Isso tem acontecido com mais e mais frequência.
Pessoas que prestam serviços essenciais ao meu estilo de vida estão ficando cada vez mais afastadas da minha realidade.
Pratos simplesmente somem da mesa e chãos aparecem limpos, como se louça e lixo fossem mais importantes que garçons e faxineiros, pois eu sinto mais facilmente a falta daqueles que a presença destes.
Estou na fronteira, no limiar, prestes a entrar num local que sempre desprezei, onde moram os esnobes e bossais, que acham que pessoas podem ser classificadas em dignas e não-dignas, elite e serviçais.
Eu tenho plena consciência de que existem pessoas que servem e pessoas que pagam para serem servidas, mas todos têm o mesmo ancestral comum com os gorilas das montanhas e não posso admitir que indivíduos sejam relegados ao barulho de fundo, como um chiado de fita cassete, imperceptível para quem desconhece sua existência e sequer reconhece sua utilidade.
E isso está acontecendo logo comigo, que sempre faço questão de agradecer pelo serviço prestado e até pergunto o nome do garçom vez por outra para ele ouvir seu nome sendo chamado intermitentemente.
Não prego que todos sejam tratados da mesma forma, pois isso seria, primeiro, impossível e, segundo, a pior forma de preconceito possível (pois todos são diferentes).
Mas todos merecem ser tratados com respeito (até um mostrar que não merece tal honra, aí vale até cuspida na cara), mesmo que esse ilusório conceito de “respeito” seja apenas a confirmação de sua existência, nem que seja com um aceno de cabeça.
Parece pouco, mas quem já está com a alma calejada de ser tratado como reboco de parede aprecia bastante quando alguém “do outro lado” sabe seu nome.
E, talvez, quem sabe, um dia, receber até um tapinha nas costas e, sonhar não custa nada, uma gorjeta pela simpatia desprendida.
Muitos pratos já sumiram da minha mesa. Preciso parar com isso.