores do município onde se situa o aeroporto precisarão ir até outra cidade, fazer o retorno e voltar para o locar de onde saíram para, só então, terem o direito de tentar chegar ao aeroporto, passando por uma obra que, após dez anos, custou R$ 48 milhões e, dois anos depois disso (a notícia é de 2012), nunca foi sequer iniciada. Quatro milhões de reais por cada ano de atraso. Parece uma multa que o Estado aplicou a si mesmo e, como toda boa multa cobrada pelo Estado do Rio Grande do Norte, o dinheiro puft.

Bom, voltando. Após passar num trecho que não vê melhorias desde, literalmente, o século passado, passa-se sobre a Ponte de Igapó (batizada oficialmente como “Ponte Costa e Silva”, em homenagem ao grande estadista nacional que instaurou o AI-5, instrumento que deu ao presidente poderes absolutos de ditador, usados para destituir a governadoria de Aluízio Alves, nome do novo aeroporto) e vai-se direito pela BR-406.

Se você não sabe qual é a BR-406 eu só lamento, porque não existe uma só placa indicando sua existência. O que existe, numa rotatória dez quilômetros após a ponte, é uma placa da FIFA – sim, uma placa de sinalização da FIFA, não do DER – apontando o caminho (existe antes uma primeira rotatória, o já mencionado “gancho”, mas ela foi fechada para os pobres que não moram na capital, então acho que não tem erro ali).
O problema é que esta placa em questão aponta para o lado errado. Ao invés de indicar a BR-406 ela aponta para a BR-101 e diz “AEROPORTO ->”.

Se você não se perder em Extremoz (outro município) e tiver desafiado a placa e seguido mais ou menos em frente (é uma rotatória, não existe “em frente” teoricamente), você irá continuar mais ou menos numa linha reta até a próxima placa da FIFA (novamente, nenhuma placa do departamento responsável pelas placas) que diz que você está indo muito bem, pelo único caminho possível.

Em seguida, mais ou menos oito quilômetros depois da segunda rotatória (aquela onde você deve desobedecer à placa da FIFA), não existem mais placas. Porque você já passou da entrada para o aeroporto.
Supondo que, por algum motivo sobrenatural, você achou que aquela ruma de terra preta virada ao lado da pista (que está sendo duplicada do lado contrário ao do acesso – jênial!) era uma entrada e conseguiu não capotar o carro na ladeira nem descer as encostas desprotegidas que ladeiam a pista em ^reforma^ (aspas irônicas), você deverá entrar ali. Isso se conseguir ver a ruma de terra preta virada, já que não há iluminação pública no local por se tratar somente de uma rodovia federal.

O acesso é por ali no fundo da ladeira. A imagem do GMaps é de 2012 e ainda não sabiam que ia ter um aeroporto por ali, cujo acesso deveria ter sido feito antes...

O acesso é por ali no fundo da ladeira. A imagem do GMaps é de 2012 e o poder público ainda não sabia que ia ter um aeroporto por ali, cujo acesso deveria ter sido feito antes…

Somente após entrar no acesso e percorrer alguns decametros a placa indicativa se fará visível. Novamente, uma segunda placa que diz qualé o caminho quando você está no único caminho possível – e a primeira colocada pelo Poder Soberano Federal.
O mesmo poder colocou uma placa, logo adiante, avisando que o aeroporto se encontra a quatro quilômetros.
Cinco quilômetros mais tarde, descubro pelo segurança da obra que ainda faltam dois quilômetros até a entrada propriamente dita.

Aliás, cinco quilômetros da estrada mais perigosa que já encontrei na vida. As bordas não só são altas como são afiadas (e com carros andando na contramão NA IDA E NA VOLTA). E, a exemplo do acesso recém-inaugurado para o aeroporto recém-reformado que irá fechar em quatro dias, este também não tem qualquer proteção lateral, o famoso guardrail. Apesar de que aqui em Natal nós favorecemos o gelo baiano como forma de contenção automobilística.

