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Sarça ardente

(Antes que perguntem, sarça = arbusto, mas como aparentemente é pecado modernizar a linguagem da Bíblia, continuai chamando-a sarça.)

Segundo a lenda bíblica, Moisés ia passeando com suas ovelhas quando viu uma planta em chamas mas que não era consumida pela fogo.

Algo parecido com o vídeo a seguir:

A danada acima se chama Dictamnus albus, ou planta gasosa (traduzido do inglês gas plant, pois na minha pesquisa de cinco minutos eu não achei um nome comum em português).

Nos meses quentes, ela secreta um óleo com cheirinho de limão e que é altamente inflamável, principalmente quando começa a evaporar.
Em um dia particularmente quente, esse gás/óleo pode entrar em ignição e rapidamente criar uma bola de fogo sobre a planta inteira e suas vizinhas mais próximas.

Agora imagine que você está tranquilamente dando uma voltinha com seus pets no meio do mundo, num lugar onde a expectativa de vida é de 30 anos e numa época em que nem relógio ainda existia quando, a poucos metros de você e sem qualquer motivo aparente (pois seu vilarejo é normalmente quente assim sempre), uma planta, indígena da mesma área onde você vive, vira um bico de Bunsen.

Eu conheço algumas pessoas com pernas fracas que não conseguiram algo além de cair de joelhos frente a tal fenômeno.
O meu primeiro reflexo seria correr.

Mas, hoje em dia, com Youtube e Wikipedia (e informação, coisa que não havia dois miliquinhentos anos atrás), toda essa “aventura” fica sem graça, “muitas confusões” não acontecem, muitos deixam de “entrar em frias” e ninguém realmente consegue “encarar de frente todo um exército” (aspas indicam palavras-chaves de sinopses narradas de filmes da Globo).

“UAU! Mas uma planta que produz um óleo inflamável!? Que raridade!”
Hum. Nem tanto.

Esprema (como quem espreme uma espinha) a casca de uma laranja/tangerina perto de uma chama aberta e veja o que acontece.

Dica do Hotta, via Twitter.

P.S. Alguns de vocês com certeza vão notar que eu comecei falando de lendas pré-tecnocientíficas e acabei mudando o foco no meio do texto, mas isso aconteceu porque eu fui ficando entediado com o assunto inicial. Acontece.

Joca

Semana passada eu perdi um amigo.

Cheguei de viagem, soube que ele estava doente, fiz uma nota mental para ir vê-lo mas este acabou por escapulir da minha cabeça e eu perdi a última chance que tinha.
Agora ele está morto.

Já fazia uns dois anos (ou mais, não lembro) que eu não me encontrava com ele, mas eu sabia que ele estava lá, potencialmente.

Um outro amigo meu certa vez justificou não gostar de andar de avião com: “E se eu quiser sair correndo pro meio da rua?”
Eu perguntei quantas vezes ele já havia feito isso de dentro de casa e ele respondeu que nenhuma, “mas sei que quando quiser fazer, posso”.

Fazia muito tempo (tempo demais, eu acho) que eu não falava com Joca, mas eu sabia que quando quisesse, poderia.

Hoje não posso mais.

Médico, jipeiro, motoqueiro motociclista, escultor, curioso e buliçoso em geral, poeta e meu amigo.

Queria conseguir pensar numa piada, mas não consigo.

arte colaborativa cadeira

Hang Loose FAIL!

arte colaborativa

Dia de todos os Santos

Gostaria de parabenizar todos os membros da minha família pelo nosso dia, conquistado com muito trabalho duro e dedicação.

Parabéns, família Santos.

Igor Santos
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Poucas vezes na vida, alguém vai se deparar com um número desse tamanho:

Isso aí lê quatro trilhoes, trezentos e oitenta e quatro bilhoes e cinquenta

Isso aí lê quatro trilhoes, trezentos e oitenta e quatro bilhoes e cinquenta

Clique aqui para saber do que se trata esse número incrivelmente enorme

Vocês podem estar de saco cheio disto aqui, mas para mim é terapia.
———

Diretamente da cozinha do Onde comer (e beber) em Natal, temos:

Será que alguém já compilou os quinze lugares de natal que tem o pior atendimento da cidade? Porque quase todo dia semana passada alguém chegou lá procurando essa lista. E eu tenho algumas sugestões próprias…

Agora uma coisa que eu não sugiro: beber thinner.
Mas isso não impediu de alguém chegar lá procurando por isso.

Sem querer ser muito contraditório, gostaria de dizer a quem quer saber qual o selfservice japones mais barato em natal: vá comer carne, rapaz!