Aqui um mapinha. Não deve ajudar muito mas é, sem dúvida, melhor que a sinalização norte-riofifense.

E, porque isso tudinho aí em cima é pouco, ainda tem um pedágio.

Pedágio do Aeroporto Internacional da Grande Natal Aluízio Alves

Pedágio do Aeroporto Internacional da Grande Natal Aluízio Alves

Que não foi pintado e ainda está sem energia elétrica.
Mas tudo bem, a inauguração é só daqui a quatro dias. Dá tempo.

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ATUALIZAÇÃO – 31 DE MAIO
Ontem, o RNTV fez uma reportagem (gostaria de pensar que como resposta a este texto – que alcançou quase cem mil pessoas em quatro dias) mostrando o caminho e mostrou algumas placas que não existiam quando eu o percorri, dia 27 de maio. Mostraram também uma gambiarra improvisada feita no meio da BR 406 para criar mais uma rotatória e evitar o suposto “capotamento” que citei para efeito cômico (vendo o vídeo que eles fizeram, isto aqui faz mais sentido).
Disseram também na reportagem que o pedágio não existe, o que existe é um “ponto de controle de entrada de veículos”, que é mais ou menos a descrição funcional de um pedágio. O que eu acho que aconteceu foi que o aeroporto precisou funcionar forçadamente por motivos políticos (disso ninguém duvidou até agora) e a empresa foi pega com as calças na mão e com um aeroporto que não tinha preparo sequer para instalar os sistemas de cobrança do pedágio. Mas, hoje, eles não estão cobrando entrada.

Resumindo, o caminho agora está melhor sinalizado. Só ainda não está pronto. Bem com o aeroporto, que só deve ficar 100% em janeiro.
E, até lá, marquem minhas palavras, o pedágio vai estar a pleno vapor.

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ATUALIZAÇÃO – 1º DE JUNHO
Segundo informações da INFRAERO, confirmadas pelo pessoal do aeroporto Augusto Severo pelo telefone 3087-1270 (e estranhamente ausente das publicações da família Alves, cujo patriarca dá nome ao ASGA e cujo filho, Henrique Eduardo Alves, é aquele que roubou dinheiros dos pobres para dar para seu bode), os voos internacionais via Natal pousarão e decolarão do aeroporto antigo, Augusto Severo, incluindo o voo da TAP que sairá amanhã, 00:55h.

emma watson

Após a chuva de ontem (e sob constatação de que junho é um mês com mais chuvas que março), o Governo do Estado desvelou hoje pela manhã a maquete atualizada do Estádio Arena das Dunas, palco (visto que deriva de circo) da Copa do Mundo 2014 em Natal.
After yesterday’s rain, the State Government unveiled this morning a new and revised model for the Arena das Dunas stadium that will hold, not only the 2014 FIFA World Cup in Natal but also millions of gallons of water, June being a much wetter month.

Nova maquete do estádio Arena das Dunas após chuva de ontem que promete se repetir em junho

Nova maquete do estádio Arena das Dunas após chuva de ontem que promete se repetir em junho

Abaixo, fotos da capacidade do novo estádio em lidar com a água de algumas poucas horas.
Below, pictures of the stadium area’s capacity of dealing with a few hours worth of rain.

Estádio Arena da Dunas, Copa do Mundo 2014 em Natal

Estádio Arena da Dunas, Copa do Mundo 2014 em Natal

Fotos melhores não foram possíveis pois não há cultura de câmeras de mergulho em Natal.
Alas, better pics not available due to lack of underwater cameras on the market.

Estádio Arena da Dunas, Copa do Mundo 2014 em Natal

Estádio Arena da Dunas, Copa do Mundo 2014 em Natal

E aqui, fotos das vias de acesso ao estádio que competecem ferozmente na eterna competição para decidir quem alaga mais e primeiro.
And now, the access roads to said stadium, candidates to future FINA World Championships.

Estádio Arena da Dunas, Copa do Mundo 2014 em Natal

Estádio Arena da Dunas, Copa do Mundo 2014 em Natal

Estádio Arena da Dunas, Copa do Mundo 2014 em Natal

Estádio Arena da Dunas, Copa do Mundo 2014 em Natal

Proponho um novo mascote também para a Copa em Natal: Copa D’água.
As is costumary in the Land of Slapdashness, we now have a new mascot: the Fifa World Cuppa.

Livrarias natalenses 2

A primeira versão você encontra neste link.

Tudo bem (nem tanto, mas…) misturar os livros de agropecuária com os de ciências biológicas. O que complica é não diferenciar “técnicas para reprodução sexuada satisfatória” de “técnicas para satisfação sexual reproduzíveis”.

Não consigo decidir a qual categoria listada os volumes pertencem.

Não consigo decidir a qual categoria listada os volumes pertencem.

Outro problema que vejo é, na prateleira de baixo, encostar Energia: O Vício da Civilização em 50 Tons de Prazer e 50 Tons de Êxtase. Dá ao Os 50 + Importantes Livros em Sustentabilidade um novo significado, se é que você me entende. “Sustentabilidade”.

E, na prateleira de baixo, 50 Tons de Prazer e 50 Tons de Êxtase. Novamente, não sei em qual categoria.

Novamente, não sei em qual categoria.

Gata 1.0

Tom, minha primeira gata. Amigável como seu humano.

"Opa, o que é isso?"

“Opa, o que é isso?”

"AH!, ALGO TOCOU EM MIM!"

“AH!, ALGO TOCOU EM MIM!”

pare

pare

Meus pratos

Finalmente, após anos e anos, consegui vencer a preguiça e catalogar meus pratos. Os dividi por tipos, série, nome, tamanho, número de série (descobri uma coisa bem interessante por causa disso) e peso.
Estou publicando aqui para ter um terceiro backup da lista e ser de fácil consulta. Todos da marca Zildjian.[1]

RIDE/CONDUÇÃO AVEDIS PING RIDE 20”/51CM IG 2725-049 2,75Kg

Não sei se por algum viés, mas esse é a melhor condução que já usei. Quente como um dia chuvoso em Natal, mais definido que coxa de dançarina de banda de forró e com uma projeção melhor que a do sinal do Batman. Vai do jazz ao black metal, do samba ao punk (sei disso porque usei-o em todos) com a mesma desenvoltura.

Este foi fabricado em 1997 e está comigo desde abril de 1998. Muito suor, maresia e lavagens depois ele adquiriu essa tonalidade fosca que eu chamo de “a cor do amor”.
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RIDE/CONDUÇÃO K HEAVY RIDE 20”/51CM IF 1267-089 3,25Kg

Este eu comprei na Austrália (muito barato – viva país com moeda forte!) e é bem mais pesado que o Ping – tanto em massa quanto em timbre. Não é tão controlado quanto aquele mas também não é nenhum [insira aqui personagem barraqueiro da novela atual]. Nunca pude comparar projeção, mas apostaria no K como mais audível (especialmente a cúpula) circundado por amplificadores.

O número de série me diz que ele foi fabricado em 1996, dez anos antes de por minhas mãos nele. Pela condição em que se encontrava quando comprei suponho que o(s) dono(s) anterior(es) não o havia(m) tocado por mais de alguns minutos. E Melbourne é um lugar seco, muito seco.
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CRASH/ATAQUE AZUKA TIMBALE 18”/45CM IF 9931-138 1,6Kg

Este prato foi incluído no meu kit por pura sorte. Também de 96, o comprei pelo telefone em 1999. Já tinha o básico e queria outro ataque para complementar o meu K 17″. O Azuka é da linha de percussão da Zildjian e foi projetado para ser um ataque/condução de timbales mas raramente o usei como este último, mesmo a cúpula sendo tão controlada. Ele é um ataque que parece ser pesado mas que não destoa do finíssimo 17″. De pagode a hard rock, este prato é como Tabasco – fica bem em tudo.
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CRASH/ATAQUE K DARK CRASH THIN 15”/38CM IH 4550-089 0,9Kg