Eu até já ouvi uma ideia parecida, já até vi uns rascunhos, mas ainda não existe tal coisa como comer e beber bem, por rodrigo santos. Infelizmente.

E se quem estava procurando por restaurantes bons com preços razoaveis e comida boa achar, por favor me avise.

———

Semana passada por aqui chegaram em busca de:

Sorte: hoje eu ganho na mega sena

Azar: cobra come homem

Amor: simpatia qro q ele broxe

Sexo: simpatia para eu como mulher ser boa na cama

Dinheiro: simpatia comprar peso com dez centavos

Saúde: simpatia para curar pe inchado

Vida doméstica: como limpar um colchão mijado

Ciências biológicas: texto de divulgação científica – vampiro

Nutrição: é dia do santos comer gamba

Filosofia: o que a filosofia entende por instrumento musical

Climatologia: se enterrar proteger calor

Economia: mega sena separe 20 dezenas

Aspirações profissionais: canteiro de obras como fazer

Zoocoprofilia: fezes de lagartixa foto

???: hipnose celular

Dá uma sensação boa saber que estou ajudando em tantas áreas do conhecimento.

E, para quem busca informações sobre sintomas de uma mente doente, uma dica: leia a lista acima.

———

“Ô terapiazinha reiêra” podem estar pensando alguns, mas coisas como essas fazem meu dia:
- bares em natal habiente sos;
- ”quanto que ouver pra min e pouco”;
- o que tem para comer em barzinho;
- blogs com filmes do steven sigal com brasileiro;
- achei sobradinho;
- mente duente;
- como sabemos que e vampiro.

Movimento, Cores, Sons

Cemitério do Alecrim

Dia desses eu estava andando pela rua durante a Hora Mágica, ouvindo Thriller no meu tocador portátil de MP3 quando, de repente, me vejo dentro do cemitério do Alecrim.
Aproveitei que estava lá dentro e fui dar uma circulada pelo local para conhecer (ou relembrar, porque realmente não lembro se já estive ali antes).

Perto da entrada há um mausoléu (praticamente uma edificação; existem casas menores que aquele túmulo) possivelmente dedicado à opulência.
O que seria um tanto contraditório, pois ela certamente não morreu. Vide a foto.

Mausoléu do cemitério do Alecrim

Mausoléu do cemitério do Alecrim

Logo em seguida, atrás do Monumento ao Ego acima mostrado, há vários túmulos comuns, de pessoas normais e conformadas com o tamanho do próprio, digamos, status:

Bom senso sempre, mesmo que me mate.

Bom senso sempre, mesmo que me mate.

Notaram a falta de grades ao redor? Pois é, eu também notei.

Esse próximo também não tem grades. Deve ser de algum filantropo que praticava total desapego a bens materiais:

Para quê grades quando se tem um deus olímpico guardando sua sepultura?

Para quê grades quando se tem um deus olímpico guardando sua sepultura?

Mas nem todas as lápides de lá são artificialmente bonitas assim. Ah, não!
Algumas são adornadas com naturalidade:

Sem grades, sem mármore. Só a rara beleza da natureza.

Sem grades, sem mármore. Só a rara beleza da natureza.

Há também aqueles que mantiveram um mínimo de consistência durante a vida e a levaram consigo para o túmulo, como esse pianista anônimo (a placa com o nome do defunto está faltando):

Para dizer a verdade, eu não tenho certeza de que tenha um ex-pianista aí embaixo, mas sinceramente eu espero que esse seja o caso...

Para dizer a verdade, eu não tenho certeza de que tenha um ex-pianista aí embaixo, mas sinceramente eu espero que esse seja o caso...

Existe ainda uma área sensivelmente destacada do resto, onde só há lápides com inscrições em hebraico, e que eu apelidei de “Cemitério Judeu”. Esperto, eu, né?

Parecem deslocados dispostos assim, virados uns para os outros?

Parecem deslocados dispostos assim, virados uns para os outros?

E, finalizando (o artigo, não o cemitério), uma devida homenagem a Juscelino Kubitschek.
Porque ele foi famoso e fez alguma coisa boa para Natal.
Provavelmente.

Porque ele projetou Brasília com as quadras em ordem alfabética e acabando em JK.

Porque ele projetou Brasília com as quadras em ordem alfabética e acabando em JK.

Mas o cemitério é um lugar legal (se você gosta desse tipo de ambiente, obviamente).
É estranhamente maior por dentro do que por fora e, quando você acha que as surpresas acabaram, seu pé afunda numa cova antiga e mal cuidada (aconteceu comigo nesse dia).

E não achem que eu sou desprovido de ironia. Este artigo está catalogado sob a categoria Vida intencionalmente.

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