Outra compra australiana (junto com o 18″, mais abaixo), este é o irmão gêmeo do 17″ (também abaixo, mas menos). A melodia que dele escapa é impressionante; um crescendo que demora a explodir (alguns milissegundos, apenas o suficiente para ser notável) mas que agrada qualquer um que o usa. Por ser bem fino e leve (menos de um quilo) ele não se daria bem em músicas mais pesadas e definitivamente ele não deve ser usado como condução, tanto pela lentidão do ataque quanto pela delicadeza material. Ao contrário do K 20″, este foi bem usado e desenvolveu uma pátina avermelhada que está pedindo para ser removida.
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[ATUALIZAÇÃO PRÉ-PUBLICAÇÃO - prato devidamente lavado e lixado, a ser publicado num post vindouro]

CRASH/ATAQUE K DARK CRASH THIN 17”/43CM IF 1648-061 1,3Kg

Comprado junto com o Ping, este é simplesmente o melhor ataque para alguém que toca de tudo. Ele aguentou vários anos de metal a hardcore, de acústicos na minha sala a dois shows na mesma noite, duas noites seguidas.
Apesar de fino, é um cavalo que puxa qualquer carroça. Desde que, como todo cavalo, seja tratado com os devidos cuidados. E não seja surrado indevidamente.
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CRASH/ATAQUE K DARK CRASH MEDIUM THIN 18”/45CM IH 4479-041 1,5Kg

Igualmente bem usado e apatinado (como o 15″, lembra dele?), este tem a mesma lentidão característica do 15″ mas é bem mais “volátil”, como um vidro de acetona deixado sem tampa. Reagindo prontamente à força aplicada pela baqueta, para mais ou para menos.
Ele se sairia muito bem num contexto mais calmo mas ele foi feito para brilhar num palco, rodeado de amplificadores. É como um guitarrista nesse aspecto.
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SPLASH K 8”/20CM CARIMBO ANOS 70 168g

É um splash, é um K e não pesa nem duzentos gramas. Se você lendo isto não consegue fazer esta conta nenhuma descrição minha vai ajudar. Mesmo assim, lá vai uma: é como um espirro de uma pessoa muito refinada que sabe que não pode impedir o reflexo e que também sabe que não precisa se desculpar por isso.

Pelo carimbo, este prato foi feito nos anos 70. Por estar em tão perfeita forma, creio que jamais havia sido tocado por uma baqueta maior que 7A (mas sem dúvida foi muito utilizado em bares e outros locais fechados e naturalmente úmidos, pela quantidade de manchas de suor em cima).
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SPLASH K 10”/25CM IF 8033-130 251g

Novamente, mesmo problema descritivo. Este espirro é um pouco mais alto e mais grave mas dado com o mesmo requinte.

Fabricado em 1996 e deixado numa gaveta até ser colocado no eBay e vir parar no bolso do papai aqui. Se fosse um boneco do Comandos em Ação eu poderia dizer que o comprei “novo na caixa”, mesmo já tendo completado dez anos quando adquirido por mim.
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HI-HAT/CHIMBAL AVEDIS NEW BEAT 14”/36CM
TOP/SUPERIOR IH 989-150 1,04Kg / BOTTOM/INFERIOR IH 1007-170 1,44Kg

O New Beat é o “padrão da indústria” e não o é injustamente. Já usei chimbal de toda espécie, de latão a bronze em todas as suas misturas, leve, pesado, misto, com pratos de efeito, stack e todos eles invertidos e nenhum chega aos pés do pé (também conhecido por “chick”) deste. A comparação com o ataque de pé também é injusta com os outros, sejam K, A, AA, qualquer um com um X no final, turco, canadense, suíço, italiano, etc, etc.

O New Beat é o melhor acompanhando violão ou um trator sem roda ligado num Metalzone. Se o Azuka é Tabasco, o New Beat é sal.
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HI-HAT/CHIMBAL AVEDIS QUICK BEAT 14”/36CM CARIMBO ANOS 70
TOP/SUPERIOR 1,2Kg / BOTTOM/INFERIOR 1,3Kg

Este par não tem número de série, logo, foi produzido antes de 1994. É também carimbado, pré-laser. Pelo tamanho e características do carimbo (meia lua, sem os infames “três pontos”, etc), provavelmente o par foi produzido no fim dos anos 70 (depois que o logotipo vazado foi abandonado).
Mas, como o relógio na minha parede demonstra, ele não é meu favorito musicalmente. Fica excelente microfonado (com ajuste de agudos).

Não sei porque não gosto dele. Talvez minha sinestesia enxergue seu tom como o de um falastrão mal educado, daqueles que sempre interrompem sua linha de pensamento. É, acho que é isso.
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O prato de cima está meio enferrujado. Acho que é da maresia (minha bateria ficou montada um tempo numa casa de praia) e do meu descaso também.
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HI-HAT/CHIMBAL AVEDIS S.R. (special recording) 12”/30CM
TOP/SUPERIOR IF 9505-040 0,83Kg / BOTTOM/INFERIOR IF 9505-149 0,795Kg

Visivelmente bem usado. Para ouvidos pouco acostumados, o som é esquisito, como o de uma criança com uma voz não-caracteristicamente grossa tentando imitar um adulto da voz fina. Este chimbal é mais crocante que piso de gordo e com mais definição que olimpíadas de inverno. Não é um prato para o dia a dia mas cobre bem a falta de um 14″ pesado. Por ter bem menos volume (menos área, menos massa) é o que estou usando semi-irregularmente na minha bateria montada na sala.

O prato de cima é mais pesado que o de baixo. Não sei se isso é padrão do S.R., mas posso dizer (para os que já não sabem) que isso é bem incomum.
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SPLASH ORIENTAL TRASH 9”/23CM II 7100-081 222g

Não consigo de forma alguma (por memória ou por documentos) lembrar onde comprei este prato. Sei que foi meu primeiro splash e que foi comprado sozinho, mas não lembro se novo ou usado, se em loja ou de algum particular.

Mesmo tendo sido meu primeiro não é meu favorito. Mesmo assim, é um excelente pratículo, bom para situações com mais volume, onde sua mistura esquisita de harmônicos se destaca por ser tão inesperada. Como uma alcaparra solitária numa colherada de doce de leite.
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SPLASH AVEDIS 10”/25CM 288g CARIMBO

Se este prato fosse responsável pela consciência coletiva, não estaríamos correndo o risco de acabar a água potável do mundo[2]. Ele tem exatamente zero desperdício, como o gritador de “UH!” em banda de mambo. É preciso como mira telescópica, focado como mira laser, explosivo como pólvora química e rápido como… não sei, não consigo pensar numa analogia para a velocidade de resposta. Rápido como uma coisa rápida. Um trem-bala, por exemplo.

Provavelmente meu prato mais antigo, a julgar pelo modelo do carimbo. Comprei de um baterista que não gostava dele (monstro, eu sei, mas eu avisei a polícia na época) junto com um A Thin Crash de 13″ que nunca me soou bem e foi prontamente revendido, o 8″ abaixo e um case de madeira caseiro que ele havia feito e que, depois de alguns metros de silver tape, voltou a ser redondo.
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SPLASH AVEDIS BRILLIANT 8”/20CM JA 14237-228 169g

E, finalmente, a estrela da casa. Nem tanto pelo som que, por ser muito pequeno e muito leve só funcionaria em situações mais calmas – preferencialmente servindo de contraponto ao A 10″. O que realmente chama atenção neste splash é a parte de baixo, autografada por Will Calhoun, do Living Colour (que é endorser da Sabian MUAHAHAHA! mas ele não se importou).
E sim, ele está dessa cor porque eu continuo usando-o. O autógrafo não irá a lugar algum, visto que eu fui sabido e pedi para ele assinar no fundo do prato. #ficadica

Fato que só notei durante o catalogação; este é o prato mais novo que possuo, tendo sido fabricado em 2001, um ano antes de ter sido comprado por mim ao mesmo sujeito que me vendeu também o 10″ acima, meu mais antigo. Para você ver como são as coisas…
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CHINA ORIENTAL TRASH 16”/40CM II 7555-127 0,94Kg

Comprei junto com o Azuka. Me serviu muito bem na época, onde barulho era o que reinava.
Sempre o achei muito duro se atingido na lombada, então o usei sempre pela borda. Duro como uma mordida repentina em algo crocante quando a única coisa que você tem na boca é chiclete. Ele não tem o que os músicos chamam de calor, ele é só quentura. Como sair para o almoço descalço em calçamento.
Mas não achem que não gosto dele, pois gosto bastante. Mas sempre pela beirada, como sopa quente.
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CHINA ORIENTAL CLASSIC 20”/51CM IG 2855-026 1,55Kg

Se alguém roubasse um só prato meu, este sem dúvida seria o alvo. Não que eu acredite em azar (flutuações estatísticas, minha gente, sorte e azar são estatísticas levadas para o lado pessoal) mas é que acumulei muitos inimigos durante minha vida.

Um quilo e meio de pura delícia, este china foi amor à primeira vista. Só não lembro onde vi (talvez num fórum, talvez vagando pelas profundezas do MercadoLivre), mas sei que ele estava em Brasília. E disto eu sei porque mandei o dinheiro para a minha irmã afetiva brasiliense (também baterista à época) e a fiz ter o trabalho de se deslocar para inspecionar, adquirir e estocar o prato na casa dela até que, alguns meses depois quando a fui visitar (sério, não fui lá só pelo prato, não é todo mundo que é meu inimigo), senti pela primeira vez o amor retribuído proveniente daquele quilo e meio de paixão ardente com o qual eu me correspondia apenas mentalmente por semanas e semanas… *suspiros* Ah…

É como a experiência mais transcendental que você já sentiu. É aquele filé na manteiga com macarrão de manjericão ao molho branco que eu comi só uma vez e quando voltei para repetir na semana seguinte o restaurante havia fechado sem deixar traços de sua existência e que até hoje eu acho que sonhei com aquele prato pois nunca senti, antes ou depois, tamanho prazer com um item comestível, que me frustra e escapa ao meu entendimento, jamais tendo conseguido sequer recriar o mais simples dos componentes, numa fútil busca etérea e malsã, tanto mais efêmera quanto mais intensa…
E este prato musical é melhor que aquele prato gastronômico. E é tanto assim que eu gosto dele. E posso tocá-lo quando quiser!

Fino e delicado como aquele macarrão de manjericão, forte e encorpado como aquele filé na manteiga, meu Oriental Classic 20″ recria nos meus ouvidos o que um dia já foi criado em minha boca.
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CRASH/ATAQUE SCIMITAR – 16”/40CM S/N 1,2Kg

Este comprei pensando em transformar num spiral trash caseiro, mais para decoração do que para música, mas acabou virando uma luminária.
Nunca o toquei, então não posso dizer se é bom. Mas se fosse, creio que a série não teria sido descontinuada.

[ATUALIZAÇÃO VESPERTINA - Eis a luminária!]
luminaria2luminaria1

Já possui também (além do A 13″ aludido acima) um Mini China K 14 (esse K no meio da foto) que achei muito grosso e que, apesar de agressivo (e agudo) demais nunca tinha volume suficiente para a quantidade de força que precisava aplicar. Comprei num sebo que já não mais existe e comprei muito barato. Lembro que foi barato o suficiente para eu ter o dinheiro no bolso e já levar logo embora antes que viesse alguém lá de dentro dizendo que o preço estava errado.

Um Sabian AAX Stage Crash 18″ que, hoje em dia, não mais o venderia (eu limpei os desenhos antes de vender). Um prato mole e doce como a chuva da manhã (estou descrevendo sons, então nenhuma analogia é adequada mesmo) mas altamente sensacional. Só vendi porque consegui comprar barato e fiz um lucro da moléstia com um cara daqui que queria porque queria um Sabian.

Dois Wuhan, um splash e um china, ambos de 12″. Nesta foto o china na extrema direita (acima do Azuka) e o splash, de cabeça para baixo, na extrema esquerda, em cima do finado A 18″. O china era uma maravilha, fino como bifum, complexo como caldo de ostra, agradável como tarê. O splash era mais como um sashimi de atum; não era para todos os gostos. Igualmente fino mas com menos complexidade e, pela leveza, abria muito pouco. Não gostei e vendi logo, me desfazendo do china algum tempo depois. Sinto saudades deste.

Tive também um Zildjian A Medium Thin Crash 18″ que comprei do antigo baterista do Dorsal Atlântica, acreditem ou não. Vendi porque achei muito pesado e ele tinha um “ruído branco” muito pronunciado pro meu gosto e eu já não mais tocava música muito pesada, para a qual ele seria excelente. No Dorsal Atlântica, por exemplo.

Ainda tenho (mas não entrou na lista porque motivos) um condução Headliner 7K 20″ que comprei num outro sebo e que é uma anedota que merece ser contada. Enquanto visitava dito sebo, vi uma bolsa de pratos pendurada na parede (algo que precisava urgentemente). Perguntei o preço, achei razoável (bolsa simples, três zíperes, seria só para guardar o que não estivesse usando), paguei, peguei, achei mais pesado do que deveria mas me distraí com alguma outra coisa e fui embora. Em casa, quando abri a bolsa, encontrei dentro dela uma baqueta moída e o Headliner. Me espantei com a descoberta (não da baqueta, que foi diretamente para o lixo) e, virando o prato, entendi que não havia sido engano. O fundo do prato estava mais enferrujado que porta de fusca em cidade de praia e ele não tinha nenhum som que pudesse ser descrito como “agradável” ou sequer “audível” (possivelmente ele tenha servido de tampa para uma caixa d’água por alguns anos). A ferrugem era tão intensa que o prato mal vibrava. Ao invés de descartá-lo, resolvi pegar uma lixa e ver no que daria. Lixei até cansar, deixei o prato num canto, fui fazer outra coisa e esqueci dele. No outro dia, com a luz do sol, vi que tinha progredido bastante na tarefa e resolvi finalizá-la. Quando removi, na base da lixa de metal, toda a camada corroída, o prato não só brilhava como estante de propaganda como o som que vinha dele era incrivelmente melodioso e complexo. Daí em diante, virou meu prato de ensaio, visto que tem uma cúpula fenomenal e, por ser comparativamente leve (só 2,1kg), pode ser usado como ataque. Depois do Azuka, é meu prato mais versátil. Mas só o uso em ensaios.
O pedaço faltando (veja foto) não foi culpa minha. Emprestei o prato enquanto morei fora e, quando voltei, o emprestante me contou que o havia rachado enquanto andava de moto com o prato nas costas. Recortei ao redor da rachadura, fiz umas palhetas com o material retirado e corri, digamos assim, para o abraço.

Finalizando o que consigo tirar pela memória, tive um ataque Zildjian Edge de 16″. Comprei no mesmo sebo do china 14″ e, sinceramente, não sei o que tinha na cabeça. Provavelmente eu ainda não sabia muito bem o que esperar de um prato ou vi um Zildjian de uma série desconhecida e comprei só pelo preço. Não consigo lembrar também o que fiz dele (aqui uma foto de ensaio, onde ele e um chimbal de latão podem ser vistos e nesta outra juntamente com o Headliner e o Sabian 18″), mas certamente o vendi para algum iniciante.

E agora, para solucionar um mistério que assombra bateristas há décadas:

TADA!

TADA!

———
[1] Exceto este Sabian AA Rock Ride 21″. Que é uma potência!
[2] Não estamos. Calma.

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